Magazine Luiza

domingo, 22 de outubro de 2017

Atualização do Post "In Memorian - Luis Carlos Cancellier"

Estou atualizando o Post
In Memorian - Luis Carlos Cancellier

Com esses artigos:



O doloroso caminho de um adeus

De Florianópolis | Por Hélio Rodak de Quadros Júnior
Decidi começar a escrever sobre estes dias tensos e intensos na universidade, sob o ponto de vista de alguém que foi um adversário político de Luiz Cancellier. Ao contrário de muitos amigos e familiares, as minhas histórias com o Cau eram permeadas por cotidianas disputas políticas, conflitos, competições, críticas ácidas e sutis provocações mútuas; tudo isso em meio a uma linguagem e conjunto de regras incompreensíveis à maior parte da comunidade universitária. Contudo, ao contrário das aparências, aquele mundo de disputas não tinha em si uma atmosfera de ódio e rancor. Era como um eterno clima de final de campeonato, onde o maior prazer era enfrentar um adversário à altura, que lhe fizesse uma goleada em um piscar de olhos caso você deixasse a defesa desprotegida.
Quem acompanhou mais de perto os bastidores da política UFSCiana sabe como era sensacional enfrentar as articulações que o Cau fazia. Ele era político, tinha tesão pela política e não tinha problema nenhum em se assumir como um ser político. Ao contrário de muitos docentes puritanos (aqueles que parecem tratar política como “coisa pecaminosa”, uma “mancha” na carreira acadêmica), o Cau parecia ter um ímã político em seu coração, uma coisa magnética com a política e essa vida universitária. Algo tão forte que cativava ele e uma série de outras pessoas ao seu redor.
Quem teve a honra de sentar-se à mesa com ele, numa noite no tradicional Bar do Silvinho, sabe como ele gostava de falar dessas coisas, e isso bem antes de ter chegado a discussão da eleição da Reitoria em 2015. Quando chegou a época da eleição da Reitoria, muitos o criticavam por ser um daqueles docentes que se misturavam com os alunos e os “servidores” (apelido clássico dado aos TAEs), sendo “flagrado” tomando uma cerveja ou fumando um cigarro com aquela gente. Cancellier parecia escandalizar uma série de docentes por não se encaixar naquela tradicional figura de um acadêmico distante do mundo e das pessoas. Talvez fosse difícil para muitos daqueles professores compreender que justamente uma das suas capacidades mais destacadas era esse dom de fazer do “comum” algo especial, e das pessoas comuns pessoas especiais.
Ele tinha este dom de não estourar, de se jogar no meio da fogueira e saber não entrar em chamas. Eu sempre combati essa coisa que ele chamava de “pacificação universitária”, de conversas discretas, conciliações. Minha pirotecnia textual nas redes sociais e as minhas ações “bombásticas” pareciam não fazer efeito ante a calmaria conduzida por este líder. Cancellier aparecia como o sereno sol a acalentar desamparados, e eu era como aquela tempestade indesejada, que chega de surpresa para estragar a festa alheia.
A morte de Cancellier me chegou como algo pesado, violento, impactante. Eu vi que muitos, assim como eu, tiveram uma certa dificuldade para falar, de externalizar sua dor. De modo discreto, sem querer dar alarde, eu chorei, e chorei muito, sentindo-me profundamente impotente. Eu era um adversário chato, uma pedra no seu sapato. Sobre os atos de sua Administração eu me movia a criticar, a protestar, a fazer textões pesados, a fazer piadas, brincadeiras…
De repente tudo isso desaparece, de modo discreto e rápido. A queda dentro de um shopping, no que seria mais um dia comum em Florianópolis. Olhei para a minha caneta, geralmente tão leve e fácil de manusear, parecia uma imensa pedra, imóvel. As linhas de meu caderno não conseguiam ser preenchidas, não havia mais o que dizer.
