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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Os facebookcidas - LADO SUPERFICIAL DO FACEBOOK

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Os facebookcidas 
 Busca de mais tempo e qualidade nos relacionamentos da vida real, irritação com publicidade invasiva e sensação de futilidade fazem com que usuários comecem a deixar a rede social


Publicação: Jornal Estado de Minas 13/12/2012  Caderno Inform@tica - Repórter: Shirley Pacelli

 (VALF)
“A rede social estava me deixando antissocial”. Assim Marcelo Alexsandro Silva, de 30 anos, gerente de projetos da Teknisa Software, resume o que o levou a cometer “facebookcídio”. Depois de uma conversa séria em julho, ele e a esposa, Heloísa Cunha, universitária de 26 anos, decidiram sair da rede social que reúne 54 milhões de usuários no Brasil e 1 bilhão em todo o mundo. Todos os dias, eles chegavam em casa e cada um se entretinha no próprio perfil no mundo virtual. Como o notebook era único, havia discussões para saber de quem era a vez de usar o aparelho: dele, dela ou da filha de seis anos, que queria ver desenho animado no YouTube. “Estava consumindo muito o meu tempo e eu deixava de viver em família”, esclareceu Silva.

O excesso de tempo passado no Facebook acabou afetando a relação marido-mulher, outro motivo para sair da rede. “Nós interpretávamos os comentários e postagens feitos na página de um e de outro de maneira distorcida”, explica Marcelo. Se agora ele consegue dar mais atenção à filha e o relacionamento com a esposa ficou melhor, por outro lado se sente desatualizado das notícias dos amigos. E também deixou de interagir com as pessoas que não fazem parte do seu círculo social, como antigos colegas de classe ou moradores de outros países. “Se marcarem uma reunião, a menos que alguém me ligue ou faça sinal de fumaça, eu não ficarei sabendo”, brinca. Apesar do esforço do casal, Heloísa conta que foi obrigada a voltar para a rede por causa da universidade. “Cheguei a ir para uma aula que havia sico cancelada, porque os professores avisaram só no grupo do site”, relembra. A experiência negativa, porém, serviu para ela aprender a dosar o acesso ao site.

RESSALVA Não dá para questionar a importância do Facebook como catalisador social e ferramenta de comunicação. Estão aí a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street, as Marchas das Vadias e, em Belo Horizonte, movimentos de cidadania política como o Ocupe Câmara. Os mais otimistas creem que a rede é que você faz dela. Mas ainda é difícil separar o joio do trigo. Por exemplo, quando discussões relevantes aparecem na página, a atualização automática deixa em evidência um convite tendencioso para curtir a marca X, que foi clicada por “João, José ou Maria”. Tentar organizar suas postagens para serem visualizadas de acordo com o interesse de cada grupo é tarefa árdua. Configurações de privacidade, então, desista... O Face rastreia até suas curtidas fora do site.

Esses são só alguns dos motivos que têm feito os usuários terem preguiça da rede. O Informátic@ descobriu dezenas de outras razões conversando com alguns mineiros. Para quem não consegue ficar sem a pílula azul, vale conferir as dicas de bom uso da web com Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador de um grupo para tratamento de dependentes em internet do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. 
 
 
À beira de um ataque de nervos  
Em protesto, adesão a uma causa ou simples desgaste, mais pessoas optam por deixar o Facebook. Mas há quem fique no vai e volta e muda forma de se relacionar na rede social

 
 
Tic-tac: Matheus Rodrigues cancelou sua conta durante um mês por achar que a rede tomava o seu tempo com conteúdo inútil (Cristina Horta/EM/D.A Press)
Tic-tac: Matheus Rodrigues cancelou sua conta durante um mês por achar que a rede tomava o seu tempo com conteúdo inútil
 “Vou entrar no Facebook rapidinho antes de dormir”. Duas horas depois, você se dá conta de que já é tarde, tem que madrugar para trabalhar e provavelmente se tornará um zumbi no dia seguinte. Acredite, caro leitor, você não é o único que faz planos com seu tempo livre e, quando vê, perdeu horas descendo a barra de rolagem do Facebook com esperança de achar algo interessante. Além da falta de privacidade, reclamação mais recorrente entre os usuários, o fato de a rede tomar tempo demais, na maior parte das vezes com conteúdo inútil, são fatores que explicam porque tem se tornado cada vez mais comum o facebookcídio – exclusão da conta na rede social mais acessada do mundo .

