Magazine Luiza

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Arreio no Lombo - Nono Osso - Desafio "uma música por dia"!



Avançando um pouco no tempo, chegamos na metade final dos anos 90, próximo da virada do século, eu estava na faculdade, no início de um semestre quando organizam-se shows em calouradas para receber "bem" os novos alunos, normalmente participam bandas que estão entrando agora no circuito... 

Um dos shows que vi era de uma banda chamada "Flor de cal". Apaixonei-me pela apresentação do grupo, que faziam performance teatrais e jograis a cada música nova ou clássicas do Rock/MPB. Foi uma e só uma apresentação que vi, não tenho registros em vídeo ou fotos( isso não era tão comum no milênio passado) mas tenho gravado na memória... 

Continuei indo nas calouradas, conhecendo bandas no inicio de carreira, a que chegou mais longe foi o Tianastácia, a música que mais gostava deles era Jesus Cristino, (música que eles esqueceram no primeiro CD demo/independente). 

A banda que mais gostei e acompanhei na época foram os Zippados, do Gustavo Ziller, outros que era quase teatral suas apresentações, participaram da mesma eliminatória para o Pop Rock de 98 vencido pelo Tianastacia, e torci muito para os Zippados... O Ziller era da rádio Savassi e produtor musical, fui em muitos shows no falecido Lapa multishow produzido pela radio e também "o dia do rock" na praça da savassi... Inesquecíveis. 

Outros que conheci na época: Serpente, Bauxita, Virna Lise, Código B, Cálix, Nono Osso, Amaranto ( primeiro com um Cd de musicas do Djavan que um colega colocava para ouvirmos enquanto estudávamos, depois num apaixonante show junto com Flávio Henrique e Marina Machado). 

Daqueles grupo Flor de cal nunca mais ouvi falar apesar de procurar saber deles... Por um tempo fiquei fã do Amaranto sem saber o destino do flor de cal, até o show no palácio das artes de lançamento do Brasileirô terceiro disco do amaranto. Lá as irmãs contaram sobre o grupo que montaram na época e finalmente minha ficha caiu... 

Daquele grupo saiu componentes para as bandas Amaranto, Nono Osso e Cálix, além de gerar histórias de amor, casamentos, filhos...

Para representar essa minha rica época universitária poderia escolher várias musicas, desses vários personagens... Essa Arreio no Lombo, de Serginho Starling, showman do Nono Osso é de 2005, também fui no show de lançamento do CD, esse no teatro do Marista Hall.

É uma música que mostra uma realidade dura, no seu auge faz uma pergunta muito difícil de se responder, não dá para explicar num post de Facebook: 

"Me diz por que o Brasil é de tão poucos? Porque?? 


Lembrei-me dela quando vi essa charge sobre o desastre em Mariana e o Terror na França... 

Um olho brasileiro chorando lama, um olho francês chorando sangue: 

...Sangue... 
...Lagrimas... 

Assim começa a música! 

...E seus amigos porcos se apagam na lama...

Assim diz uma frase no meio da música!

Não tinha vídeo da musica no YouTube, tive que colocar eu mesmo... 
Desculpe-me o amadorismo...

Amanhã vou colocar uma música de um Piauiense que trabalhou uns dois anos na Samarco naquela região de Mariana... 




Arreio no Lombo
(Serginho Starling)

Sangue...
Lágrimas...
Terra...
Vida...
Imundas roupas...
Poucos levam...
Muitos Ficam...
Todos...

É muito pouco para a boca do povo
E muito povo para para a boca dos pouco(s)
Tem muito jegue sentado no trono
E o bicho-homem com o arreio no lombo
A terra seca ardendo até os osso(s)
Pimenta malagueta refrescando os óio (olhos)
Pá, picareta, enxada, foice, ao alto
Na terra plantei meu sangue, morro nela então!

Os super-jegues entram para a história
E seus amigos porcos se apagam na lama
E para mudar o rumo dessa prosa
Eles que amaram o bode-velho e a cabra na cama
Mas os olhos gritam a realidade
E a justiça cala com sua verdade
Porque se alguém bulir com os reis do ouro
Levam um pipoco na testa
E é assim que é o jogo!

Nesse mundo de pé grande,
Tamos juntos com as baratas,
que se arrastam pelos cantos,
comendo todas as migalhas.

Nesse mundo de peixe grande,
Tamos juntos com as minhocas,
que se arrastam pela terra,
fugindo do pé da enxada.

E no anzol querem nos enfiar!
Comprando o povo com farinha.
E me diz porque o Brasil é de tão poucos?!
Porque?!?!

É muito pouco para a boca do povo
E muito povo para para a boca dos pouco(s)
Tem muito jegue sentado no trono
E o bicho-homem com o arreio no lombo
A terra seca ardendo até os osso(s)
Pimenta malagueta refrescando os óio (olhos)
Pá, picareta, enxada, foice, ao alto
Na terra plantei meu sangue, morro nela então!

Nesse mundo de peixe grande,
Tamos juntos com as minhocas,
que se arrastam pela terra,
fugindo do pé da enxada.

Nesse mundo de pé grande,
Tamos juntos com as baratas,
que se arrastam pelos cantos,
comendo todas as migalhas.

E estão querendo nos esmagar!
Comprando o povo com o seu real.
E me diz porque o Brasil é de tão poucos?!
Porque?!?!

Os super-jegues entram para a história
E seus amigos porcos se apagam na lama
E para mudar o rumo dessa prosa
Eles que amaram o bode-velho e a cabra na cama
Mas os olhos gritam a realidade
E a justiça cala com sua verdade
Porque se alguém bulir com os reis do ouro
Levam um pipoco na testa
E é assim que é o jogo!

Sangue...
Lágrimas...
Terra...
Vida...
Imundas roupas...
Poucos levam...
Muitos Ficam...
Todos...

Muito Pouco(s)...
Muito Povo...
Muito Pouco(s)...

Muito Pouco(s)...
Muito Povo...
Muito Pouco(s)...

Porque?!?!?!?!