Em 2 de outubro, no meu setor de trabalho, meu chefe comunica que estávamos dispensados, que aquela segunda seria dia de luto e que voltaríamos nos próximos dias. No Hall da Reitoria uma imensidão de pessoas, a espera de alguma orientação do que viria ao longo do dia. Eu queria escrever, falar das coisas que eu já havia dito em outros textos, mas eu sabia que de nada adiantaria naquela hora: o Cau não veria os meus textos, ele não retornaria, não haveria mais nada que pudéssemos dizer um ao outro, nem que fosse para ele me cobrar que eu estava pegando no seu pé. Por mais difícil que me fosse admitir, uma parte de mim simplesmente havia perdido a sua razão de ser.
Eu olhava a multidão chegando para aguardar o velório, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que queriam bem o Cau. Vi uma série de jovens preparando as suas homenagens, inclusive uma oração indígena muito bonita. Quando o caixão chegou, a multidão formou um longo corredor para receber o Reitor, que entraria na Reitoria pela porta da frente. Naquela tarde, mesmo sabendo que não era permitido àquele professor pisar no campus por ordem da Justiça, garantiu-se que ele pisaria no campus e ocuparia um lugar de honra. Ainda que de uma forma simbólica, Cancellier era reintegrado à casa da qual ele fora banido por força da Lei, e acolhido nos braços da comunidade universitária com a qual fora proibido de conviver. Ali se manifestava um autêntico gesto de autonomia universitária: independente do que impusesse a força da Lei, um professor que não fosse julgado e condenado não poderia ser privado de pisar na casa onde leciona, e menos ainda de ter contato com as pessoas que dão sentido ao seu ofício de educador.
Na manhã do dia seguinte, terça, 3, outro autêntico gesto de autonomia. A UFSC convocava seu Conselho Universitário para uma sessão aberta, aos moldes de um ato civil e político. Naquela sessão solene, lotada no Centro de Eventos, falou-se abertamente sobre o espetáculo midiático, sobre as mãos invisíveis que empurram uma vida, sobre os medos que temos, sobre o ódio manifesto nas redes sociais e nos jornais, sobre os abusos da Lei, sobre a pátria violentada, sobre as prisões injustas e as condenações antecipadas. Naquela manhã falamos publicamente que o país vai mal, que as universidades públicas estão sendo desqualificadas, que vivemos sob um Estado Policial, que as polícias também matam, que é preciso viver o luto e que também é preciso lutar. Falamos em enfrentar ditaduras, falamos em fazer grandes assembleias, em defender a universidade pública. Falamos em combater novos “Hitlers” ou novos “Mussolinis”.
Tomando como referência aquela sessão tímida e acuada do Conselho Universitário em 26 de setembro, quando a UFSC parecia se orgulhar de “nada fazer” em relação ao banimento de seu Reitor; algo cresceu nessa comunidade naquele dia 3 de outubro. O posicionamento de apoio a Cancellier chegou tardiamente, isso é fato. E também é fato que o gesto de Cancellier despertou em uma comunidade coragem para estabelecer certos limites e para defender certas causas. Em toda a minha participação nesta casa desde 2003, não me recordo de ter visto uma sessão do Conselho Universitário com tamanha envergadura política.
Ainda naquele mesmo dia 3, após a sessão pública do Conselho, realizou-se uma carreata até o Cemitério Jardim da Paz, que ficou lotado para o enterro e a última despedida de Cancellier. Uma série de pessoas compareceu, desde as pessoas mais humildes até as grandes autoridades do Estado. Depois do caixão ter sido enterrado, uma pequena montanha de coroas de flores é construída sobre aquele pedaço de chão que selava o corpo do Reitor.
Era difícil dizer adeus, bem como era quase impossível acreditar que aquilo tudo estava acontecendo. Não adiantaria mais fazer um piquete ou protesto em frente ao gabinete, ele não estaria lá. Não adiantaria um textão criticando “n” coisas da Reitoria, soaria como mero monólogo, uma carta que não chegaria ao seu destinatário. Ele não estaria mais nos corredores da UFSC e tampouco no Bar do Silvinho.
Nos dias que se seguiram, era uma sensação estranha, um caminhar sem rumo pelo campus na expectativa de que algo acontecesse. Acho que nunca conversei com tanta gente nestes últimos dias sobre um mesmo assunto, e fiquei impressionado com a minha incapacidade de publicar algo neste período. Fiquei com medo de dizer algo que não devesse, fiquei com medo de começar a escrever e voltar à memória toda aquela sensação de impotência. Talvez eu devesse ter dito algo, mas o fato é que eu simplesmente não consegui, e não tenho problemas em reconhecer isso.
Por mais estranho que fosse isso tudo, depois daquele duro adeus e dias em que eu fiquei imóvel, eu tentei praticar um pouco daquilo que o Cau tentou me ensinar sobre momentos delicados na UFSC, essa coisa complexa do “diálogo”: sem pretender convencer os outros de meu ponto de vista, procurei por em prática essa coisa de conversar, tanto com aqueles com quem tenho grande amizade até aqueles com quem tive uma série de brigas no passado. E me dei conta de que isso foi muito importante.
Ao tentar praticar esta lição do Cau, descobri que não era apenas eu que me sentia tomado por essa sensação de impotência e que tinha uma dificuldade de dizer que a perda do Cau era uma dor muito profunda. Na medida que eu me permiti conhecer outras pessoas e compartilhar com elas essas dores, fiquei impressionado com o tamanho do preconceito que eu tinha com muitas delas. Era como se eu nunca tivesse me permitido sair dessa pose de “crítico foda”, quando no fundo eu simplesmente era incapaz de assumir as minhas próprias fraquezas e limitações. Criticar o trabalho alheio, eu reconheço, sempre foi mais fácil do que trabalhar a minha própria ação.
Talvez eu pudesse ter feito algo no passado que mudasse o desfecho desta história, e eu sei melhor do que ninguém o que é carregar para o resto da vida essa dúvida e a sensação de que em minhas mãos está parte do “sangue” daquele que foi um dos meus maiores adversários políticos na UFSC. Sem rodeios, eu vejo que eu me encaixaria naquela descrição das “mãos invisíveis” que ajudaram a “empurrar” o Cau, ou daquelas que nada fizeram para impedir que isso ocorresse.
Contudo, e acho que esta é a parte em que devo dar o braço a torcer e reconhecer que o Cau tinha razão: a prática desse tal de “diálogo” foi crucial para eu não ter sido consumido por minhas próprias inquietações, delírios e remorsos. Ao longo destes dias pesados, encontrei uma série de pessoas tomadas por uma sensação semelhante, como se nós não tivéssemos feito tudo o que estava ao nosso alcance para ter evitado a tragédia de 2 de outubro. Ao contrário dos meus medos mais infundados, como o de que falar sobre as minhas dores com os outros seria algo ruim, percebi que quanto mais eu compartilhei esta “ferida aberta” com os outros, assim como os outros compartilharam isso comigo, percebi que mais leve e suportável se tornou esse fardo de caminhar, de seguir em frente.
Talvez o Cau soubesse melhor do que ninguém das insuficiências e limitações da comunidade universitária em assuntos como esse, e uma das coisas que mais me admirou foi a sua persistência de encorajá-la ao longo de todo esse tempo em que foi Reitor. Cau pode ter tido lá as suas contradições, mas sua ação cotidiana encorajou uma série de pessoas simples e comuns a assumirem novas responsabilidades. Falo de pessoas as quais eu, no alto de minha arrogância e estrelismo político, por diversas vezes tomei como “caso perdido”. Cau, por outro lado, agregou estas pessoas e as engajou, cativou-lhes e incutiu-lhes vontade e ambição – mostrando o quanto eu estava errado e carregado de preconceitos. Na ação de Cau, o lema “A UFSC pode mais” não se tratava de mero slogan, era a síntese programática de uma liderança política que colocou sua ambição e sua determinação em curso. Uma liderança que faz muita falta, uma pessoa cuja falta é sentida profundamente até mesmo pelos seus adversários.