Foi o que aconteceu com o músico Matheus Almeida Rodrigues, de 29 anos. Ele desativou a conta no site durante um mês. “Você chega no fim do dia e pensa: ‘Poderia ter ido dormir em vez de ficar 40 minutos on-line’. Fora que a rede permite muita xeretagem”, diz. O músico se cadastrou em meados de 2009 e, desde então, acessava o Facebook muitas vezes ao dia. Agora só se conecta quando vai conferir o e-mail à noite e não passa mais que 20 minutos com a página aberta. Ele diz ter voltado porque tem vários amigos em outras cidades e, como é músico, a rede é boa ferramenta para divulgar seus eventos. “É como aquela frase que diz: ‘O Facebook é igual geladeira, você sabe que não tem nada novo, mas abre de dez em dez minutos’”, brinca.

Não ter um smartphone facilita a Matheus o autocontrole no acesso à rede de relacionamentos. Normalmente, quem tem o aparelho verifica as notificações o dia inteiro. “Ele é um telefone muito ruim para a função principal de ligar. Prefiro jogar no videogame, tirar foto com câmera e navegar na internet pelo PC”, afirma, ao explicar por que não aderiu ao celular inteligente.

Já o jornalista Billy Lima saiu do Facebook por questões profissionais. Por fazer cobertura da área esportiva, recebia muitos pedidos de amizade e aceitava todos, independente de conhecer os usuários. Com o tempo, os “amigos” começaram a acusá-lo de torcer para o time A ou B. O incômodo foi tamanho que ele preferiu deletar sua conta, com cerca de 500 conexões.

Depois, Lima criou outro perfil em que adiciona só amigos, familiares e colegas de profissão. “Claro que você se sente aliviado, parece que deixou uma prisão. Tira um peso das costas saber que não terá pessoas inconvenientes para atormentá-lo.” De negativo na rede social, ele cita a exposição na web: “É um terreno onde todos se acham donos da verdade e que podem fazer juízo de valor de qualquer pessoa”, destaca.


FACEBOOKCÍDIO - LINHA DO TEMPO
31 de maio de 2010

O Quit Facebook Day foi organizado pelos canadenses Matthew Millan e Joseph Dee. Segundo eles, a rede havia alterado os padrões de privacidade para aumentar o compartilhamento de dados dos integrantes. Dessa forma, o Facebook aumentaria o seu banco de informações e criaria estratégias para os usuários ficarem mais tempo na página. A ideia era excluir a conta na data marcada. No entanto, o site alterou as configurações uma semana antes, acalmando os ânimos e deixando o movimento sem força. Cerca de 4,5 pessoas, dos 400 milhões de cadastros na época, confirmaram apoio à causa.
quitfacebookday.com

2 de novembro de 2012
Mais de 4,5 mil usuários prometeram cancelar suas contas no Facebook em apoio à causa dos índios guaranis-caiovás, que vivem em Mato Grosso do Sul e lutam pela demarcação de terras. A ideia surgiu depois da repercussão de uma carta aberta da tribo ao governo federal, na qual os indígenas comunicaram que decidiram morrer na terra onde os ancestrais viveram, o que poderia ser interpretado com suicídio coletivo. O apoio na rede social seria uma morte simbólica dos usuários do Facebook.

Ame-o ou deixe-o
“Oi. Eu sou o Ross e estou há cinco meses e 17 dias limpo”. Com essa ideia, o protagonista do vídeo Você precisa sair do Facebook começa a sua saga de argumentos para convencê-lo desse suicídio virtual. Sem falar nada, apenas mostrando dezenas de dizeres em cartazes, ele reflete sobre a superficialidade das relações na web e a importância que se dá a elas na realidade. A antiga ordem “saia da frente da televisão” foi substituída por “saia do Facebook”. E você, diante de tantos apelos, vai aderir ao facebookcídio? http://migre.me/5PjcU
 
#100Face  
Experimento que propõe ausência total da rede por 100 dias mostra que não é fácil resistir: 15 pessoas já sucumbiram à tentação. Dependência já é caso de consultório

 
 
“Estou bem. Começando a me sentir limpo e com tempo de sobra para outras coisas”. Parece, mas o depoimento não foi ouvido em uma reunião dos Alcoólicos Anônimos ou pessoas tentando se livrar de qualquer outra dependência. Marcelo R. é uma das 100 pessoas que toparam participar de um desafio: 100 dias sem Facebook. Mais do que ideia de algum hater (odiador) da rede, o #100Face (100face.com.br) é um projeto de experimento social. O objetivo não é defender a permanência ou saída de ninguém da rede. O intuito é levantar questionamentos sobre o domínio que ferramentas privadas e mecânicas têm sobre os aspectos sociais mais comuns dessa geração.

O projeto foi criado no dia 22 de setembro e vai até 1º de janeiro. Dos 100 participantes, muitos já sucumbiram aos encantos da telinha azul. No blog do experimento, eles relatam por quê. Entre as maiores tentações está a vontade de ver as fotos da festa mais recente e até carência de conversar com os amigos próximos que, de repente, sumiram. Alguns dão desculpas mais sérias. “Tive que voltar ao perfil para pegar conteúdos de disciplinas da faculdade”.

Na página não há uma contabilidade, à la big brother, com os eliminados/desistentes. Mas contando um a um, de acordo com as declarações nos posts, 15 já desistiram. Muitos deles não fizeram atualizações, o que faz concluir que mais pessoas podem ter abandonado o desafio. A ideia, segundo Felipe Teobaldo, idealizador do projeto, não é descobrir quanto tempo se consegue ficar sem o Facebook, mas do que você depende para ser feliz. No blog, os organizadores afirmam que cada vez mais a identidade digital faz parte da construção da identidade social. Nesse ponto, os participantes do experimento tentariam descobrir o porquê da necessidade de consumir tantas informações sobre os círculos sociais on-line. Talvez, em janeiro haja respostas.

CONEXÃO EXCESSIVA Há como saber se está viciado na internet? Segundo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Programa Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI), da Universidade de São Paulo, é preciso ir com calma. Antes de fazer a autoavaliação, é necessário analisar que vivemos em uma época em que a tecnologia está muito presente. “O celular é tudo: despertador, câmera, PC e ainda permite que você ligue para alguém. Transformou-se em um portal pessoal”, exemplifica. Para ele, delimitar o que é dependência não é uma tarefa das mais fáceis. Um sinal seria quando a pessoa percebe que, prioritariamente, prefere utilizar a tecnologia para resolver tudo: da compra de um tênis a um convite de aniversário.

Abreu explica que surgem vários problemas dessa conexão excessiva, como baixo nível de comunicação pessoal e perda da capacidade de foco, que alguns gostam de chamar de pessoa multitarefa. “É como meu pai dizia: o homem dos sete instrumentos não toca nenhum direito”, reflete. Ele conta que há duas correntes de pesquisa sobre essa geração de jovens conectados. A primeira diz que eles nunca foram tão rápidos e que houve um leve aumento do QI. A outra acredita que ser rápido não necessariamente os faz mais inteligentes. Além de dizer que essa juventude não consegue acumular conteúdo ao longo da vida – afinal todas as pesquisas estão a um clique.

