Magazine Luiza

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Classe média - Max Gonzaga

Nascido em São José dos Campos, o artista teve os primeiros contatos com a música já na infância através do pai acordeonista. Porém, aos 15 anos de idade, Max Gonzaga adotou o violão como instrumento para composição e interpretação. A partir daí, seguiu-se uma longa jornada dedicada aos trabalhos autorais e de interpretação, através da atuação na noite da cidade de São Paulo, interior, sul de Minas e Litoral Norte.

Em 1985, juntamente com Valério Maciel (guitarrista) e Alexandre Cunha (Baterista), formou a banda “Albatroz” de repertório voltado para o Jazz, Blues e releituras de músicas do cancioneiro nacional, apresentando-se no Sesc, Sesi, Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Teatro São José, entre outros espaços culturais.


Em 1995 formou o trio “Marimbondos” ao Lado de Marcelo Molina (sax tenor) e Alexandre Cunha (Baterista) com enfoque no circuito de bares e casas noturnas da região do Vale do Paraíba e Litoral Norte.

Já consolidada a sua experiência tanto como compositor quanto como intérprete, em 2002 fundou o clube “Caiubi” de Compositores, onde juntamente com Henrique Barros, Liz Rodrigues, Tito Pinheiro, Vlado Lima, Ricardo Soares e Sonekka, iniciaram o movimento que tem como proposta a valorização da música autoral entre compositores à margem da mídia e do mercado fonográfico.

Nos últimos anos apresentou-se em vários espaços culturais da cidade de São Paulo. Entre eles destacam-se Café Piu-Piu, Supremo Musical, Teatro do Tuca, Tucarena, Sesc Ipiranga, Centro Cultural São Paulo, Teatro Crowne Plaza, além do próprio clube Caiubí de Artes. Apresentou-se também em São José dos Campos, no Teatro Walmor Chagas e no Viela Bar.

Em 2005 lançou seu primeiro CD solo com o título “Marginal” e teve sua música “Classe Média” classificada para o Festival Cultura-A Nova Música do Brasil.

Acesse a sua HomePage: http://www.maxgonzaga.com.br/






Max Gonzaga

Composição: Max Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida