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quarta-feira, 15 de maio de 2019

O Déficit não está na previdência, está no Banco Central!

Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos sobre a Reforma da Previdência 13/05/2019


http://legis.senado.leg.br/comissoes/reuniao?reuniao=8481&codcol=834


Senadores da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) debatem a reforma da Previdência com foco na auditoria da Dívida Pública.



Participante(s)

Paulo Fontoura Valle
Subsecretário do Regime de Previdência Complementar da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia

 Maria Lucia Fattorelli
Coordenadora Geral da Auditoria Cidadã da Dívida Pública

http://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento/download/c1db64c0-0f80-4ace-b978-de29b0cdd728




Antonio Gonçalves Filho
Presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES – SN

http://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento/download/318ea20b-f920-49f4-bf61-f6581c2e0aba




 Rodrigo Vieira de Ávila
Economista

http://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento/download/5498bd95-0f82-4477-bbc9-f9156bce5fee




 Edson Carneiro
Representante da Intersindical – Central da classe trabalhadora


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Programa "Repare Bem" sobre a reforma da previdência.


#RepareBem com Ciro Gomes - Reforma da Previdência: entenda quais direitos estão ameaçados

Quais os direitos ameaçados pela Reforma da Previdência proposta pelo governo? Como funciona a Previdência? Ciro Gomes, em seu segundo programa #RepareBem, conversa com os professores Mauro Filho e Flávio Ataliba, que esclarecem os principais pontos.



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Duas coisas que você não sabe sobre a Reforma da Previdência proposta pelo governo
Você ja leu a PEC? Ou esta formando a opinião sobre a Reforma em cima do que lê aqui e acolá? Pois bem, seguem dois pontos, retirados da PEC, que voce provavelmente não sabe sobre a reforma que esta sendo proposta...



Palestra de Eduardo Moreira no Senado Federal sobre a Reforma da Previdência (versão full)
Palestra na integra de Eduardo Moreira na TV Senado sobre a Reforma da Previdência em audiência no Senado Federal em Brasília.
Compartilhe com os amigos e vamos levar a todos os dados reais sobre o que esta sendo discutido nesta reforma



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Maria Lúcia Fatorelli versus Ciro Gomes. Regime de Providência.

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Mauro Filho Fala da "Confusão" do PT Contra Tabata Amaral e a Posição do PDT "Previdência"
Charme do sistema de capitalização é que não há déficit no longo prazo'

Deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE) fala ao Jornal da CBN sobre sua proposta de capitalização, que deve ser apresentada hoje como alternativa à reforma da Previdência na Comissão Especial. Ele comentou também o fato de sua companheira de partido, Tábata Amaral, ter se posicionado a favor da reforma e disse que, assim como ele, ela está apresentando alternativas à proposta do Governo Federal.




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Veja também:

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Ladislau Dowbor: A era do capital improdutivo.



Site: http://dowbor.org/


Minicurrículo:
Ladislau Dowbor é economista e professor titular de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi consultor de diversas agências das Nações Unidas, governos e municípios, além de várias organizações do sistema “S”. Autor e co-autor de cerca de 40 livros, toda sua produção intelectual está disponível online na página dowbor.org.


Ladislau Dowbor, formado em economia política pela Universidade de Lausanne, Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976). Atualmente é professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nas áreas de economia e administração. Continua com o trabalho de consultoria para diversas agências das Nações Unidas, governos e municípios, além de várias organizações do sistema “S” (Sebrae e outros). Atua como Conselheiro no  Instituto Polis, IDEC, Instituto Paulo Freire, Conselho da Cidade de São Paulo e outras instituições.

A sua área principal de atuação é o ensino e organização de sistemas de planejamento. Nos anos 1970, foi professor de finanças públicas na Universidade de Coimbra. A convite do ministro Vasco Cabral, tornou-se coordenador técnico do Ministério de Planejamento da Guiné-Bissau (1977-81).

Foi consultor do Secretário Geral da ONU, na área de Assuntos Políticos Especiais (1980-81). Dirigiu vários projetos de organização de sistemas de gestão econômica, na qualidade de Assessor Técnico Principal de projetos das Nações Unidas, em particular na Guiné Equatorial e na Nicarágua. É consultor de vários governos, particularmente para a organização de sistemas descentralizados de gestão econômica e social (Costa Rica, Equador, África do Sul).

No período 1989-92 foi Secretário de Negócios Extraordinários da Prefeitura de São Paulo, respondendo em particular pelas áreas de meio ambiente e de relações internacionais.

É autor e co-autor de cerca de 40 livros, e de numerosos artigos. Destacam-se os livros   “Formação do Terceiro Mundo”, Brasiliense, 15 edições; “O que é capital?”, Brasiliense, 10 edições; “Aspectos econômicos da Educação”, Ática, 2 edições; “Introdução ao Planejamento Municipal”, Brasiliense. O seu livro sobre “Formação do Capitalismo no Brasil”, publicado em diversos países, conta com a versão brasileira atualizada pela Brasiliense, em 2010.

Em 1994 publicou “O que é Poder Local?” pela Brasiliense; “Informática e os Novos Espaços do Conhecimento”, São Paulo em Perspectiva, SEADE, bem como Descentralização e Governabilidade, na Revista do Serviço Público, ENAP, Brasília, Jan/Jul 1994, também publicado na Latin American Perspectives, California, Jan. 1998. Urban Children in Distress: practical guidelines for local action pela revista Development: Journal of the Society for International Development, 1996:I, Oxford, Cambridge 1996.

Em 1996 publicou Da Globalização ao Poder Local: a Nova Hierarquia dos Espaços na coletânea “A Reinvenção do Futuro”, editada pela Cortez. Em 1998 foram publicados “Os Desafios da Globalização”, coletânea organizada com Octavio Ianni, Paulo Rezende e outros, e “A Reprodução Social, estudo de sistemas de gestão social”, ambos pela Vozes. Em 2001 lançou “O Mosaico Partido: a economia além das equações”, publicado na França, Espanha e nos Estados Unidos. Publicou também a coletânea “Desafios da Comunicação” (org.) e “Democracia Econômica” (2008), pela Editora Vozes.

Ao longo dos últimos anos, tem trabalhado no desenvolvimento de sistemas descentralizados de gestão, particularmente no quadro de administrações municipais, envolvendo sistemas de informação gerencial, políticas municipais de emprego, políticas integradas para criança de risco e gestão ambiental.

Recentemente, suas pesquisas giram em torno das dinâmicas do sistema financeiro nacional e internacional. Deste estudo já foram publicados os seguintes livros: “A Era do Capital Improdutivo” (Autonomia Literária, 2017), “Os estranhos caminhos do dinheiro” (FPA, 2013), “O pão nosso de cada dia: os processos produtivos no Brasil” (FPA, 2015) e “Juros extorsivos no Brasil: como o brasileiro perdeu o poder de compra”, (Ética, 2016).

Toda sua produção está disponível na home-page dowbor.org

Ladislau Dowbor
Website: dowbor.org
E-mail: ladislau@dowbor.org
Facebook https://www.facebook.com/prof.LadislauDowbor
Google+ https://plus.google.com/u/2/+ProfLadislauDowbor
Twitter: ldowbor



A era do capital improdutivo
http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2012/06/a_era_do_capital_improdutivo_2_impress%C3%A3oV2.pdf




Ladislau Dowbor, autor de "A Era do Capital Improdutivo" @ RecordNews


"Reduzir a inflação quebrando a economia não é sinal de recuperação econômica". É assim que Ladislau Dowbor, autor de "A Era do Capital Improdutivo", último lançamento da Autonomia Literária editado com Outras Palavras, acaba com a falácia da recuperação econômica em entrevista a Heródoto Barbeiro na Record News. Ladislau demonstra o contrário: a riqueza está se concentrando ainda mais e crise está se agravando. "Fazer aplicação financeira rende muito mais do que fazer investimento produtivo. Por mais aplicações financeiras que você faça, em títulos, dólares e etc., não aparece um par de sapatos nem mais uma casa construída na economia. Isso explica porque nós tivemos em dois anos seguidos uma queda de 3.5% e 3.8% no PIB enquanto que, no mesmo período, os bancos tiveram um aumento da taxa de lucro entre 20% a 30%" ao ano", conclui o economista.




Juros atraentes e impostos baixos explicam porque tanta gente tira dinheiro da produção e prefere viver de aplicações no Brasil. Uma das consequências é o processo de desindustrialização do país. O economista e professor da PUC-SP Ladislau Dowbor fala sobre essa realidade.


O Brasil e o capital improdutivo
O economista e professor Ladislau Dowbor esteve na livraria da Tapera para debater a conjuntura econômica brasileira e seu livro "A Era do Capital Improdutivo".



Redução da Desigualdade, com Dowbor e Neiman
Na nona e última aula da série UM BRASIL Sustentável, o canal reúne o economista e professor de pós-graduação da PUC-SP, Ladislau Dowbor, e o pesquisador e professor do curso de Ciências Ambientais da Unifesp, Zysman Neiman, para debater o desafio da redução da desigualdade no Brasil e no mundo.

Esta série é uma parceria do UM BRASIL com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) e o Programa de Mestrado em Análise Ambiental Integrada da Unifesp. Com coordenação pedagógica do Prof. Dr. Zysman Neiman, o curso UM BRASIL Sustentável: visões, desafios e direções será formado por entrevistas e debates com personalidades de destaque nacional na área de políticas públicas e sustentabilidade.


A era do capital improdutivo e a obsolescência do trabalhador
Conversa realizada no dia 17/04/2018, sobre "A era do capital improdutivo e a obsolescência do trabalhador", com Ladislau Dowbor, economista e professor da PUC-SP, formado em Economia, pela Universidade de Lausanne, na Suíça e Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, na Polônia; e Samira Schatzmann, economista e professora da PUC-SP, graduada em Economia pelo Mackenzie, com mestrado em Economia do Desenvolvimento na UFRGS.



Videoteca - A Era do Capital Improdutivo - A Nova Arquitetura do Poder

A Era do Capital Improdutivo - A Nova Arquitetura do Poder

Organização: Núcleo de estudos do Futuro - NEF / PUC-SP

Prof. Dr. Arnoldo José de Hoyos Guevara

Moderador(a): Rosa Alegria

Conferencista: Prof. Dr. Ladislau Dowbor

O livro destrincha como a financeirização, sistemicamente controlando e manipulando o fluxo das riquezas e recursos naturais, dilacera as economias no Brasil e mundo afora ao forçar os governos eleitos a cumprir agendas refutadas pelas urnas, concentrando as riquezas e aumentando as desigualdades. Sobretudo quando desviam grande parte do orçamento público para o pagamento de altos juros da dívida, engordando ainda mais as forças do capital financeiro em detrimento de políticas públicas de saúde, educação, previdência e segurança




TUTAMÉIA entrevista professor Ladislau Dowbor
tutameia.jor.br é o serviço jornalístico criado por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena



A era do capital improdutivo – Prof. Dr. Ladislau Dowbor
Sala de Leitura
Lançamento do Livro – A era do capital improdutivo. A nova arquitetura do poder: dominação financeira, sequestro da democracia e destruição do planeta
Conferencista: Prof. Dr. Ladislau Dowbor – PUC-SP



Ladislau Dowbor: "O Bolsa Banqueiro custa 400 bilhões de reais"
O economista da PUC-SP falou a CartaCapital durante o IV Salão do Livro Político. Nesta entrevista ao diretor executivo Sérgio Lirio, Dowbor comenta sobre seu livro “A Era do Capital Improdutivo”, lançado em 2017.


Em Discussão Convida: A Era do Capital Improdutivo
No programa Em Discussão Convida, o deputado estadual Raul Marcelo, do PSOL recebe Ladislau Dowbor, professor de economia e escritor, para falar sobre seu novo livro ''A ERA DO CAPITAL IMPRODUTIVO'' e fazer uma reflexão da situação econômica do Brasil.



Ladislau Dowbor vê a pauta econômica de Bolsonaro
Um presidente fraco e incapaz é tudo o que a aristocracia financeira mais quer. É preciso evitar o desmonte do país -- e reconstruir alternativas



Entrevista com Professor Ladislau Dowbor: "O golpe da finança internacional no mundo"
Participação do Professor Ladislau Dowbor no Duplo Expresso de 25 de março de 2018



Entrevista Ladislau Dowbor: A Era do Capital Improdutivo


Brasilianas - Ladislau Dowbor
Projeto Brasilianas é coordenada pelo jornal GGN. Um dos objetivos é ampliar o acesso aos materiais produzidos pelas universidades e agregar ao debate público conhecimentos acadêmicos e jornalísticos.
Colaboração PUC-SP

Convidado:
Ladislau Dowbor
Professor de Pós-Graduação em Economia na PUC-SP

Apresentação
Luiz Augusto de Paula Souza (Tuto)
Assistente para assuntos de comunicação da reitoria na PUC-SP



Entrevista com Ladislau Dowbor



Maria Lydia entrevista Ladislau Dowbor, economista/PUC-SP, sobre a crise econômica
O impacto da impopularidade do governo Temer e da crise política sobre a economia Brasileira na entrevista do dia com Maria Lydia Flandoli.



Ladislau Dowbor: mercado financeiro aposta no quanto pior melhor
Em meio à crise política, os agentes do mercado financeiro se movimentam para manter altos ganhos de capitais, sem compromisso com a distribuição de riqueza.



O PIB é uma conta errada, afirma o economista Ladislau Dowbor
Economista e professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Ladislau Dowbor é especialista em economia internacional e um grande defensor do chamado FIB – Felicidade Interna Bruta. Segundo o professor o PIB – Produto Interno Bruto não é mais um indicador adequado para medição de riqueza de um país. “O PIB não mede os resultados para nós, [ele] não mede, por exemplo, a saúde. Ele mede quanto de esforço estamos despendendo, então não mede a produtividade desses recursos”, comenta.



PROFESSOR LADISLAU DOWBOR


Ladislau Dowbor







Introdução do livro:

Todos temos as nossas crises prediletas. São as crises dos valores, das pandemias, da demografi a, da economia, da energia, da especulação financeira, da educação, da pasteurização cultural, de identidades, da banalização da vida, da miséria que explode no mundo, da falta de água que já atinge mais de um bilhão de pessoas. A questão não é mais escolher a crise que nos pareça mais ameaçadora. A verdadeira ameaça vem de uma convergência impressionante de tendências críticas, da sinergia de um conjunto de comportamentos até compreensíveis, mas profundamente irresponsáveis e frequentemente criminosos, que assolam nossa pequena espaçonave.
O objetivo geral aqui não é fazer um muro das lamentações ou um elenco das nossas desgraças. O ser humano de hoje não é significativamente melhor nem pior do que foram as gerações que nos precederam. O central é que as instituições que nos regem, as regras do jogo da sociedade, tanto podem nos levar a dinâmicas extremamente positivas – por exemplo a fase da social-democracia
entre 1945 e 1975 nos chamados países desenvolvidos – como pode nos jogar em conflitos absurdos e destrutivos, por mais tecnologia, conhecimento e riqueza que tenhamos.
O caos que progressivamente se instala no mundo está diretamente ligado ao esgotamento de um conjunto de instituições que já não respondem às nossas necessidades de convívio produtivo e civilizado. Criou-se um hiato profundo entre os nossos avanços tecnológicos,
que foram e continuam sendo espetaculares, e a nossa capacidade de convívio civilizado, que se estagna ou até regride.
Trata-se de uma disritmia sistêmica, um desajuste nos tempos. Este desafio tem sido corretamente conceituado como crise civilizatória.
Faz parte também desta crise civilizatória o desajuste nos espaços. A economia se globalizou, com corporações transnacionais e gigantes financeiros operando em escala mundial, enquanto os governos continuam sendo em grande parte nacionais e impotentes frente aos fluxos econômicos dominantes. Os instrumentos políticos de regulação permanecem fragmentados em cerca de 200 países que constituem o nosso planeta político realmente existente. Com a desorganização que disso resulta,
populações inseguras buscam soluções migrando ou apoiando movimentos reacionários que julgávamos ultrapassados.
O mundo está claramente maduro para uma governança planetária, para que volte a haver um mínimo de coerência entre os espaços da economia e os espaços da política. Os fragmentos de governança global que surgiram com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC)
e semelhantes, ou ainda as reuniões ad hoc como as de um G8, G20 ou BRICS, claramente apontam para uma necessidade de repensar a articulação dos espaços e a geração de um sistema diferente de governança.

A política sendo o que é, a tendência mais geral é buscarmos os culpados, sejam eles à direita ou à esquerda. A mídia, que hoje penetra em quase todos os domicílios do planeta, saberá navegar nos ódios que se geram. Confirmar preconceitos rende mais, em pontos de audiência, do que explicitar os problemas. Isso nos leva a personalizar os problemas em vez de compreender as dinâmicas. Um pouco de bom senso sugere a busca de melhor compreensão do que está dando errado e de regras do jogo que nos permitam fazer o planeta funcionar.
Antes de tudo, precisamos com bom senso restabelecer o cuidado com o mau senso na política. De forma geral, política tem mais a ver com emoções, esperanças e temores do que com racionalidade. Hitler era um psicopata? Muito mais importante é entender como os grandes grupos econômicos o apoiaram, como mais da metade dos médicos alemães aderiu ao partido nazista e como a população finalmente votou e o elegeu. A eleição de um Donald Trump me preocupa como preocupa democratas em todo o planeta. Mais preocupante do que o personagem, no entanto, é o fato de uma nação rica, com tantas universidades e cultura pujante como os Estados Unidos o eleger. E as pessoas terem sido sensíveis aos seus argumentos, que afinal não eram argumentos, mas expressões emocionais, inseguranças e ódios com os quais elas puderam se identificar.
Uma governança que funcione não se constrói com ódios. Exige uma visão racional do que pode funcionar, inclusive levando em conta as irracionalidades. Vamos resolver o drama da desigualdade e das migrações construindo um muro? Um condomínio cercado chamado USA? A realidade é que o sistema herdado, o chamado neoliberalismo, já não cabe no mundo contemporâneo.
O mundo precisa reinventar os seus caminhos.
O presente livro articula diversas pesquisas que desenvolvi nos últimos anos, aqui ampliadas e reunidas sob uma visão sistêmica. Elas têm como denominador comum ou eixo norteador a busca da governança, de um processo decisório que funcione. Os dados desses estudos anteriores foram atualizados. Pesquisas, estudos e discussões atuais foram acrescentados. Vamos sucessivamente
caracterizar os desafios sistêmicos, delinear a nova arquitetura do poder na fase do capitalismo global, analisar os impactos geradores da financeirização para finalmente apresentar como este processo se materializou na crise brasileira mais recente. Um reparo relativamente à confiabilidade da nossa análise.
A área econômica é, hoje, tão vinculada com a política – por sua vez profundamente enraizada nas nossas emoções, heranças familiares, ódios corporativos ou o que seja – , que a informação científica é frequentemente rejeitada em bloco por simples convicção de que se trata de informação inimiga. Este tratamento tribal da análise permite que nos Estados Unidos por exemplo, os democratas considerem o problema climático como real enquanto os republicanos consideram que é uma invenção sem fundamento. Os republicanos seriam menos científicos? Como pode a ciência ser filtrada desta maneira por emoções políticas e por identificações de clãs? A realidade é que é tão fácil considerar racional e científico aquilo que confirma os nossos preconceitos. Não somos naturalmente objetivos. E isso me preocupa.
Duas precauções: primeiro tomei o cuidado neste trabalho de apontar, o mais rigorosamente possível, as fontes primárias das informações. Ou seja, não trabalho com comentários de um jornal que favoreça minha opinião, mas com a fonte primária da instituição que elaborou as estatísticas e que, portanto, tem de responder perante outras instituições de pesquisa. Além disso, cada informação
aqui está apresentada junto com o link que permite ao leitor verificar na fonte a exatidão ou não dos dados mencionados.
Há tempos organizei na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) um curso sobre Fontes Primárias de Informação Econômica, tentando reforçar a capacidade dos futuros economistas trabalharem com dados mais do que com opiniões. Pensar, como se sabe, é trabalhoso. Muitos preferem ter opinião.
Segundo, na medida do possível, busco a objetividade. Isto é escorregadio: como todos nós, tendo a achar mais objetivo o que me convence ou reforça a minha visão. Com os anos, aprendi a importância de prestar atenção aos dados que destoam da minha visão: claramente trata-se de algo que necessita ser checado. Talvez a leitura mais genial nesta área seja o pequeno livro de Gunnar Myrdal, A Objetividade na Pesquisa Social. Antigo, mas excelente. Basicamente, ele mostra que melhor do que pretender apresentar “apenas os fatos” é declarar logo de início nossas convicções e valores, porque isso ajuda muito o leitor a se situar. Livro antigo e muito disponível na nossa biblioteca de emergência que é a Estante Virtual. O que são minhas convicções? O motor que me move é uma profunda indignação. Hoje 800 milhões de pessoas passam fome, não por culpa delas, mas por culpa de um sistema de alocação de recursos sobre o qual elas não têm nenhuma influência. A impotência
de não poder prover o alimento ao filho é um sentimento terrível. Milhões de crianças morrem todo ano. Ao dia, cerca de cinco vezes mais do que as vítimas nas Torres de Nova Iorque. A injustiça tão presente e a empáfia dos ricos que ostentam o seu sucesso sem ver as desgraças que reproduzem, francamente, me deixam puto da vida. Por isso, a minha motivação mais poderosa é entender o “porquê”, os mecanismos, as alternativas. Até porque eu ficar puto da vida não resolverá grande coisa. É relativamente fácil apontar os culpados e esperar que eles desapareçam. Mas eles não vão desaparecer, porque o problema não está apenas nas pessoas e sim no sistema, na forma de organização social, no processo decisório que impera numa sociedade, a chamada governança. Na minha convicção, os caminhos estão na construção de uma sociedade mais esclarecida, com governos
e empresas legalmente obrigados a funcionar de maneira mais transparente, com sistemas de gestão mais descentralizados e comunidades mais participativas. Em suma, sociedades mais democráticas. Para quem já leu os livros anteriores que escrevi como A Reprodução Social, Democracia Econômica, O Mosaico Partido ou O Pão Nosso de Cada Dia, ficará clara a minha visão
propositiva. De nada adianta gritar e odiar. Precisamos pensar de maneira organizada como se tomam as decisões no sistema atual e quais alternativas se abrem, nesta era de tanta tecnologia e tanta riqueza mal aproveitadas.
O último ponto desta introdução, a minha trajetória. Trabalhando aos vinte e poucos anos de idade no Jornal do Commercio do Recife, ainda nos anos 1960, fiquei abismado com o nível de riqueza e opulência por um lado, e de miséria e truculência por outro. Não há ciência, não há religião, não há ética que justifiquem isso. Decidi estudar economia para tentar entender como podia se manter tanta barbárie e primitivismo e como, ao mesmo tempo, essa situação podia ser apresentada como se fosse natural. A partir daí começaram meus problemas. Lutei contra a ditadura porque achava - e acho - que lutar contra uma ditadura não é só legítimo, é um dever. Exilado, fiz mestrado e doutorado na Polônia socialista, terra dos meus pais. Ali me dei conta das bobagens que se escrevia sobre o socialismo. De certa forma, parei de acreditar nos “ismos” de qualquer gênero e passei a buscar o que funciona.
Ensinei economia do desenvolvimento e finanças públicas na Universidade de Coimbra, depois trabalhei sete anos em diversos países da África, no quadro das Nações Unidas, vínculo profissional que me permitiu avaliar situações econômicas e sociais também na Ásia e em diversos países da América Latina. Passei a acreditar menos ainda em “ismos” e a buscar, cada vez mais, o
que efetivamente funciona: um tipo de pragmatismo civilizado pela convicção de que não basta que funcione apenas para as elites. Determinadas coisas não podem faltar para ninguém.
O travamento ideológico, na falta de poder refutar argumentos, tende a refutar a pessoa. É mais fácil. Francamente, eu poderia dizer que não é meu problema. Mas como sei que não haverá soluções se não se ampliar fortemente o número de pessoas que entendem o que está acontecendo, continuo teimoso e sigo organizando e disseminando informação, da forma mais clara possível. E da forma mais honesta que consigo.
Já nos anos 1990, quando a então primeira-dama e antropóloga Ruth Cardoso me pediu para ajudar com a Comunidade Solidária, ajudei durante quatro anos sem remuneração. Na esquerda me criticaram, diziam que eu estava “dormindo com o inimigo”. Hoje, tenho como evidente que a política redistributiva e de inclusão dos governos Lula, que apoiei fortemente, constitui um caminho
importante, ainda que com limitações estruturais que apresento no texto que se segue. Na direita me criticaram, diziam que sou “petista”, o que aparentemente é mais fácil do que enfrentar os argumentos e raciocinar sobre os nossos desafios reais. Peço que me poupem. Eu sou apenas corintiano, o que nem sempre é fácil. Tenho três quartos de século, dirigi ministérios
econômicos em diversos países, fui consultor do Secretário Geral da ONU, tenho mais de quarenta livros escritos. Meu problema não é agitar uma bandeira ideológica ou bater panelas que só ecoam desinformação. Eu apenas faço a lição de casa: leio, estudo, ensino e escrevo. Aproveite.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Ciro Gomes estreia programa no seu Canal no YouTube.

Atualizarei aqui os próximos vídeos desse novo programa do canal do Ciro Gomes.


Ciência: Ciro Gomes conversa com Ildeu de Castro Moreira


Ciro Gomes conversa com Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), sobre Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação.
Compartilhe!


Mais sobre Ciro Gomes:


terça-feira, 7 de maio de 2019

O Processo - Documentário de Maria Augusta Ramos


Atualizado o Post 


com esse filme/documentário


O Processo





O documentário acompanha a crise política que afeta o Brasil desde 2013 sem nenhum tipo de abordagem direta, como entrevistas ou intervenções nos acontecimentos. A diretora Maria Augusta Ramos passou meses no Planalto e no Congresso Nacional captando imagens sobre votações e discussões que culminaram com a destituição da presidenta Dilma Rousseff do cargo.



Ao passar meses nos bastidores do Congresso Nacional, acompanhando ao vivo os trâmites que levaram ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a cineasta Maria Augusta Ramos assumiu um grande risco. Primeiro, por ser impossível o distanciamento em relação ao tema, e por não saber onde a história se concluiria. Afinal, os eventos de 2016 trazem consequências no Brasil até hoje, e as imagens daquela época adquiriram novo significado em 2018, com Michel Temer no poder, às vésperas de uma nova eleição presidencial (pelo menos, assim se espera). Existe uma diferença fundamental no ato de assistir hoje àqueles eventos captados “ao vivo”, conhecendo muito bem o desenlace.

Além disso, no momento polarizado que o país atravessa desde 2013, o projeto será facilmente instrumentalizado por uma parcela do público, que vai considerá-lo genial ou execrável apenas por seu posicionamento político. Este pode se tornar facilmente o “filme da Dilma”, embora discuta um sistema que ultrapassa amplamente a figura da ex-presidenta. Ou seja, ele pode efetuar um grande esforço de comunicação para pessoas que não estão interessadas em dialogar. É possível, no caso de filmes como este especificamente, pregar para convertidos, conversar apenas com as pessoas que já compartilham da tese de que o julgamento constituiu um golpe parlamentar concebido como retaliação pelas medidas de Dilma contrárias a grandes nomes do poder.




 

É importante avisar que Dilma Rousseff não é a personagem principal de O Processo. Figuras políticas como José Eduardo Cardozo, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Janaína Paschoal, por exemplo, ocupam muito mais tempo de tela. Deste modo, Maria Augusta Ramos impede que o filme gire em torno de uma única personalidade. O roteiro dá um passo atrás e decide estudar o estado da nossa configuração política atual, para compreender de que maneira os eventos de 2016 puderam se produzir. Dilma é a conclusão de um mecanismo, não o seu meio. Antes disso, é preciso compreender a Lava Jato, a queda de Eduardo Cunha, o “grande pacto nacional, com o Supremo, com tudo”, o papel desempenhado por Aécio Neves, a pressão de Michel Temer, os votos dos congressistas “em nome da família, da minha esposa e do meu time de futebol” e muitos outros fatores. Estes episódios desfilam em tela, em ordem cronológica, com letreiros informativos.

A diretora não facilita a vida do espectador. Com 137 minutos de duração, o projeto é extenso, verborrágico, repleto de termos técnicos e jurídicos. Ao invés de se concentrar na histeria coletiva das ruas ou na condenação prévia da mídia hegemônica, Maria Augusta Ramos permanece nos corredores do Senado, escutando ambos os lados, vendo cada equipe discutir embargos infringentes, metas orçamentárias, emendas parlamentares, ajustes fiscais, porcentagens, datas, interpretações de leis etc. Não há cartelas com o nome dos políticos nem seus partidos: supõe-se que o espectador já conheça o posicionamento de Anastasia, Lewandowski, Kátia Abreu, Jandira Feghali, Requião, Rodrigo Maia etc.

O andamento é frio e racional: O Processo tenta desmontar um a um os argumentos legais apresentados para a destituição da presidenta. A própria Janaína Paschoal, fervorosa porta-voz da oposição, afirma que Dilma cairia pela vontade das ruas, e não pelas leis. O documentário visa demonstrar que, pelo ponto de vista jurídico, não houve crime de responsabilidade e, portanto, não houve motivo para o impeachment. Com o acúmulo de discussões, são raros os momentos de respiro além de cortes secos para uma tela preta, ou curtos inserts dos arredores do Planalto pela manhã.





 

A cineasta não busca grandes sacadas de montagem, nem a criação de efeitos poéticos, metafóricos, ou ainda a captação de imagens externas ao universo político. O espectador fica focado da primeira à última cena nos mesmos personagens, os mesmos corredores, criando uma exaustão pertinente ao circo de absurdos. A propósito, um político evoca “O Processo”, de Franz Kafka, no qual o personagem principal também é condenado sem crimes, num julgamento orquestrado e sem possibilidade de defesa justa.

Com este projeto, Maria Augusta Ramos não traz revelações bombásticas sobre os bastidores da política nacional, nem apresenta imagens esteticamente deslumbrantes. Sua preocupação se encontra na articulação de uma quantidade imensa de informações de modo lógico, claro, e capaz de retratar ambos os lados sem caricaturar a oposição – embora tenha um posicionamento crítico evidente. Este é um cinema político assumido como tal, de vocação progressiva, libertária, de esquerda. Acima de tudo, é um cinema que acredita no valor da argumentação, elemento cada vez mais raro na sociedade e na mídia atualmente.

Filme visto no 68º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2018.





Dirigido por Maria Augusta Ramos.
Assistir a O Processo é reviver um pesadelo – ou uma série deles. Dirigido por Maria Augusta Ramos, o documentário é um trabalho que, como os anteriores da cineasta (a excelente trilogia sobre a Justiça brasileira e o ótimo Futuro Junho), evita a editorialização excessiva, buscando retratar com o menor número possível de intromissões toda a trajetória legal do “impeachment” no Senado, desde o recebimento da denúncia vinda da Câmara dos Deputados até a votação final que removeu a presidenta Dilma Rousseff do cargo. Neste sentido, uma diretora com o estilo de Ramos representa a opção ideal para o projeto, que já traz muitos discursos dos personagens (de ambos os lados) para ter que incluir também os da cineasta.
Aliás, é um reflexo da polarização absoluta do Brasil contemporâneo que só o fato de eu ter escrito “presidenta” e colocado “impeachment” entre aspas seja o suficiente para que qualquer um saiba imediatamente minha posição sobre os eventos retratados no filme – e, portanto, não creio que O Processo vá mudar muitas mentes, o que é resultado direto do esforço por objetividade feito pela realizadora (a projeção tem início com o “muro” construído em Brasília para separar manifestantes pró e anti-Dilma e que já gerou seu próprio documentário, o ótimo O Muro). Sim, os fatos estão no filme e são inegáveis, mas se há algo em que o Brasil vem se especializando é a negação da realidade, que transforma a perda de direitos em “avanços” e uma intervenção militar em um estado em “agenda alternativa de segurança”. Assim, talvez O Processo seja, em essência, uma obra para consumo externo, uma apresentação para a comunidade internacional de um rito que, disfarçado como algo legítimo, tinha um objetivo meramente político de remover um governo eleito democraticamente.
(Não acho que seja absurdo supor que acabei de perder uns 40% dos leitores que já tinham chegado até o fim do parágrafo anterior sem gritar “comunista maldito” e socar a tela do computador ou do dispositivo móvel; portanto, um abraço revolucionário mortadelístico bolivariano para os que seguem a leitura.)
Enriquecida pelo acesso obtido por Ramos aos bastidores do julgamento, o documentário leva o público para as reuniões nas quais os senadores que atuavam em defesa de Dilma discutiam e traçavam suas estratégias e argumentações, estudando os pontos da acusação e rebatendo-os articuladamente. Não que tivessem qualquer ilusão quanto ao desfecho do processo – fica claro, no filme, que os esquerdistas sabiam (como todos sabíamos) que “culpa” não era algo com o qual os julgadores se encontravam preocupados. Ainda assim, é com choque e frustração que figuras como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias recebem as decisões arbitrárias da comissão presidida por Raimundo Lira que impedem sem quaisquer disfarces que a defesa possa ser exercida de forma plena.
Ciente de que os detalhes do julgamento provavelmente não chegaram à maior parte da população, a diretora emprega um bom tempo do filme para explicar o que eram as tais “pedaladas” e como, essencialmente, a justificativa para depor Dilma vieram de três decretos de crédito suplementar – e, até para equilibrar um pouco a narrativa, Ramos inclui imagens do Cássio Cunha Lima (PSDB) detalhando para a imprensa as acusações. Aliás, O Processo traz imagens de arquivo de elementos como Eduardo Cunha, Romero Jucá, Álvaro Dias e, claro, Aécio Neves, sendo interessante notar como, por outro lado, Michel Temer permanece fora da tela, refletindo sua atuação nos bastidores do rito. (Vale apontar, também, que a maior parte dos senadores da direita se recusou a dar acesso à equipe do filme.) Do mesmo modo, Dilma também mal aparece – e, quando a vemos, são em instantes nos quais teve que se manifestar oficialmente sobre o processo, seja ao depor no Senado, seja ao discursar depois de derrubada – e, em seu lugar, Hoffmann, Farias e José Eduardo Cardozo assumem o centro da narrativa ao desempenharem papéis específicos: a primeira, como líder estratégica do grupo; o segundo, como o combatente mais ferrenho; e o terceiro, como o eloquente e inteligente responsável oficial pela defesa.
Sem jamais identificar os “personagens” com legendas e sem incluir entrevistas exclusivas (as que estão no filme foram concedidas a outros veículos), O Processo extrai seu nome da obra de Kafka por motivos patentes, já que a frustração provocada pelo absurdo de um sistema que acusa sem transparência, que impede a defesa de trabalhar e usa tecnicalidades para tentar condenar reflete todos os obstáculos enfrentados por Joseph K. naquele livro. Chega a ser motivo de piada, por exemplo, o espanto de Cardozo diante de argumentos estapafúrdios da acusação e de deturpações óbvias da lei (como considerar subsídios agrícolas como empréstimos). Aliás, por falar em piada, boa parte das risadas provocadas pelo longa – e na sessão em Berlim houve muitas – são originadas pelas ações da advogada Janaína Paschoal (como seus aquecimentos físicos antes do julgamento), por suas falas (como ao usar uma sessão do Senado para tirar satisfações pessoais) e por seus trejeitos e maneirismos. Curiosamente, um efeito interessante desta proximidade é tornar Paschoal uma figura quase simpática em função de suas excentricidades – e eu não ficaria espantado caso ela aprove a maneira como é retratada por Ramos.
Enquanto isso, a montagem de Karen Akerman, além de organizar a quantidade absurda de material em uma forma didática e elucidativa, inclui sequências que funcionam quase como vinhetas que permitem uma pausa no excesso de informações, mostrando, em planos gerais, o cotidiano de Brasília (e ilustrando, com isso, como a vida seguia normal para boa parte da população). Em contrapartida, os momentos nos quais apenas seguimos senadores ou Cardozo em carros ou enquanto caminham acabam quebrando um pouco o ritmo da projeção, o que é uma pena, mas também um pecado menor.
Revelando uma Dilma que, mesmo na posição de acusada, revela mais serenidade do que seus algozes, O Processotermina apropriadamente com uma literal cortina de fumaça, que funciona como lembrança dos conflitos que dominaram o país nos últimos anos e do verdadeiro propósito do “impeachment”: permitir, no caos que dominou a sociedade (e comprovando pela enésima vez o que Naomi Klein escreveu em seu “A Doutrina do Choque”), “reformas” que levam mais a quem tem tudo e tiram de quem já pouco tinha. Esta imagem, aliás, é a única que realmente se apresenta como uma posição editorial sem ambiguidades.
No restante do tempo, quem faz a editorialização de O Processo é a História.
Texto originalmente publicado como parte da cobertura do Festival de Berlim 2018.

