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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

"Add on" nos Navegadores - Muito além da navegação

Muito além da navegação  
Você recorre ao browser instalado no seu computador só para abrir páginas e viajar pela web? Saiba que ele pode fazer bem mais do que isso e veja como turbiná-lo



Publicação: Jornal Estado de Minas 08/11/2012 Caderno Inform@tica Repórter Silas Scalioni

 

Cena comum: o usuário liga o computador, clica imediatamente sobre o ícone de acesso à internet e começa a visitar os endereços web que lhe interessam para pesquisar assuntos de interesse profissional, informar-se sobre atualidades, enviar ou ler e-mails e, claro, ver o que está bombando nas redes sociais. E mais nada. Para muitos, o browser do computador – seja Internet Explorer, Google Chrome, Firefox, e o Safari, para os equipamentos da Apple, só para ficar nos mais populares – serve só para isso. Ledo engano.

Mas é possível adicionar várias facilidades aos navegadores. São programas, aplicativos, barras de ferramentas, aceleradores, enfim, funções e programas chamados, genericamente, de aplicativos. Cada navegador tem a própria nomenclatura para o termo. Dependendo de qual a opção escolhida, é possível integrar desde pequenos utilitários, como calculadoras, até sistemas mais complexos, como programa de tratamento de imagens. Aplicativos que ficam ativos e lembram o usuário de seus compromissos, novos e-mails recebidos etc., permitindo acionar ou fazer várias tarefas ao mesmo tempo.

A maioria dos navegadores têm recursos de alterar a apresentação visual com skins (pele, em inglês, e, em “informatiquês” refere-se a visuais alternativos dados a programas computacionais), temas ou personas. Eles também têm modos incógnitos, seja de navegação inprivate ou de navegação privativa, recursos que não deixam históricos ou rastros no computador sobre sua sessão de navegação. Saiba nesta edição do Informatic@ como deixar seu navegador mais esperto e com a sua cara.
O navegador que é a sua cara 
 Rapidez e integração com aplicativos colocam Google Chrome no topo da preferência por navegadores, mas Internet Explorer, Firefox e Safari não deixam de ter seu fã-clube


"No meu trabalho e em qualquer computador a que eu tenha acesso, só uso o navegador Google Chrome. Além de tudo, ele é muito veloz em minha estação de trabalho, que fica muito lenta quando uso o Internet Explorer. Até já desisti de entrar com o navegador da Microsoft. Para completar, o Chrome facilita a minha vida por ter um login único para as contas de todos os serviços Google. Isso é muito bom para quem faz buscas já direcionadas ao seu perfil e hábitos, pois o acesso é rápido e fácil a serviços como o Google Docs, Google Drive, YouTube e Gmail."

A rapidez e a fácil integração com todos os aplicativos da Google destacados pela coordenadora de eventos Flaviana Dias são qualidades que explicam em parte por que o Google Chrome é o navegador mais empregado hoje no mercado. Segundo pesquisa feita pelo site especializado gs.statcounter.com, no período de agosto de 2011 a agosto de 2012, 90% dos navegadores utilizados no mundo estão divididos entre os três principais: Google Chrome, em primeiro lugar, com 33,59%; Internet Explorer, em segundo, com 32,85%; Firefox, em terceiro, com 22,85%. O Safari, de acordo com a pesquisa, é adotado por 7,39% dos usuários de computadores. Em compensação, o browser da Apple domina 50% dos usuários de smartphones.

Lançado em setembro de 2008, aparece, em alguns testes realizados, como o browser mais rápido para smartphones, mesmo em ambientes iOS e Android. Note que esses ambientes já contam com seus navegadores padrão. Não só está disponível para ambientes Windows, como também Linux e Macs e smartphones Android e iPhones. Com mais de 1,5 mil extensões e aplicativos, está ainda presente nos Chromebooks – notebooks lançados no ano passado, com 3G e totalmente baseados em Google Chrome – em modelos fabricados pela Acer e pela Samsung, com preços a partir de US$ 299. Extensões, que são programas de terceiros ou da própria Google, para adicionar funcionalidades no navegador Chrome, como uma barra de ferramentas, por exemplo. Há também vários programas que rodam dentro do Chrome (aplicativos) e que estão disponíveis na Chrome Web Store, como agendas eletrônicas, por exemplo.

LENTIDÃO Para o produtor de eventos Alfredo Henrique Rodrigues Carmona dos Santos, o Internet Explorer é imbatível, mesmo com alguns probleminhas. "Desde que me entendo como usuário de internet sou adepto do Internet Explorer, que não me dá problemas e consigo trabalhar sem qualquer dificuldade, a não ser algumas lentidões. Já tentei o Firefox, mas não me acostumei, uma vez que no Internet Explorer tenho ferramentas e soluções para tudo. Trabalho quase que só com o buscador Google. Creio que algum problema de lentidão que possa haver está mais ligado a questões de estação de trabalho do que com relação ao browser."

Quando foi lançado, em agosto de 1995, pela Microsoft, o Internet Explorer nada mais era do que uma versão modificada do navegador Mosaic, da SpyGlass. Depois de algumas evoluções, apareceram versões dele para Macs e até mesmo para Unix. Foi com a versão 5 do Explorer que a Microsoft se sobressaiu no mercado mundial de navegadores. Já no lançamento obteve quase 50% da preferência, o que fez com que seu único e grande concorrente, o Netscape Navigator, praticamente saísse de cena. Em 2001 o Internet Explorer atingiu a incrível marca de 95% de domínio do mercado.

No navegador da empresa de Bill Gates, que se mostra inferior aos principais concorrentes em termos de recursos que fogem ao simples ato de acessar a internet, há complementos interessantes que podem ser introduzidos, como barra de ferramentas e extensões, aceleradores ou provedores de pesquisa.  
Na cola do Explorer


Lançado pela Fundação Mozilla (fundação sem fins lucrativos que desenvolve programas e projetos baseados em open source) em setembro de 2002, o Firefox, contando hoje com milhares de complementos e plugins, foi o responsável por grandes avanços que, posteriormente, acabaram inseridos nos outros navegadores. Um grande trunfo do Firefox é que ele se tornou o primeiro navegador a desafiar a hegemonia do Internet Explorer. Conseguiu, com suas inovações, conquistar uma fatia do mercado e surgir como uma agradável novidade num momento em que o browser da Microsoft reinava absoluto nos computadores de todos os continentes.

Um dos usuários fisgados, o advogado e escritor Lúcio Alberto de Resende Júnior, conta que recorre ao navegador das 8h às 18h no trabalho e fora dele. Recorro quase que exclusivamente ao sistema operacional Ubuntu - GNU-Linux. Com essa combinação, tenho um ambiente robusto, sem vírus, rápido e muito poderoso. Já abri dezenas de abas simultâneas sem problemas. Às vezes uso também o Chrome e o Opera. Convicto das vantagens do software livre, diz que só usa software proprietário quando é insubstituível. “Um grande ponto positivo do Firefox sobre outros navegadores é a quantidade de extensões disponíveis, que são bastante úteis no nosso dia a dia”, recomenda.

No Firefox, os plugins (que são softwares instalados no navegador e que permitem a utilização de recursos não presentes na linguagem HTML, na qual são criadas as páginas) são programas de terceiros, que acionam vídeos, animações e jogos. Já os complementos, ou add ons, são programas mais completos, como um antivírus ou uma agenda eletrônica, que também podem constar como recursos do navegador. 

Leitura facilitada


Desenvolvido pela Apple, o Safari tornou-se o navegador padrão da empresa a partir do sistema operacional Mac OS X v10.3 (Panther). Tem interface simples, aliás, uma característica dos produtos da maçã, com funções básicas como abas, bloqueador de pop-ups, baixador de arquivos, leitor de notícias RSS, modo privado – que evita o monitoramento da navegação por terceiros, entre outras. Conta com motor de renderização (layout engine) WebKit, software que interpreta os códigos HTML e posiciona os elementos da página, sendo que o KHTML do Konqueror, navegador para KDE, foi usado como base.

Em 2006, o Safari abocanhou entre 2% e 3,3% do mercado, que subiu para 4,61% em abril de 2007 e 5,7% em fevereiro de 2008, segundo o site NetApplications.com. Essa participação caiu para 5,33% em outubro de 2010. Em janeiro de 2011, voltou a subir chegando a quase 7 milhões de usuários (6,3% do mercado). E subiu um pouquinho mais nos últimos levantamentos, para pouco mais de 7%.

Entre a lista de vantagens, o analista de projetos Rafael Resende Fonseca de Oliveira enumera o “armazenamento de conteúdo de páginas na sua Lista de Leitura, para ler mesmo quando não conectado à internet; as abas do iCloud, que deixam os últimos sites que estavam abertos no seu Mac disponíveis no Safari do iPad ou iPhone; organização por abas, que mostra em um único lugar todas as páginas abertas e deixam a navegação mais divertida e natural, e a tecnologia Multi-Touch.