O coordenador se inclina a favor dessa segunda visão. “Nossa geração mudou muito. Se não usarmos a tecnologia a nosso favor, ela nos engole. O problema é você, não a rede.” Para ele, essa geração está navegando à deriva, não existe uma massa crítica. Abreu lembra que um estudo do Ibope, divulgado em setembro deste ano, apontou que 70% dos brasileiros assistem o seu programa favorito com outra tela na mão. Outra pesquisa apontou que 10% dos usuários no mundo são viciados na internet e cerca de 20% seriam dependentes do celular. Isso em 2010, quando não havia o boom dos smartphones.

“Na sala de espera do meu consultório, todas as vezes que abro a porta para chamar os pacientes, eles estão entretidos com o iPhone”, conta. Ele explica que verificar o celular é normal, mas não a cada minuto. “Seria o mesmo que fazer ginástica o dia inteiro ou comer todo o tempo”, compara. Abreu aconselha a estabelecer um horário para o acesso às redes sociais e desabilitar as notificações do aplicativo do celular, que, normalmente, insistem em apitar de 30 em 30 segundos. Suspeita que está viciado? Faça um teste no Dependência de Internet (dependenciadeinternet.com.br). O site, coordenado por Abreu, reúne orientações sobre o tema.


A FILA ANDA, MAS DEMORA
Se o Orkut já foi o queridinho entre os usuários no Brasil, no início do ano o Facebook conquistou de vez um espaço cativo no coração dos brasileiros. É a lei da vida, ou melhor, das redes. Em um dia você é o mais acessado, no outro você se transforma em reduto de spammers.  Grande parte dos especialistas da área afirma que ainda não surgiu uma rede capaz de destronar o Facebook – são todos sites de nicho. Entre os candidatos à posição ocupada hoje pelo site de Zuckerberg estão o Google +, o Socl (da Microsoft) e o Pinterest.  Na última semana, o Google + ganhou o recurso de comunidades, ponto forte do quase esquecido Orkut. Pode ser que essa cartada atraia a atenção dos usuários não ativos entre os 250 milhões cadastrados.



CAMINHO DO FIM
Desativar e deletar a conta no Facebook são duas ações distintas. Na primeira delas, é possível retornar à rede com todos os amigos e linha do tempo intactos; a segunda opção extingue todo o rastro na rede social. Quer saber como excluir sua conta no Facebook? Siga os passos:

1: » Entre no site e acesse o seu perfil.
2: » Acesse “Configurações da conta” no canto superior direito da tela, onde há uma setinha.
3: » Vá ao menu geral. Antes de concluir a ação, clique sobre a opção “Baixe uma cópia dos seus dados do Facebook”. Esse recurso guardará seus álbuns.
4: » Uma tela aparecerá pedindo para abrir o arquivo da cópia. Abra-o. Uma nova mensagem informará que você vai receber um e-mail com o link do backup. Espere recebê-lo e baixá-lo no PC antes de desativar sua conta, caso contrário você perde todos os dados. Quanto mais fotos e vídeos, mais tempo leva o processo. Pode demorar horas.
5: » Feita a cópia, vá a “Segurança” ainda no menu de configurações. Clique em “Desativar conta”. Seu perfil não ficará disponível para pesquisas, mas algumas informações suas ainda permanecem visíveis até o cancelamento real.
6: » Aquela clássica mensagem “Tem certeza que quer desativar sua conta?” aparecerá em seguida. O Facebook ainda dá uma choradinha e mostra para você os perfis dos seus amigos que sentirão sua falta. Escolha o motivo de sua saída na lista oferecida. Falta de privacidade, gasto excessivo do tempo e conta invadida são algumas das opções.
7: » Decida se quer receber e-mails de marcações e convites dos amigos após o cancelamento da sua conta. Feito isso, é só confirmar a desativação com a senha. Há uma verificação de palavras antes. A conta foi desativada, mas caso queira voltar, o Facebook grava algumas das suas informações originais. Basta fazer o login normalmente.

Exclusão permanente
» Para excluir de verdade, é preciso acessar o link: facebook.com/help/delete_account. O site solicitará a confirmação de senha e de palavras. Você perderá todos os dados na rede social.