22 de Fevereiro de 2018





Para uma parte imensa da população brasileira, o debate sobre o golpe de estado de 2016 e o processo de desagregação social aberto como consequência deste está completamente interditado pelo oligopólio midiático. Em alguns raros momentos, seja nas discussões sobre os ataques ao colchão de proteção social construído desde 1930, seja nos debates sobre a resolução da crise política, as vozes dissonantes que se opõem ao modelo de sociedade que vem sendo colocado em prática a toque de caixa desde agosto de 2016 encontram brechas. Sem dúvida alguma o maior desses “chapéus” dados sobre o oligopólio midiático foi o desfile da Paraíso do Tuiuti, quando por cerca de uma hora o desmonte da CLT foi duramente atacado em um dos programas de maior audiência da televisão brasileira. O documentário O processo (2018), dirigido por Maria Augusta Ramos, com algum tipo de mediação, pode ser comparado ao desfile da escola de samba. Em certo sentido, o filme é um grito de “Pera aí! Não foi bem assim!”. Isto se o documentário conseguir romper os curtos circuitos da distribuição comercial (o filme entrou em cartaz no dia 17 de maio).
Montado de maneira simples, sem grandes artifícios e com uma narrativa cronológica, Maria Augusta Ramos aponta sua câmera para os senadores do PT e os acompanha da abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados até o seu desfecho em 31 de agosto de 2016. Em uma das primeiras reuniões filmadas pela documentarista, o grupo admite claramente ser este “um jogo de cartas marcadas”, sendo sua função apenas a de tentar deslegitimar e desgastar politicamente o processo, missão que o documentário assume com muita competência. Extremamente didático em relação às enfadonhas discussões sobre pedaladas fiscais, o filme explica claramente o que ninguém conseguiu ou teve espaço de explicar: não foram as manobras fiscais que derrubaram a presidenta. O processo (o concreto, não o filme) foi um mero ritual, uma mera formalidade para a concreção de algo mais brutal.
E brutais são os personagens. De ambos os lados. Livre das blindagens e maquiagens midiáticas, os perpetradores do impeachment ganham outra dimensão. As performances ao longo das sessões de Antônio Anastasia, Cássio Cunha Lima, Janaína Paschoal, o balbuciante Aloysio Nunes Ferreira e grande elenco, comprovam, como afirmou o professor Marcos Nobre em recente entrevista, um dos aspectos mais nefastos da crise política em que nos enfiamos: a tentativa desesperada de atores irrelevantes se transformarem em relevantes. Sob essa perspectiva, a de “empoderamento dos irrelevantes”, a verdade é que o processo (o filme e o concreto) acabaram quase que por osmose dando relevância a tantos outros irrelevantes. Gleise Hoffman, Lindberg Farias e José Eduardo Cardozo ganham uma grandeza que não têm. É irresistível – e em certos aspectos deprimente, sob qualquer perspectiva – comparar o estado maior petista de O processo com aquele de Entreatos(2004), de João Moreira Salles. Gilberto Carvalho, um dos sobreviventes doEntreatos, tem no novo documentário uma importante participação, ao elaborar uma autocrítica – mais para um mea-culpa – feita sob medida para muitos grupos críticos aos governos do PT, mas que se organizaram nas ruas para tentar influir no processo (concreto). O simpático aceno de Gilberto Carvalho vem tarde. A rua, local onde o PT se construiu, foi negligenciada, quando não combatida pelo partido, desde o Entreatos. E a rua foi conscientemente deixada de lado durante o processo (concreto), apesar dos apelos da senadora Fátima Bezerra. Só restou o “jogo de cartas marcadas”, quando o vaidoso José Eduardo Cardozo se ilude ao acreditar que está expondo a ilusão da legalidade do processo (mais uma vez o concreto). A contradição entre forma e conteúdo é escandalosa para o professor de direito que não passa de um idiot savant.
Segundo Michel Vovelle, a fé cega dos constitucionalistas do regime do Diretório inaugurado no ano III da Revolução Francesa (1795) no equilíbrio entre os diversos poderes da república fez com que estes notáveis burgueses negligenciassem qualquer recurso para o caso de um conflito insolúvel entre os poderes Executivo e Legislativo. Por outro lado, alguns contemporâneos – menos ingênuos que os defensores da versão montesquiana da mão invisível equilibristas – chegaram a se perguntar se o golpe de estado não era a única solução concreta para consecução do ideal equilíbrio dos poderes. O processo (o concreto e o filme) expõe de maneira melancólica o preço pago pela ingenuidade do Partido dos Trabalhadores de acreditar na mão invisível e impessoal que regularia as relações políticas da República. Desdobramento quase óbvio da crença na possibilidade de minorar as desigualdades sociais fundamentais do país sob a égide da mão invisível do mercado.

*Fernando Sarti Ferreira é doutorando do programa de História Econômica da Universidade de São Paulo.



segunda-feira, 6 de maio de 2019

No governo Bolsonaro eu fiquei rico!!!

