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terça-feira, 2 de abril de 2013

Jogos em dispositivos móveis - Os clássicos estão de volta

Os clássicos estão de volta  
Levantamento do Informátic@ mostra que pelo menos 50 jogos de sucesso das décadas de 1980 e de 1990 ganharam novas versões para smartphones e tablets. O Tamagotchi, o Snake, o Final fantasy e o Sonic fazem parte dessa gama
 

Publicação: Jornal Estado de Minas 28/03/2013 Caderno Inform@tica

Batizado de Tamagotchi L.i.f.e, o aplicativo reproduz a experiência que se tinha anteriormente. Na tela, é mostrado o bicho com os mesmos gráficos da primeira versão do brinquedo (Reprodução de internet)
Batizado de Tamagotchi L.i.f.e, o aplicativo reproduz a experiência que se tinha anteriormente. Na tela, é mostrado o bicho com os mesmos gráficos da primeira versão do brinquedo
 
Enquanto adultos, em 1996, tinham em mãos celulares de toques monofônicos e computadores com internet discada, grande parte das crianças só queria um pequeno brinquedo com um monstrinho dentro. O Tamagotchi, lançado naquele ano, virou febre ao permitir que o público infantil tivesse um bichinho de estimação virtual portátil. Hoje, mais de 16 anos depois, a criatura retorna, desta vez na forma de um aplicativo para Android, e se une a outros jogos clássicos que aportam na nova geração de aparelhos.

A proposta de relançar o Tamagotchi para plataformas móveis chamou a atenção, mas essa não é uma prática nova. Segundo levantamento do Informátic@, pelo menos 50 jogos de sucesso, entre pagos e gratuitos, foram lançados nas últimas décadas. Desde a popularização dos smartphones e dos tablets, as empresas perceberam a oportunidade de trazer de volta às mãos das pessoas games que fizeram muito sucesso.

Um dos exemplos mais recentes é a revitalização de Snake, popularmente conhecido como o jogo da cobrinha, que fez muito sucesso em celulares Nokia no fim da década de 1990. O Instituto Nokia de Tecnologia (INDT), em Manaus, lançou uma nova versão do game, chamada de Tile snake, para a plataforma Windows Phone, com design refeito e mecânica adaptada para os aparelhos mais modernos.

“Assim como ocorreu com muita gente, Snake foi meu primeiro contato com jogos de celular”, conta Thiago Bessa, desenvolvedor do INDT, que teve a ideia de repaginar o game clássico. Segundo ele, a oportunidade surgiu depois de ver pessoas em fóruns na internet questionando por que ainda não existia uma versão nova do game para smartphones e tablets. “Depois de pensar um pouco, vi que muitos tentaram, mas ninguém levava adiante. Como eu tinha condições de realizar esse projeto, fiz uma primeira versão e ela foi aprovada pelo INDT”, explica Bessa.

Para o desenvolvedor, a principal adaptação foi a jogabilidade. “Antes, controlava-se a cobrinha pelas teclas do celular, mas agora os smartphones não têm mais isso”, aponta Bessa. “Por isso, fizemos uma mudança para a tela sensível ao toque, que funcionou muito bem.”

Não foram apenas jogos de gráficos monocromáticos como Snake e o Tamagotchi que aproveitaram os aparelhos de última geração para retornar. Games clássicos como Final fantasy, Chrono trigger e Sonic também ganharam versões adaptadas para as plataformas iOS e Android – animando os saudosistas.

“Os jovens das décadas de 1980 e de 1990 que jogavam esses clássicos cresceram e hoje têm poder de compra e isso é um grande incentivo para as produtoras realizarem os relançamentos”, explica Saulo Camarotti, professor do curso de jogos digitais do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) e sócio da desenvolvedora de games Behold Studios.

ALTERAÇÕES Segundo ele, relançar esses jogos não chega a ser um movimento arriscado para as empresas, por serem games de sucesso comprovado. “Alguns desses jogos sofrem alterações para se adaptar ao modelo de negócios dos smartphones e tablets”, ressalta Camarotti. É o caso da Capcom, que lançou aplicativo com grandes sucessos como Street fighter e Ghouls n’ghosts. Ele oferece apenas 10 partidas grátis e, depois, passa a pedir que o usuário compre fichas virtuais, se quiser jogar mais.

Mas Camarotti acredita que, apesar de eventuais mudanças, esses aplicativos têm capacidade de conquistar não apenas fãs de longa data, mas também a nova geração de jogadores. “Não importa se os gráficos são mais simples, eles funcionam porque têm boa mecânica e divertem.”



O NOVO TERROR DAS PROFESSORAS
Batizado de Tamagotchi L.i.f.e, o aplicativo reproduz a experiência que se tinha anteriormente. Na tela, é mostrado o bicho com os mesmos gráficos da primeira versão do brinquedo e com os mesmos três botões utilizados para cuidar das necessidades básicas dele: alimentação, banho e diversão. A nova versão do Tamagotchi, porém, não está disponível ainda na loja virtual do Google no Brasil. A Bandai, empresa responsável pelo jogo, já afirmou que uma versão do aplicativo para o sistema iOS está em desenvolvimento.
 