Para o analista, a competitividade nas tecnologias informacionais é fundamental para a evolução. Ele destaca o fato de o Safari contar com uma gama de plugins nativos do próprio browser, deixando a navegação mais rápida, diferentemente dos outros navegadores, que tentam abrir sites e não dão conta se não conseguirem instalar plugins específicos.
Recursos sem limites  
Gerenciar senhas, ter à mão tradutores de idiomas, livrar-se de publicidade invasiva. Essas são apenas algumas das muitas tarefas executadas por aplicativos instalados no navegador

 
 
Quando você acessa um navegador, provavelmente sempre abre em um mesmo endereço ou uma página em branco. Você então usa um buscador (mecanismo de pesquisa que localiza e organiza respostas), que pode ser o Bing, o Google, o Yahoo ou outro qualquer, para partir para uma pesquisa, ou então digita o endereço de uma página de seu interesse. “Em termos de browser, isso pode ser tudo para você, mas na verdade, você pode muito mais de dentro dele, além de apenas navegar na internet”, afirma o consultor de tecnologia Erik de Britto e Silva.

Você pode, usando recursos do navegador, sem necessitar usar os passos comuns da web, fazer uma busca de produtos e ofertas especiais nos sites de compras; pode solicitar tradutores de idiomas e dicionários (no Google Chrome, por exemplo, acessando http://chrome.google.com/webstore e digitando a palavra tradutor, vários serviços do gênero surgem na tela). Pode ainda se livrar para sempre de publicidade indesejada, gerenciar senhas e tornar sua navegação mais segura. São muitos os recursos oferecidos pelo seu browser, como aplicativos para manter a privacidade, marcadores de sites e redes sociais, agendas e jogos, lembretes e alarmes (despertadores), calculadoras, previsão do tempo, ferramentas para tratar e retocar imagens, acesso a rádios, jornais, revistas e TVs.

Não tem muito segredo. Em qualquer navegador, os aplicativos são instalados rapidamente, alguns em poucos segundos, e estarão sempre disponíveis, independentemente do computador, tablet, smartphone ou do sistema operacional, desde que o seu navegador consiga sincronizá-los. Os aplicativos serão sempre atualizados automaticamente em sua última versão, pois os navegadores, em geral, avaliam se é necessário fazer isso e perguntam ao usuário se ele quer fazer as atualizações. E o melhor: tais programetes não travam o computador. Se aparecer algum problema mais complicado, é só desinstalá-los. Sabendo usar, o seu navegador vai se mostrar um instrumento muito mais útil do que você imagina.



COMO FAZER
Para adicionar os aplicativos nos navegadores, pode-se recorrer a um buscador (o Google é o mais comum e mais competente). Faça então uma busca pelo aplicativo que quer e basta instalá-lo no navegador, desde que o programa esteja disponível para aquele browser. O segundo método é usar o site do próprio navegador, da seguinte forma:

No Internet Explorer
Depois de abrir o navegador, digite o site iegallery.com/Addons. Vai aparecer uma página com a galeria do Internet Explorer. Digite o que está querendo instalar ou então clique em uma das figuras disponíveis para instalar a barra do aplicativo.

No Firefox
Abra o navegador. Em seguida, clique em “Favoritos” e depois em “Extensões para favoritos”. Ou então digite o site addons.mozilla.org/ , que chegará  à mesma página de buscas em que aparece o campo “Pesquisar complementos”. Digite o que estiver procurando e depois em “Instalar”.

No Safari
O navegador da Apple já vem com add-ons e pede automaticamente para que sejam instalados. Mas no site http://safariaddons.com/ há aplicativos que incrementam o Safari. Há nele uma barra de buscas, só que está tudo em inglês.

No Google Chrome
Abra o navegador. Digite o site http://chrome.google.com/webstore. Você vai cair, então, na página Chrome Web Store, onde fará a busca no campo “Pesquisar na Chrome Web Store”. Uma vez encontrado o aplicativo, é só clicar
para instalar.


