Magazine Luiza

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Um ponto Oito - Pato Fu - Desafio "uma música por dia"!



1.8: Essa aqui eu escolhi no lugar de "Perfeição" e "Faroeste Caboclo" (Legião Urbana) "Gita" e  "Tente outra vez" do Raul Seixas, "Pela paz" do Titãs. Dentre outras do nosso BRock...

A música é de 1999, mas está representando uma janela temporal que vai dos anos 80 até os dias atuais, portanto fica meio fora da sequencia cronológica.

Quando falei que tinha escolhido 10 músicas, depois eu me mutilei para cortar uma e ficar com 9, o corte foi o seguinte: 
Eu tinha decidido escolher uma representando o BRock e uma representando o Rock mineiro. 
Como o rock mineiro faz parte do BRock, decidi juntar, escolher um Rock mineiro que representando todo BRock... 

Mas e o Raul? Bom, Raul e Pelé não entram em eleições, são "Hors concours". 
E o Cazuza?!  E o Renato Russo?! 

Bom, o Pato Fu representa bem, antes de morrer o Renato Russo ao responder sobre uma boa banda de rock nacional fora eles, e ele não teve dúvidas: Pato Fu. 

Ela vai representar todos aqueles que assisti no Pop Rock Brasil entre 1996 e 2006, onze edições que não perdi nenhum...(para não ser mentiroso não fui no segundo dia daquele ano que o primeiro era o rock e o segundo era Axé) 

E fazendo a minha contabilidade, nos meus 15 anos de "carreira", entre 1991 quando fui ao primeiro show de rock sozinho até 2006 quando comecei a "quetar o faixo", a banda que mais me fez sair de casa para ir assistir um show, (depois de Engenheiros do Hawaii) foi o Pato Fu. 

Varias vezes bati a cabeça ao som de Licitação! (Nana...Nananana!!...)

E que casal nota mil! A Fernanda Takai também como jornalista/colunista, o John Ulhôa com compositor e produtor artístico...São demais!

Para mim, nosso BRock já produziu quatro imortais: o Raul Seixas, o Cazuza, o Renato Russo e o Humberto Gessinger. 

Cada um deles merecia ter uma música escolhida aqui. O único vivo e produzindo até hoje é o Humberto (anunciou no seu blog outro disco de inéditas a ser produzido esse ano e lançar ano que vem...) Os outros três foram vítimas de suas rebeldias e se foram jovens demais... 
O Raul um pouco mais velho, mas teria mais vida pela frente se fosse um pouco mais careta... 
(O Paulo Coelho está por aí até hoje...) 
Já imaginou o Renato Russo, que aos trinta já tinha tanta cultura e sem internet, aos 60 escrevendo livros?!... 
Portanto, como já tinha adiantado no Pose(anos 90), vou colocar nas costas do único imortal ainda vivo e escrevendo livros para representar os quatro. 
Não sei se ele tem ombros para suportar tamanha carga...

E o restante das bandas de rock brasileiro, que me fizeram rockeiro (ao invés de sertanejo, pagodeiro ou fankeiro) como Titãs( e seus rebentos), Barão Vermelho, Biquíni Cavadão, Nenhum de nós, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Plebe Rude, Skank, Lulu Santos, Rita Lee, Mutantes, Secos e Molhados, Hanói Hanói, Uns e outros...  E até Lobão e Ultrage a Rigor, porque não?  
Todos aqueles que borbulharam e se entornaram nos anos 80, todos esses estão representados pelo Pato Fu. Também não sei se possuem ombros fortes para suportarem a carga... 
Percebo que escolher 1.8 é tão injusto quanto deixa-la de fora...  

Essa historinha sobre um atropelamento, sobre como o amor mata, sobre como a tecnologia mata, mas na verdade, quando nos fechamos no nosso mundinho com amortecedores estáveis e ar condicionado, alheios ao nosso redor, o resto já estava mortos para nós, só não temos coragem de admitir... 

Uma música que estava na listagem (quando ainda sobrava as quinze melhores ) era "Classe média" de Max Gonzaga, que toca nesse assunto... Escutem depois... 

E também nesse grupo vou colocar o Gabriel o pensador, que não consigo coloca-lo em nenhum  grupo com representantes parecidos com ele, "Dentro de você" é a música que mais gosto dele.



Um ponto Oito 
(Pato Fu)

Dentro do meu carro
A estabilidade
Me faz acreditar
Que está tudo bem
Tudo em seu lugar
E logo me esqueço
Tudo tem seu preço
Aumento a velocidade
E atravesso a cidade
Sem pensar
Sem pensar
Sem pensar
Sem pensar
Em mais ninguém
A não ser em quem gosta de mim
Me esqueci numa curva que fiz
Tão veloz que o amor
Não morreu por um triz
Não morreu por um triz
Mas naquela estrada
Naquela madrugada
Acho que matei alguém
E no mesmo instante
Morri um pouco também
Fui até ao rapaz
Que ainda vivia
E vendo ele morrer
Sem saber o que fazer
Segurei sua mão fria
Vi que era pobre
Moço sem instrução
Cheirava a pinga barata
Uma aliança no dedo
Talvez fosse um ladrão
Ajoelhei-me ao seu lado
Me disse o atropelado:
Fiquei com a pior parte
De tudo o que é chamado
Civilização
Devolva este anel
Pra dona daquele bordel
Foi lá que eu roubei
Diga pro dono do bar
Que minha conta encerrei
Silenciou de repente
Gemeu como um cão
E sobre o asfalto quente
Seu sangue escorreu suavemente
Todo pelo chão
Olhei a cidade
Olhei pro meu carro
Voltei a correr
Pensei em fugir
Quis não mais viver
Quis não mais viver
Com mais ninguém
A não ser com quem gosta de mim
E esqueci numa curva que fiz
Tão veloz que o amor
Não morreu por um triz
Não morreu por um triz
Olhei a cidade
Olhei pro meu carro
Voltei a correr
Pensei em fugir
Quis não mais viver
Quis não mais viver

Quis não mais viver