==============================================================

#EXCLUSIVO | Descoberta ficha confidencial de reitor morto em arquivos da repressão
Quando jovem, ele sobreviveu ao golpe militar, ao episódio da Novembrada, às perseguições políticas da ditadura militar contra estudantes e opositores dos partidos clandestinos. Mas não conseguiu sobreviver à...



Quando jovem, ele sobreviveu ao golpe militar, ao episódio da Novembrada, às perseguições políticas da ditadura militar contra estudantes e opositores dos partidos clandestinos. Mas não conseguiu sobreviver à fúria dos liberais que tomaram o poder no Brasil, nem ao regime de exceção disfarçado que sorrateiramente suprimiu o Estado Democrático e de Direito. Gentil e conciliador, Luiz Carlos Cancellier perdeu a radicalidade da juventude e apostou numa política de gestão de consenso, que pretendia fazer aliança de todas as tendências em prol de uma universidade desenvolvimentista. E foi nessa fase mais de centro de sua vida republicana que ele pior sentiu os horrores da supressão das liberdades e do uso da justiça como instrumento de difamação e de repressão.

Em dezembro passado, o estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, Mateus Bandeira Vargas, defendeu um Trabalho de Conclusão de Curso sobre os impactos da ditadura militar na universidade, publicado em forma de livro sob o título “Dossiê UFSC; as ações da ditadura na Universidade Federal de Santa Catarina”. Nessas pesquisas, Mateus descobriu no Arquivo Público de São Paulo um fichamento político do reitor na Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, datado de 1981. Segundo a espionagem, Cao apresentava “tendências de esquerda em todas as suas atividades” desde que ingressou no Curso de Direito da UFSC. Registra como atividade suspeita a entrevista feita por Cancellier, já como jornalista de “O Estado”, a Salomão Malina, último secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro antes da cisão que deu origem ao Partido Popular Socialista (PPS), ao qual o reitor passou a pertencer.
O enquadramento repressivo do reitor aparece junto com outros fichamentos, como o do cartunista Sérgio Bonzon, do extinto jornal “O Estado” e membro do conselho editorial do jornal alternativo “Afinal”, também extinto. Consta ainda a delação de Roberto João Motta, advogado e professor da UFSC já falecido, preso em 1975 pela Operação Barriga Verde, que atuou na defesa dos estudantes presos na Novembrada. A lista dos arapongas que vasculharam a vida de milhares de cidadãos brasileiros cita ainda Márcia Denise Jakimiu, na época estudante de Medicina, que segundo a “deduragem”, participou de Congresso da UNE e atuou no movimento grevista de professores universitários. O relatório cita todos como pertencentes ao Partido Comunista Brasileiro e traz anexadas também fotos dos caguetados em reuniões e manifestações públicas, tiradas por agentes dos órgãos de segurança.
Como mostra o livro, as delações não param por aí: um braço do SNI dentro da universidade atuava também na perseguição de estudantes, professores e servidores que participavam de movimentos sociais. Conta Mateus, no capítulo referente à presença de Prestes na UFSC:
“Em maio de 1983, Luiz Carlos Prestes participou de cerimônia na UFSC pelo centenário de Karl Marx. Os passos do gaúcho que cruzou o país com a sua coluna contra a República Velha foram acompanhados por órgãos de segurança e informações na capital catarinense. O diretor da ASI/UFSC, José Antônio Ceccato ficou responsável pela transcrição da palestra e por identificar militantes em fotos. Entre os apontados, está Luis Carlos Cancellier, atual reitor da universidade, à época ligado ao movimento estudantil e PCB”.
A pesquisa do estudante mostra que mesmo depois da abertura, os órgãos de informação continuaram alcaguetando a vida política dos membros da universidade com interesses escusos. Esses fichamentos eventualmente serviam para efetuar demissões ou prejudicar os denunciados em concursos, nomeações, processos judiciais, conforme tem analisado a Comissão da Verdade e Memória da UFSC com farta documentação e testemunhos.
Como exemplo análogo dos antigos fichários dos porões da ditadura, forjados com dinheiro público, o linchamento moral que vitimou o reitor tem sido usado como estratégia moderna de terrorismo de Estado para arruinar a reputação dos que estão à frente de instituições públicas. Através de um conluio entre a mídia, justiça e aparatos de repressão, esses ataques têm como alvo principalmente os organismos que representam a garantia de direitos essenciais de cidadania, como saúde, assistência social, educação, energia. Sobretudo as universidades públicas que primam por sua independência crítica e autonomia, garantida pelo artigo 207 da Constituição Federal, tem sido achacadas pelo estado policialesco que ganhou força com o golpe de 2016.
O link para baixar o arquivo confidencial completo do SNI com todos os fichamentos.
https://we.tl/1Djrny8RH1 #MemoriaEverdade #DitaduraNuncaMais


Fotos: Celso Martins (reitor quando jovem); Agecom\UFSC (Cerimônias de velório e enterro)



===============================================================
https://jornalistaslivres.org/2017/10/ufsc-afasta-responsavel-pela-deduragem-que-matou-reitor-cancellier-e-instaura-sindicancia/

UFSC afasta responsável pela calúnia que matou reitor e instaura sindicância
Portaria determina investigação dos fatos que levaram à morte de Luiz Cancellier em 60 dias e afasta corregedor de todas as suas atividades
21 outubro, 2017

