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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Entrevista - Michel Levy - Presidente da Microsoft Brasil

Muito bem na fita  
Principal executivo no Brasil destaca a importância do mercado mineiro para a empresa


Publicação: Jornal Estado de Minas - Caderto Inform@tica - 29/11/2012 - Repórter Silas Scalioni


"O caminho da tecnologia, sem qualquer dúvida, passa pelas nuvens. O consumidor final vai usar cloud computing em quase tudo"  
  
O presidente da Microsoft Brasil, Michel Levy, esteve em Belo Horizonte esta semana visitando o novo escritório da Microsoft na capital e para tratar de novas estratégias da empresa no estado. Segundo ele, o escritório local cresceu na mesma proporção que a atuação da empresa na região. “Antes eram apenas quatro funcionários, agora já são 15 trabalhando internamente. Temos por aqui cerca de 1,2 mil parceiros e Belo Horizonte é a sede da nossa regional Centro-Oeste, que já é responsável por entre 20% e 30% do nosso faturamento. Estamos muito bem por aqui”, garantiu ele, que em conversa exclusiva com o Informátic@ concedeu esta entrevista.

Qual é a importância do mercado mineiro e regional para a Microsoft?
O mercado de TI cresce em média  10% ao ano no Brasil e perto de 15% no estado, enquanto o crescimento da Microsoft nessa região, liderada por Minas, é bem maior, chegando aos 30%. Isso nos faz dirigir sempre atenção especial para cá. Um sinal de que o desenvolvimento é grande por aqui é a falta de mão de obra especializada, problema que começamos a enfrentar já há algum tempo. Estou aqui para, além de acompanhar como está nosso escritório, visitar clientes e estudar novas formas de expansão.

Há algum tipo de investimento previsto para cá?
A Microsoft quer investir em um laboratório de desenvolvimento de tecnologias em parceria com uma aceleradora de negócios. Incubadoras, investidores institucionais, associações ligadas à área podem ser esses parceiros. Vamos procurar conhecer mais alguns trabalhos realizados em Belo Horizonte, como o BH Tec, e quem sabe desenvolver parcerias com eles. Começamos, em outros locais, a fazer acordos com arenas multiuso para fomentar a inovação e o empreendedorismo no Brasil por meio da instalação de aceleradoras de negócios dentro das próprias arenas. Já fechamos parceria com a OAS Arenas, primeira empresa brasileira a desenvolver plena expertise na implementação de arenas multipropósito, para realizar projetos de aceleradoras nos estádios em construção em Porto Alegre e em Natal.

Como funcionam os centros de inovação da Microsoft, que inclusive tem uma unidade em Belo Horizonte?
Nós temos 12 centros de inovação no Brasil e um deles é aqui, um trabalho bem relevante criado com a PUC Minas. O laboratório local tem sido realmente um acelerador de novas tecnologias da Microsoft. O conceito do programa é fazer parcerias com instituições de ensino e entidades locais de forma a desenvolver pesquisas tecnológicas. Inclusive, são pagas bolsas especiais para os pesquisadores que integram os programas, de forma a prepará-los para se tornarem autônomos. Corremos o risco de depois eles procurarem um caminho próprio e nos deixarem, mas geralmente isso não ocorre devido às boas condições de trabalho que oferecemos. Todos os trabalhos realizados por esses centros, que se mostram ótimos formadores de mão de obra, são ligados às características da região em que estão. Vale ressaltar que no centro de inovação mineiro foram desenvolvidos alguns aplicativos para o novo Windows Phone e para o Windows 8.

Por falar em Windows 8, como a empresa está vendo o novo sistema operacional e em que o senhor acha que ele supera as outras versões?
Esta versão do sistema é realmente uma quebra de paradigma, trazendo inovações tanto no ponto de vista de interface quanto de conceito. É um sistema criado para funcionar bem, independentemente se o equipamento é um PC, um tablet ou um smartphone. A união do Win 8 com o Internet Explorer 10 é realmente um experiência transformadora. Claro que estamos passando por uma curva de aprendizado, mas o usuário pega muito rápido. O sistema mostra-se imbatível em termos de segurança e gerenciabilidade. O mundo empresarial ganha muito com o novo OS, especialmente por ele ser capaz de apresentar aplicações necessárias para o desenvolvimento de tarefas específicas. E vem preparado para ser usado por toque de tela. A experiência touch é realmente riquíssima, mas quem ainda trabalha com mouse vai também encontrar facilidades para lidar com ele. O interessante é que o Vista, que não caiu no gosto do usuário, foi a base para essa nova concepção de sistema operacional.

O Internet Explorer, que chegou a dominar com folgas o mercado de navegadores, é outro ponto. Por que ele perdeu tanto espaço para o Firefox e o Google Chrome?
O problema é que a Microsoft tem o compromisso de manter a compatibilidade de seus produtos, e isso acabou interferindo nas aplicações do IE, facilitando o crescimento de outros navegadores. Uma coisa é começar do zero, sem qualquer compromisso e já contando com uma boa experiência para se basear. Com o IE 10 tais, carências foram cobertas. É inquestionável o quanto ele está melhor, principalmente em termos de velocidade e segurança.

Qual é a principal tendência tecnológica que o senhor vê como caminho sem retorno?
O caminho da tecnologia, sem qualquer dúvida, passa pelas nuvens. O consumidor final vai usar cloud computing em quase tudo. Aliás, ele já usa há algum tempo e nem sabia. Windows Live, Hotmail e MSN são exemplos. Mas agora ele está percebendo o benefício disso mais claramente. O desafio maior para que não haja maiores problemas é a conectividade de banda larga, que também precisa avançar no Brasil. O mais interessante é que o usuário comum, ao manter seus arquivos na nuvem e compartilhá-los em qualquer dispositivo com internet, sem riscos e sem gastar memória para nada, está ajudando na adoção desses serviços por parte das empresas, que ainda não atentaram devidamente para a importância deles. A MS tem uma oferta diferenciada para cloud capaz de apresentar experiência extremamente rica em todos os dispositivos com Windows 8.

Os ultrabooks vieram mesmo para ficar?
Não resta dúvida de que os ultrabooks, um conceito de computador criado pela Intel, são máquinas preparadas para substituir os demais PCs. Se você tiver um ultrabook equipado com Windows 8 e se ele tiver tela touch, com certeza você terá o melhor dos mundos. Claro que cada equipamento tem o seu espaço e utilidade, mas, de forma geral, com uma máquina assim na mão você não precisaria de mais nada.

Como a Microsoft se vê nos próximos anos?
A gente se vê entregando ao consumidor a nossa visão estratégica de atuação, que se resume em distribuir serviços de TI e conteúdos por meio de uma gama de produtos para diferentes dispositivos, que terão de estar conectados entre si e na nuvem. E temos de fazer tudo isso de forma bem competitiva.

Alguma novidade vindo por aí?
No primeiro trimestre de 2013 estaremos lançando o novo pacote Microsoft Office. A próxima versão vai trazer um design mais intuitivo, que funcionará perfeitamente com toque, caneta, mouse ou teclado nos novos dispositivos com Windows, incluindo tablets. Ele terá uma faceta mais social, antecipando cenários modernos para leitura, anotações, reuniões e comunicações, além de ser oferecido a assinantes por meio de um serviço em nuvem, que será continuamente atualizado. Ele já está disponível para testes no endereço http://www.microsoft.com/brasil/office-preview/pt/