Trecho da PEC 6/2019 - Reforma da previdência de Jair Bolsonaro vulgo Paulo Guedes:

50. Ricos tendem a se aposentar mais cedo e com maiores valores. Em geral, em especial
no setor urbano, os trabalhadores socialmente mais favorecidos (maior renda, formalidade,
estabilidade ao longo da vida laboral e melhores condições de trabalho) tendem a se
aposentar por tempo de contribuição. Isto é, sem idade mínima, com idade média de 54,6
54 anos em 2018, tendo expectativa de recebimento do benefício de 27,2 anos, e com valor
médio de cerca de R$ 2.231,00.





terça-feira, 30 de abril de 2019

Observatório trabalhista.






http://pdt.org.br/pdtdigital/videos/observatorio-trabalhista-brasilligadocomciro/

Nosso objetivo é gerar informação apurada para a imprensa e, principalmente, para o povo brasileiro.
Sobre o Observatório Trabalhista:

Plataforma de Avaliação do Governo. Ferramenta colaborativa onde todos podem participar sugerindo indicadores e soluções para o país. Indicadores trimestrais de Economia, Saúde, Segurança, Educação, Cultura, entre outros. Avanço no debate da política e do desenvolvimento do Brasil.








https://youtu.be/ZVvb7O75LRY?list=PLA-TkbJQyqkhI7wXPR5kIIA1F5Z4iThqO



CIRO GOMES ANALISA OS 100 DIAS DE GOV. BOLSONARO [11/04/2019]




Ciro Gomes na Faculdade de Direito de Contagem-MG (12/04/2019)




CIRO GOMES NA FGV [16/04/2019]


Brasil presente - Ciro Gomes (Compilado) - Rio de Janeiro, 15-4-2019



Ciro Gomes no Encontro Regional dos Estudantes de Economia (18/04/2019)




FDCON - Palestra de Ciro Gomes sobre A reforma da Previdência


Ciro Gomes na UFMG (12/04/2019)


CIRO GOMES - Entrevista à Sputnik Brasil


Centenário De Jango

http://www.pdt.org.br/index.php/category/centenario-de-jango/


Nossa História de lutas
http://www.pdt.org.br/index.php/o-pdt/historia/






Manoel Dias diz que PDT vê Observatório da Democracia como inédito para conter retrocessos



Por Walter Santos
O lançamento do “Observatório da Democracia” no próximo dia 31, em Brasília, consolidará processo inédito na articulação político-partidária do Brasil por inexistir algo semelhante. Foi o que afirmou o presidente da Fundação Leonel Brizola/Alberto Pasqualini, Manoel Dias, em entrevista exclusiva à Revista NORDESTE. Ele observou ainda: ” Os direitos dos trabalhadores e o patrimônio do povo brasileiro correm sérios riscos, assim como a nossa soberania nacional”, frisou.
Eis a entrevista na integra:
Revista NORDESTE – As fundações de estudos políticos de 7 partidos estão se articulando para lançar o OBSERVATÓRIO DA DEMOCRACIA, dia 31 de janeiro, em Brasília. O que significa esse movimento?
Manoel Dias – Significa uma experiência inédita no Brasil. Não há paralelo na história republicana brasileira de tal experimento. O resultado das eleições de 2018, com a direita mais reacionária em ascensão, exige das forças progressistas, além de uma avaliação profunda, um acompanhamento rigoroso. Os direitos dos trabalhadores e o patrimônio do povo brasileiro correm sérios riscos, assim como a nossa soberania nacional.
NORDESTE – Como o PDT trata a recomposição de forças para garantir o Estado Democrático de Direito?
Manoel Dias – O PDT tem em suas diretrizes e ao longo de sua história a marca de luta pela democracia, pela legalidade, pela educação, e pela soberania nacional.
NORDESTE – Onde os ideais passam por Brizola?
Manoel Dias – Assim como dizia, Leonel Brizola, viemos de longe. Entretanto, vale ressaltar que a Fundação Leonel Brizola- Alberto Pasqualini é um órgão de cooperação do partido e tem como missão formar quadros e lideranças políticas que compreendam o Trabalhismo – como uma corrente política transformadora – conectada aos setores populares e progressistas do Brasil e do mundo, tendo como princípios fundamentais: o nacionalismo, a democracia, a soberania nacional e o desenvolvimento econômico sustentável que criam a perspectiva da inclusão social e produtiva do conjunto da sociedade brasileira. Este é o sentido e o objetivo da nossa Fundação.
NORDESTE – De que forma e como o PDT se incorporou ao movimento?
Manoel Dias – Participamos desde 2017 deste debate, em conjunto com as demais Fundações. Foi lançado, em fevereiro de 2018, um documento que apontava para uma base de diálogo e convergência entre os setores sociais, econômicos, políticos e culturais para além das estratégias de cada partido, na disputa eleitoral daquele ano. Temos pontos norteadores e convergentes, dentro do campo progressista, em relação ao futuro do nosso país.
NORDESTE – O que o PDT proporá nesse movimento?
Manoel Dias – O PDT enquanto partido tem clara a sua missão. Tivemos uma candidatura a presidente que apresentou um Projeto Nacional de Desenvolvimento, onde Ciro Gomes liderou nosso partido com as nossas bandeiras. A FLB-AP, órgão de cooperação partidária, contribuirá com a análise crítica sobre os temas que serão abordados no Observatório da Democracia, sempre sob a nossa visão trabalhista, principalmente, na questão da Soberania Nacional.
NORDESTE – Como experiente líder, qual a projeção que o partido faz depois do lançamento do Observatório? Qual o papel fundamental dele?
Manoel Dias – Como uma experiência inédita temos a perspectiva de apresentar para o conjunto da sociedade brasileira e para os próprios partidos, uma análise apurada do governo que se inicia. Além de propor um amplo debate com a sociedade para que acumulemos a força necessária e resistirmos aos ataques contra os direitos do trabalhador e contra a Soberania Nacional.
NORDESTE – Este processo pode significar uma nova fase da política partidária?
Manoel Dias – Os partidos políticos têm suas ambições, suas bandeiras, e seus líderes. Evidente que a unidade das forças progressistas é fundamental, mas é preciso renunciar a luta do hegemonismo, e apresentar um projeto de transformações profundas em nossa sociedade.
NORDESTE – Como assim?
Manoel Dias – O Trabalhismo tem na sua história esta marca. Foi assim com Getúlio Vargas que deu direitos à classe trabalhadora, e inaugurou a industrialização brasileira.
Foi assim com Jango que ousou propor as reformas de base, tão contemporâneas, e por isso sofreu o golpe militar de 64.  Foi assim com Leonel Brizola, que através da educação libertária, de tempo integral, sonhou mudar as estruturas do nosso atraso.E agora com Ciro Gomes e um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Nós, trabalhistas, temos História. Nossas digitais estão nas principais conquistas sociais do nosso país, no nosso desenvolvimento industrial e na defesa da soberania.  Contribuiremos e estaremos sempre ao lado do povo brasileiro nas suas grandes lutas. Este é o nosso legado.