Ao completar 18 dias do suicídio que abalou o país, a Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina tomou, na sexta-feira (20/10), a primeira medida efetiva contra o processo de deduragem, calúnia e abuso de autoridade que levou o professor Luiz Carlos Cancellier a denunciar com a própria vida um estado de exceção sem saída. A medida que acena com alguma justiça para Cancellier determina a instauração de uma Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para apurar os fatos que culminaram com a prisão, linchamento moral do reitor e interdição do seu acesso à universidade, sem direito de defesa nem respeito às garantias constitucionais do Estado Democrático e de Direito.
Assinada pelo chefe de gabinete, Áureo Moraes, a Portaria de Número 12. 2353 determina ainda, o afastamento imediato, pelo prazo de 60 dias  do corregedor da instituição, Rodolfo Hickel do Prado de todas as atividades e funções junto à universidade. Servidor público federal da Advocacia Geral da União, Hikel foi o grande pivô de toda a tragédia, na condição de responsável pela denúncia de obstrução da justiça pelo reitor que sustentou a sua prisão por um contingente de 120 agentes da Polícia Federal na manhã do dia 14 de setembro. Nomeado na gestão anterior, da reitora Roselane Neckel, o corregedor encaminhou a “deduragem” contra o reitor e outros seis integrantes da comunidade universitária à Controladoria Geral da União.
A mesma portaria nomeia os membros da Comissão de Processo Administrativo Disciplinar, com prazo de até 60 dias para concluir as investigações. O professor do Curso de Direito, Carlos Araújo Leonetti, presidirá a comissão, integrada pelo professor da Engenharia Civil, Glicério Trichês e o professor de Engenharia Mecânica, Rolf Bertrand Schroeter. Seu dever, segundo o documento, é “apurar os fatos relatados no processo e eventuais infrações conexas que surgirem no decorrer das apurações”. Conciliador e amigo do diálogo, o jurista que defendia uma universidade pluralista foi envolvido na Operação “Ouvidos Moucos”, comandada pela delegada Érika Marena, natural de Curitiba, apontada como autora do nome de batismo da Lava-Jato, que processa o jornalista Marcelo Auler por tê-la denunciado em manifestações a favor de Aécio Neves e contra o PT nas redes sociais.
Imediatamente após a prisão dos seis indiciados, os supostos desvios e irregularidades na aplicação de verbas do Programa Universidade Aberta tornaram-se uma sentença de condenação moral jurídica, policial e midiática, na qual o reitor foi a vítima fatal. De uma denúncia de obstrução de investigação judicial, o reitor passou a ser linchado na grande mídia como responsável pelo desvio de verbas envolvendo o destino de bolsas de estudo para a Educação a Distância do curso de Administração, ocorridas dez anos antes da sua gestão. A quantia de R$ 80 milhões, correspondente ao valor total do Programa Universidade Aberta ao longo dessa década, foi “confundida” nas notícias de grandes veículos nacionais de comunicação (como Rede Globo e Folha de S. Paulo), com o possível desvio de R$ 500 mil, que ainda estava sendo apurado. O erro continuou sendo repetido, mesmo depois de esclarecido pela própria Justiça Federal.
No culto ecumênico, realizado em homenagem à memória do reitor, o irmão Júlio Cancellier cobrou em seu discurso a instauração da sindicância à vice-reitora Alacoque Lorenzini Erdmann, que foi confirmada como sua substituta pelo Conselho Universitário. Falando em nome da família e dos amigos, Júlio solicitou que a investigação apure os fatos para devolver à vítima sua dignidade. “Queremos que seja provado se ele agiu errado ou seja publicamente reconhecida sua inocência”.
Preso, algemado, submetido a exame vexatório nu e libertado no dia seguinte, junto com os demais indiciados, o jurista Luiz Cancellier foi proibido de entrar no campus por determinação da Juíza Federal Janaína Cassol Machado, como se representasse um perigo. Morando ao lado da universidade, onde foi militante estudantil nos anos de chumbo, formou-se bacharel, mestre, doutor em Direito, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e por fim reitor, Cancellier entrou em sofrimento físico e emocional e passou a tomar remédios antidepressivos. Afastado dos amigos, dos companheiros de trabalho e impedido inclusive de receber ajuda espiritual, declarou publicamente em artigo no jornal O Globo que estava sofrendo um exílio insuportável. “A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade”, deixou escrito num bilhete encontrado no bolso de sua calça.
A condenação de morte do reitor deu origem a um movimento crescente chamado Floripa Contra o Estado de Exceção, que reúne agremiações suprapartidárias, entidades, organizações e instituições em defesa dos direitos humanos, personalidades, profissionais, professores, alunos e amigos do reitor. Com a perspectiva de tornar-se uma grande frente nacional em defesa do Estado Democrático e de Direito e da Autonomia Universitária, o coletivo luta pela aprovação da Lei Cancellier Contra o Abuso de Poder e pela responsabilização das autoridades policiais, jurídicas e administrativa envolvidas. Uma faixa denunciando a morte do reitor como vítima do estado de exceção foi afixada na fachada do Centro de Cultura e Eventos, na entrada da SEPEX, Feira de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFSC, que encerra hoje, com a circulação de cerca de dez mil pessoas. O comitê está recolhendo assinaturas em apoio ao seu manifesto pelo endereço floripacontraestadodeexceção@gmail.com
Veja o manifesto:

Especial: É tudo um assunto só!

Outro dia discutindo sobre as manifestações do dia 15, sobre crise do governo e a corrupção da Petrobrás eu perguntei a ele se tinha acompanhado a CPI da Dívida Pública. Então ele me respondeu: Eu lá estou falando de CPI?! Não me lembro de ter falado de CPI nenhuma! Estou falando da roubalheira... A minha intenção era dizer que apesar de ter durado mais de 9 meses e de ter uma importância ímpar nas finanças do país, a nossa grande mídia pouco citou que houve a CPI e a maioria da população ficou sem saber dela e do assunto... Portanto não quis fugir do assunto... é o mesmo assunto: é a política, é a mídia, é a corrupção, são as eleições, é a Petrobras, a auditoria da dívida pública, democracia, a falta de educação, falta de politização, compra de votos, propina, reforma política, redemocratização da mídia, a Vale, o caso Equador, os Bancos, o mercado de notícias, o mensalão, o petrolão, o HSBC, a carga de impostos, a sonegação de impostos,a reforma tributária, a reforma agrária, os Assassinos Econômicos, os Blog sujos, o PIG, as Privatizações, a privataria, a Lava-Jato, a Satiagraha, o Banestado,  o basômetro, o impostômetro, É tudo um assunto só!...


A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso?


Escândalo da Petrobrás! Só tem ladrão! O valor de suas ações caíram 60%!! Onde está a verdade?

A revolução será digitalizada (Sobre o Panamá Papers)


O tempo passa... O tempo voa... E a memória do brasileiro continua uma m#rd*


As empresas da Lava-jato = Os Verdadeiros proprietários do Brasil = Os Verdadeiros proprietários da mídia.

Desastre na Barragem Bento Rodrigues <=> Privatização da Vale do Rio Doce <=> Exploração do Nióbio



Trechos do Livro "Confissões de um Assassino Econômico" de John Perkins 

Meias verdades (Democratização da mídia)

Spotniks, o caso Equador e a história de Rafael Correa.

O caso grego: O fogo grego moderno que pode nos dar esperanças contra a ilegítima, odiosa, ilegal, inconstitucional e insustentável classe financeira.



UniMérito - Assembleia Nacional Constituinte Popular e Ética - O Quarto Sistema do Mérito 

Jogos de poder - Tutorial montado pelo Justificando, os ex-Advogados Ativistas
MCC : Movimento Cidadão Comum - Cañotus - IAS: Instituto Aaron Swartz

TED / TEDx Talks - Minerando conhecimento humano




Mais desse assunto:

O que tenho contra banqueiros?! Operações Compromissadas/Rentismo acima da produção

Uma visão liberal sobre as grandes manifestações pelo país. (Os Oligopólios cartelizados)

PPPPPPPPP - Parceria Público/Privada entre Pilantras Poderosos para a Pilhagem do Patrimônio Público



As histórias do ex-marido da Patrícia Pillar

Foi o "Cirão da Massa" que popularizou o termo "Tattoo no toco"

A minha primeira vez com Maria Lúcia Fattorelli. E a sua?

