Magazine Luiza

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ser um fã dos Engenheiros do Hawaii.


Ser um fã EngHaw não é apenas ser um fã. É amar, sonhar, tirar os pés do chão. São outros ares, sete mares... É explodir as grades e voar. É ser simples de coração... É voar e mergulhar numa profundidade de vinte mil léguas... É ser um velho jovem meio rebelde, que quer apenas viver em paz. É delírio, desejo, vozes e visões. É sentir com inteligências e pensar com emoção; é unir o otimismo da vontade com o pessimismo da razão. É saber que deve haver alguma coisa que ainda nos emocione, que reza a lenda que a gente nasceu para ser feliz e devemos seguir viagem, mesmo sendo impossível, mesmo não sendo importante, devemos tentar. Devemos seguir enfrentando a onda onde muita gente naufragou, remar contra a maré, derrubar muros e grades; construir pontes. Mesmo sem saber o que há do outro lado. E quando estivermos no meio da estrada não deixar nenhuma derrota nos vencer. É ser humano demais, e nada pode ser maior.

É se sentir um estrangeiro, passageiro de algum trem, num tempo em que a gente faz de conta que o mundo não está caindo(os tempos são outros, os erros, os mesmos). É não querer encontrar outras pessoas no espelho, não sentir vergonha dos erros cometidos e, mais do que isso, não ter medo de continuar errando. É saber que as melhores coisas da vida nós não podemos escolher e não dá para evitar. É ser um exército de um homem só num exercício de viver em paz... É ter a doce ilusão de conseguir. Continuar sonhando, mesmo sem ter tempo, os mesmos sonhos. Os sonhos nós ainda podemos ter. Não adianta reclamar do pouco tempo que nos resta, só nos resta aproveitar antes que seja tarde. Respeitar o passado sabendo que o futuro se impõe. É ficar frio para não ficar fraco. Não respirar o ar que estiver impregnado de ódio. É revolucionar, fazer bandeira de trapos, devorar concreto e asfalto (fé cega com o pé atrás). É querer viver no velho mundo, na velha forma de viver. Querer estar longe demais das capitais, há milhas e milhas e milhas de qualquer lugar. É sofrer com a solidão; é precisar da solidão... É não perder a razão para ganhar a vida mas não perder a vida para ganhar o pão (Parem de morrer de fome a um palmo do meu nariz!). É ver o fim do mundo algumas vezes e na manhã seguinte estar tudo bem (o sol nasce para todos todo dia de manhã). É já não esquentar a cabeça como antigamente. É ter vontade de sobreviver na cidade em chamas. Ver estrelas atrás das nuvens no céu da pátria nesse instante. É preferir outros canais e não entender o que fizeram com nossas vidas... É andar só numa das curvas da infinita highway sem saber até quando, ouvindo um pampa no walkman...

Estar no alto da montanha, num arranha-céu, enxergar de olhos úmidos e fechados novos horizontes trêmulos. É traçar o próprio rumo. É um salto no escuro da piscina. Roubar versos como quem rouba pão e fazer justiça com as próprias mãos. É o coração sempre arrasar a razão e ver mistério em quase tudo... É o sul, o norte, terra, fogo, água e ar... Suspender a queda livre e libertar-se. É reconhecer os próprios defeitos e o efeito dominó. É mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza... É ser dado a sonhos, como um dado em tuas mãos... É não procurar o céu azul no mar vermelho. É ter pequenos paraísos e riscos a correr. É buscar igualdade já que há muito já não somos como já fomos: todos iguais.

É não saber para onde ir, apenas ir, já que a dúvida é o preço da pureza... É um passarinho que voou baixinho e deixou para trás as paralelas cruzadas em Belém do Pará... É perder o rumo e encontrar um sentido escondido em algum lugar da nossa aldeia. Nada nos protege de uma vida sem sentido, mas nem todo sentido faz falta. É um pedaço de pão, uma e-stória para contar. É alucinação, amar e mudar as coisas... É no pampa o vento violino minuano, na fria janela de um apartamento... É ter medo do medo que as pessoas têm... É ser moderno e eterno, como um relógio antigo... É ser pop!(ele não poupa ninguém)... É obedecer a lei da infinita highway (para entender basta uma canção da banda preferida, uma descida ao porão...) É descobrir que as nuvens não são de algodão... É uma banda numa propaganda de refrigerantes. É um porto sem endereço certo, um deserto em pleno mar... É alívio imediato, a chuva caindo como uma luva, um dilúvio, um delírio... É na solidão contar estrelas no céu sem acreditar que algumas daquelas estrelas não existem mais... É descer a serra, cego pela neblina... É a cor, o corpo, o coração... É amar sem medida! É amar sem contar, subtrair, somar, multiplicar, dividir, é amar sem medida! É viver assim, sempre acabando o que não tem fim... (há 30 anos, há 40 anos, há 50 anos, a vida inteira...)

É nascer com o pé na estrada e com a cabeça lá lua... (a bola da vez!!)., olho vivo e faro fino... É miragem, fantasma, viagem no tempo (além do mito que limita o infinito). é como enfermeiras nos filmes de guerra e violinos nas canções de amor...