 
Dos pets aos rebanhos virtuais  
Com temáticas parecidas à do Tamagotchi, despontam na internet jogos que têm por objetivo cuidar de animais, desde simples monstrinhos a zoológicos inteiros. O Informátic@ selecionou os melhores


Natália Peixoto diz que o Farmville ajuda a relaxar após uma maratona de estudos:
Natália Peixoto diz que o Farmville ajuda a relaxar após uma maratona de estudos: "É uma válvula de escape, excelente para tirar o estresse"
 Ter um animal de estimação não é fácil. É preciso espaço, alimentá-lo, levar ao veterinário, além de dar atenção e carinho. Por isso, muitas pessoas nem cogitam ter um bichinho real em casa. Mas, na década de 1990, com os avanços dos games, surgiram opções virtuais para aqueles que gostariam de ter um pet. Um dos precursores foi o Tamagotchi. O brinquedo se assemelhava a um chaveiro com botões e um pequeno visor, que mostrava o pet virtual. Avisos sonoros indicavam quando era o momento certo para as atividades do dia a dia.

Augusto Berto, 22 anos, relembra a mania de sua infância. Quando criança, seu pai chegou a ter uma loja de brinquedos. E, em uma das viagens para compra de novos aparatos, trouxe um Tamagotchi, novidade da época. No começo, Augusto revela que não achava muita graça, mas, depois, passou a cuidar como se fosse um bicho real. “Toda hora ele apitava, então, comecei a carregá-lo no bolso. Assim, acabei criando um laço afetivo. Sentia que, se não cuidasse, realmente ele morreria.”

Do mesmo modo que Augusto, muitos adoraram o brinquedo e passaram a levá-lo a todos os lugares. A febre era tamanha que alguns colégios chegaram a proibir o uso do aparelho em sala de aula, pois diversos alunos deixavam de prestar atenção às lições para cuidar do bicho. “Eu perdi vários na mão de professores, mas, como meu pai era dono da loja de brinquedos, nem me importava muito e continuava levando o aparelho todos os dias”, conta Augusto.

A febre passou, mas o sucesso do Tamagotchi mostrou que o gosto por cuidar de animais podia ser mais bem aproveitado. Diversas empresas passaram, então, a produzir jogos com essa temática. O ápice chegou com a popularização da internet e, principalmente, das redes sociais. Diversos jogos voltados para essas plataformas são criados com o objetivo de dar ao internauta entretenimento e, até mesmo, um contato, mesmo que apenas virtual, com a natureza.

No Brasil, a primeira rede a apresentar jogos desse tipo foi o Orkut. O site chegou a ter mais de 40 milhões de usuários no país, em 2008, e o game Colheita feliz passou dos 20 milhões de adeptos, em 2010, segundo a Mentez, desenvolvedora do aplicativo. O jogo consiste em cuidar de uma fazenda, sendo preciso alimentar animais e cuidar de plantações. Tudo produzido pode ser vendido e os ganhos servem para a compra de novos itens.

A rede social mais acessada atualmente, o Facebook, também se tornou abrigo para centenas de games do tipo. Um dos sucessos é o Farmville, que apresenta objetivos e jogabilidade semelhantes ao Colheita feliz. Desenvolvido pela empresa Zynga, o jogo chegou a contar com mais de 60 milhões de participantes por todo o mundo em 2010.

AINDA É SUCESSO A enfermeira Natália Peixoto, 25 anos, recentemente, começou a jogar Farmville para “relaxar entre os estudos para concurso”. “Eu gosto de animais e plantas e o game serve como uma válvula de escape, excelente para tirar o estresse. É preciso apenas dedicar alguns minutos para cuidar dos animais e das plantas, de forma simples e sem competições”, revela a estudante, que passa de uma a duas horas, em média, jogando por dia.

Já a engenheira florestal Carmen Florêncio, 57 anos, jogou Farmville por mais de dois anos e confessa que a brincadeira beirava o vício. “Uma amiga minha não sabia bem inglês e pediu que eu a ajudasse em um game. Foi assim que comecei a jogar, em 2009. Depois de um ano, ficava cerca de quatro horas diárias na frente do PC, pois sentia necessidade de plantar, colher e fazer todas as tarefas. Depois, consegui diminuir essa vontade e parei de jogar para não atrapalhar outros afazeres.”

E o futuro dos bichos virtuais ainda parece promissor. Com os lançamentos de Farmville 2 e do aplicativo do Tamagotchi para smartphones, ambos no fim do ano passado, os animais, sejam domésticos ou de fazenda, na internet ou nos videogames, realistas ou pixelados, ainda terão muito espaço para se desenvolverem no mundo virtual.

HARVEST MOON Ainda na década de 1990, outro jogo fez sucesso pela possibilidade de cuidar de animais. Em 1997, a Nintendo lançou, para o console Super Nintendo, o Harvest moon, no qual o jogador recebe de herança uma fazenda e tem de administrá-la. Para isso, é preciso semear, plantar, alimentar os animais, vender os produtos e até mesmo se casar. O sucesso foi enorme e gerou diversas sequências para vários outros consoles, como o Playstation, o Game Boy e o Nintendo DS. Atualmente, há mais de 20 títulos da série, sendo o último para o Nintendo 3DS.