As aventuras de uma premiada brasileira! (Episódio 2016: Contra o veto da Dilma!)  

A mídia é o 4° ou o 1° poder da república? (Caso Panair, CPI Times-Life)

O Mercado de notícias - Filme/Projeto do gaúcho Jorge Furtado



Quem inventou o Brasil: Livro/Projeto de Franklin Martins (O ex-guerrilheiro ouve música)

Eugênio Aragão: Carta aberta a Rodrigo Janot (o caminho que o Ministério público vem trilhando)


Luiz Flávio Gomes e sua "Cleptocracia"



Comentários políticos com Bob Fernandes. 

Quem vamos invadir a seguir (2015) - Michel Moore


Ricardo Boechat - Talvez seja ele o 14 que eu estou procurando...

Melhores imagens do dia "Feliz sem Globo" (#felizsemglobo)

InterVozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social



Sobre Propostas Legislativas:

Manifesto Projeto Brasil Nação

A PLS 204/2016, junto com a PEC 241-2016 vai nos transformar em Grécia e você aí preocupado com Cunha e Dilma?!

A PEC 55 (antiga PEC 241). Onde as máscaras caem.

Em conjunto CDH e CAE (Comissão de Direitos Humanos e Comissão de Assuntos Econômicos)

Sugestão inovadora, revolucionária, original e milagrosa para melhorar a trágica carga tributária brasileira.


Debates/Diálogos:

Debate sobre Banco Central e os rumos da economia brasileira...

Diálogo sobre como funciona a mídia Nacional - Histórias de Luiz Carlos Azenha e Roberto Requião.

Diálogo sobre Transparência X Obscuridade.

Plano Safra X Operações Compromissadas.

Eu acuso... Antes do que você pensa... Sem fazer alarde...talvez até já tenha acontecido...


Depoimento do Lula: "Nunca antes nesse país..." (O país da piada pronta)
(Relata "A Privataria Tucana", a Delação Premiada de Delcidio do Amaral e o depoimento coercitivo do Lula para a Polícia Federal)

Democratizando a mídia:

Entrevistas e mais entrevistas na TV 247


Entrevistas e depoimentos na TVT/DCM


Um ano do primeiro golpe de estado no Brasil no Terceiro Milênio.

Desastre em Mariana/MG - Diferenças na narrativa.

Quanto Vale a vida?!

Como o PT blindou o PSDB e se tornou alvo da PF e do MPF - É tudo um assunto só!


Ajuste Fiscal - Trabalhadores são chamados a pagar a conta mais uma vez

Resposta ao "Em defesa do PT" 

Sobre o mensalão: Eu tenho uma dúvida!



Questões de opinião:

Eduardo Cunha - Como o Brasil chegou a esse ponto?



Sobre a Ditadura Militar e o Golpe de 64:

Dossiê Jango - Faz você lembrar de alguma coisa?


Comissão Nacional da Verdade - A história sendo escrita (pela primeira vez) por completo.


CPI da Previdência


CPI da PBH Ativos


Sobre o caso HSBC (SwissLeaks):

Acompanhando o Caso HSBC I - Saiu a listagem mais esperadas: Os Políticos que estão nos arquivos.


Acompanhando o Caso HSBC II - Com a palavra os primeiros jornalistas que puseram as mãos na listagem.


Acompanhando o Caso HSBC III - Explicações da COAF, Receita federal e Banco Central.



Acompanhando o Caso HSBC V - Defina: O que é um paraíso fiscal? Eles estão ligados a que países? 


Acompanhando o Caso HSBC VI - Pausa para avisar aos bandidos: "Estamos atrás de vocês!"... 


Acompanhando o Caso HSBC VII - Crime de evasão de divisa será a saída para a Punição e a repatriação dos recursos


Acompanhando o Caso HSBC VIII - Explicações do presidente do banco HSBC no Brasil

Acompanhando o Caso HSBC IX  - A CPI sangra de morte e está agonizando...

Acompanhando o Caso HSBC X - Hervé Falciani desnuda "Modus-Operandis" da Lavagem de dinheiro da corrupção.


Sobre o caso Operação Zelotes (CARF):

Acompanhando a Operação Zelotes!


Acompanhando a Operação Zelotes II - Globo (RBS) e Dantas empacam as investigações! Entrevista com o procurador Frederico Paiva.