MEMÓRIA
O caminho do www

Um grande jornal em um fim de semana contém mais informação do que toda a quantidade que uma pessoa comum absorveria durante a sua vida na época da Idade Média. O volume de dados gerados atualmente pela humanidade cresce de forma exponencial a cada cinco anos. O que seria de nós, para ter acesso a tudo isso, se não fosse a internet? Foi na Suíça, no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN) – que ficou em evidência nos últimos tempos devido às pesquisas sobre a chamada partícula de Deus, ou bóson de Higgs –, que um pesquisador projetou uma ferramenta para a apresentação de informações baseadas em texto (sim, aquela coisa “arcaica” de letras e mais letras ). Ele criou o modelo de hipertexto pelo qual se poderia selecionar parte de um texto e a partir daí aprofundar informações específicas, caminhando para outro extrato explicativo e assim por diante, como a leitura de um livro. Em resumo, desenhava-se as primeira formas da navegação web, como conhecemos hoje. O pesquisador era Tim Berners-Lee e o sistema de hipertexto lançado em 1991 que permitia acessar simultaneamente vários documentos (inclusive fotos, sons e outras mídias) foi chamado de World Wide Web (o famoso “www” que antecede os endereços na internet). Por sua criação, o britânico foi homenageado e ovacionado na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em julho. O código desenvolvido foi aberto pelo CERN em 1993, e no Centro Nacional de Aplicações de Supercomputadores (NSCA) da Universidade Urbana-Champaign Illinois (EUA), foi lançado o navegador Mosaic. Inicialmente só para ambientes Unix, foi aberto para Apple Macintosh e Microsoft Windows. Tudo gratuito. Surgia o primeiro navegador oficial da história da internet.  Um dos pais do Mosaic foi Mark Andreessen, que saiu do NCSA para criar sua empresa, a Netscape, onde fez o Netscape Navigator, em 1994, considerado o primeiro navegador rápido e de grande sucesso. A Microsoft foi acordar para a internet em 1995 com o Windows 95, já criando licenças para o Mosaic, que foi a base do navegador Internet Explorer 1.0. Como o Netscape era muito melhor e chegou na frente, ao aceitar códigos Java na navegação, Bill Gates deflagrou a conhecida “guerra dos navegadores”, concentrando esforços para acabar com a supremacia do produto de Andreesen. Na época tinha-se a sensação de que uma navegação Netscape era um jato em relação a um vapor representado pelo Internet Explorer. A concorrência deflagrada por Bill Gates seria o começo do desenvolvimento dos vários navegadores hoje à disposição.


PARA INSTALAR E USAR
Dependendo do browser, o aplicativo pode ser chamado de complemento, addon, plugin, extensão, barra de ferramenta, app etc. Seja como for, o resultado é o mesmo. Conheça alguns deles, selecionados pelo engenheiro e consultor de tecnologia Erik de Britto e Silva, que facilitam bastante a vida:

Xmarks Bookmark Sync
Serve para sincronizar a lista de favoritos no navegador, abas abertas e senhas para sites. Sincroniza em vários computadores e navegadores. Disponível para o Firefox, Safari, Internet Explorer, Chrome e ambientes iPhone e Android.

Adblock Plus
Remove aquelas horríveis janelas de propagandas que ficam explodindo em alguns sites. Com o Adblock instalado,
clique com o botão direito do mouse dentro da janela da propaganda, depois em “Bloquear elemento”. Remove até as propagandas dentro do YouTube. Disponível para Google Chrome e Firefox.

Foxlingo
Tradutor de páginas web e de textos, dicionário, corretor gramatical, auto tradução e ainda repete por voz o texto. Inclui serviços para aprender outras línguas com 31 sistemas de tradução on-line. Só funciona com o Firefox. Babylon ou o Google Translator são boas opções para Internet Explorer e Chrome.

LastPass
Gerenciador de senhas e de preenchimento de formulários. Podem-se criar senhas fortes para cada site, mas basta guardar a senha do LastPass para ter acesso a todas as outras. Disponível para download no Firefox. Para os demais navegadores, é preciso abrir a página do LastPass na internet (www.lastpass.com).

WebMail Notifier
Útil como notificador de novos e-mails em diversas contas simultâneas: Gmail, Hotmail, Yahoo, AOL e contas Pop3/Imap. Novos e-mails são imediatamente comunicados. Disponível só para Firefox. Para o Chrome, opção similar é o X-Notifier.

Any.DO
É uma agenda de compromissos e lembretes, além de textos maiores. Disponível para Google Chrome.

Desprotetor de links
Burla os protetores de links (páginas que solicitam ao usuário cadastrar em serviço pago, normalmente associado a celulares). Disponível para Firefox, Google Chrome, Opera e Safari (www.desprotetordelinks.com)

AutoCAD WS
Ideal para ver, editar e compartilhar projetos e desenhos .DWG do AutoCAD de um navegador qualquer. Crie gratuitamente sua conta em autocadws.com/. Disponível para Chrome, Firefox, Internet Explorer, Safari e para equipamentos móveis Apple e Android.

Evernote
Ótimo para guardar fotos, textos e páginas web. Quando quiser, você pode abri-los em seu notebook, tablet ou smartphone (Apple e Android). Disponível para Internet Explorer, Chrome, Firefox e Safari.

Facebook
Instalando a barra de ferramentas do Facebook no seu navegador, você será avisado imediatamente toda vez que alguma novidade for postada. Para Firefox, Chrome e Internet Explorer.

Lucidchart
Maneira mais fácil de criar fluxogramas, protótipos, UML, mapas mentais etc. A ferramenta permite trabalhar em tempo real com a sua equipe. Pode ainda importar documentos do Microsoft Visio. Disponível para Firefox e Chrome.