JOGOS DE GERENCIAMENTO
Games nos quais o jogador vive uma situação semelhante à realidade e que, normalmente, exigem uma frequência de jogo são chamados jogos de gerenciamento ou simulação. Hoje em dia, há centenas deles com essas características das mais diversas áreas, em que o jogador pode cuidar de fazendas, parques de diversão, times de futebol e até mesmo de cidades inteiras. Existem empresas que utilizam os títulos em processos seletivos, avaliações e treinamentos de funcionários.


VITRINE
Com a evolução de consoles e da internet, novos jogos deixaram animais virtuais cada vez mais realistas. Confira os melhores

Pou
O game para smartphones Pou simula um ser bem simples, sendo considerado o sucessor do famoso Tamagotchi. As funções, inclusive, são semelhantes. É preciso dar banho, alimentar o bicho e cuidar da saúde dele. Entre as novidades, a interação com amigos que também tenham o jogo, além de permitir personalizar o companheiro virtual com roupas e acessórios.
» Plataformas: Android ou iOS
» Desenvolvedora: Zakeh
» Preço: gratuito

Harvest Moon: a new beginning
Na última aventura lançada da série, o objetivo é reconstruir um vilarejo e atrair os moradores de volta para o local. Para isso, o jogador deve cuidar de plantações e animais, como vacas, ovelhas, galinhas, cachorros, além de outros bichos inéditos na série, como lhamas e iaques.
» Plataforma: Nintendo 3DS
» Desenvolvedora: Natsume Inc.
» Preço: R$ 155

EyePet & Friends
O jogo, que é sequência de Eyepet, permite criar até dois animais de estimação, que parecem uma mistura de macaco e cachorro. É possível escolher as roupas, alimentá-los e brincar com os bichinhos. Tudo com auxílio da câmera Playstation Eye, que capta os movimentos do jogador e o controle Playstation Move, criando uma espécie de realidade aumentada.
» Plataforma: Playstation 3
» Desenvolvedora: Sony Games
» Preço: R$ 119

Nintendogs + Friends
A série conta com três raças de cães que devem ser escolhidas antes de comprar o jogo. Pode-se escolher entre o golden retriever, o buldogue francês e o poodle. O jogo é feito para quem sonha em ter um cão ou um gato, mas não tem tempo ou espaço. É possível alimentar, dar banho, brincar e ensinar truques ao cachorro por meio dos controles e do microfone do console.
» Plataforma: Nintendo 3DS
» Desenvolvedora: Nintendo
» Preço: R$ 149,90

Farmville 2
Após o sucesso do jogo Farmville, a produtora Zynga lançou Farmville 2. A principal inovação está nos gráficos em 3D, mas os objetivos ainda são parecidos. O jogador deve cuidar de sua fazenda virtual, com animais e plantações, contando com a ajuda de outros usuários. O game conta com mais de 10 milhões de participantes no mundo.
» Plataforma: Facebook
» Desenvolvedora: Zynga
» Preço: gratuito

Wildlife Park 3
Quem sonhou em ter um zoológico cheio de animais selvagens pode realizar o desejo com esse jogo. Além de cuidar dos bichos, o jogador pode escolher os cenários, as plantas e as construções do espaço, além de administrar veterinários, zeladores e demais funcionários do parque. Ainda é possível completar missões diversificadas, como soltar animais selvagens no habitat natural, salvar espécies de extinção e ajudar zoos de outros locais do mundo virtual.
» Plataforma: PC
» Desenvolvedora: B-Alive
» Preço: R$ 44,90
 
 
O tabuleiro migrou para o smartphone


O game Banco Imobiliário para iOS: interação em tempo real  (Estrela/Divulgação)
O game Banco Imobiliário para iOS: interação em tempo real
 Outro tipo de jogo muito popular também chega aos aplicativos de celulares e tablets: os de tabuleiro. As fabricantes Estrela e Grow, duas das grandes empresas do ramo no Brasil, já lançaram versões móveis de grandes clássicos.

A Estrela chegou primeiro ao mercado virtual, em dezembro do ano passado, ao lançar quatro jogos: Banco imobiliário, Autorama, Cilada e Pula Macaco estão disponíveis não apenas nos sistemas Android e iOS, mas também no Facebook. Os dois primeiros são gratuitos, enquanto os outros são adquiridos por 2,5 mil estrelinhas, moeda virtual que a Estrela desenvolveu exclusivamente para suas plataformas digitais.

Já a Grow acaba de lançar o aplicativo Imagem & Ação Friends, que procura inserir o clássico jogo de tabuleiro no mundo dos games sociais. O game lembra bastante o bem-sucedido Draw something. Nele, os jogadores disputam partidas entre amigos e enviam ilustrações para que eles adivinhem o que foi desenhado. Esse foi o primeiro de quatro lançamentos que a Grow pretende fazer em 2013. O aplicativo, que também está disponível para iOS, Android e Facebook, ganhará ainda uma versão para aparelhos móveis equipados com o sistema Windows Phone.