Acompanhando a Operação Zelotes IV (CPI do CARF) - Apresentação da Polícia Federal, Explicação do Presidente do CARF e a denuncia do Ministério Público.

Acompanhando a Operação Zelotes V (CPI do CARF) - Vamos inverter a lógica das investigações?

Acompanhando a Operação Zelotes VI (CPI do CARF) - Silêncio, erro da polícia e acusado inocente depõe na 5ª reunião da CPI do CARF.

Acompanhando a Operação Zelotes VII (CPI do CARF) - Vamos começar a comparar as reportagens das revistas com as investigações...

Acompanhando a Operação Zelotes VIII (CPI do CARF) - Tem futebol no CARF também!...

Acompanhando a Operação Zelotes IX (CPI do CARF): R$1,4 Trilhões + R$0,6 Trilhões = R$2,0Trilhões. Sabe do que eu estou falando?

Acompanhando a Operação Zelotes X (CPI do CARF): No meio do silêncio, dois tucanos batem bico...

Acompanhando a Operação Zelotes XII (CPI do CARF): Nem tudo é igual quando se pensa em como tudo deveria ser...

Acompanhando a Operação Zelotes XIII (CPI do CARF): APS fica calado. Meigan Sack fala um pouquinho. O Estadão está um passo a frente da comissão? 

Acompanhando a Operação Zelotes XIV (CPI do CARF): Para de tumultuar, Estadão!

Acompanhando a Operação Zelotes XV (CPI do CARF): Juliano? Que Juliano que é esse? E esse Tio?

Acompanhando a Operação Zelotes XVI (CPI do CARF): Senhoras e senhores, Que comece o espetáculo!! ("Operação filhos de Odin")

Acompanhando a Operação Zelotes XVII (CPI do CARF): Trechos interessantes dos documentos sigilosos e vazados.

Acompanhando a Operação Zelotes XVIII (CPI do CARF): Esboço do relatório final - Ainda terão mais sugestões...

Acompanhando a Operação Zelotes XIX (CPI do CARF II): Melancólico fim da CPI do CARF. Início da CPI do CARF II

Acompanhando a Operação Zelotes XX (CPI do CARF II):Vamos poupar nossos empregos 


Sobre CBF/Globo/Corrupção no futebol/Acompanhando a CPI do Futebol:

KKK Lembra daquele desenho da motinha?! Kajuru, Kfouri, Kalil:
Eu te disse! Eu te disse! Mas eu te disse! Eu te disse! K K K


A prisão do Marin: FBI, DARF, GLOBO, CBF, PIG, MPF, PF... império Global da CBF... A sonegação do PIG... É Tudo um assunto só!!



Revolução no futebol brasileiro? O Fim da era Ricardo Teixeira. 




Videos com e sobre José Maria Marin - Caso José Maria MarinX Romário X Juca Kfouri (conta anonima do Justic Just ) 





Do apagão do futebol ao apagão da política: o Sistema é o mesmo


Acompanhando a CPI do Futebol - Será lúdico... mas espero que seja sério...

Acompanhando a CPI do Futebol II - As investigações anteriores valerão!

Acompanhando a CPI do Futebol III - Está escancarado: É tudo um assunto só!

Acompanhando a CPI do Futebol IV - Proposta do nobre senador: Que tal ficarmos só no futebol e esquecermos esse negócio de lavagem de dinheiro?!

Acompanhando a CPI do Futebol VII - Uma questão de opinião: Ligas ou federações?!

Acompanhando a CPI do Futebol VIII - Eurico Miranda declara: "A modernização e a profissionalização é algo terrível"!

Acompanhando a CPI do Futebol IX - Os presidentes de federações fazem sua defesa em meio ao nascimento da Liga...

Acompanhando a CPI do Futebol X - A primeira Liga começa hoje... um natimorto...

Acompanhando a CPI do Futebol XI - Os Panamá Papers - Os dribles do Romário - CPI II na Câmara. Vai que dá Zebra...

Acompanhando a CPI do Futebol XII - Uma visão liberal sobre a CBF!

Acompanhando a CPI do Futebol XIII - O J. Awilla está doido! (Santa inocência!)

Acompanhando a CPI do Futebol XIV - Mais sobre nosso legislativo do que nosso futebol



Acompanhando o Governo Michel Temer

Acompanhando o Governo Michel Temer I