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quarta-feira, 27 de março de 2013

Metal Gear Rising: Revengeance

METAL GEAR RISING: REVENGEANCE »  
Lâmina afiada  
Com muita ação e correria, o game da Konami representa um redirecionamento inusitado para a franquia e consolida Raiden como um protagonista de respeito. Upgrades durante o jogo melhoram os combates

Publicação: 21/03/2013 04:00

 (Konami/Divulgação)
 Em um dos primeiros momentos de Metal gear rising: revengeance, um dos personagens orienta o protagonista Raiden na missão que tem pela frente: “Não há nenhuma necessidade de se esconder ou de evitar o combate”. A fala é simples, mas resume bem o recado para os fãs da série criada pelo japonês Hideo Kojima: esse não é o Metal Gear com que você está acostumado.

O novo título deixa de lado a furtividade, principal característica dos jogos Metal gear solid, para dar espaço à ação. O game é o primeiro spin-off da série e deixa de lado o Solid Snake, o grande herói da franquia. No lugar dele, volta ao centro da história Raiden, o famigerado protagonista sem sal de Metal gear solid 2, que ressurgiu como um habilidoso ciborgue ninja em Metal gear solid 4.

O game, cuja trama se passa três anos após o quarto título, tem estrutura e narrativa muito mais modestas do que as dos jogos anteriores. O roteiro das fases é simples: siga em direção ao ponto marcado no mapa e utilize a espada para cortar tudo e a todos que passarem pelo caminho. Para facilitar ainda mais a jornada, existe o ninja run (corrida ninja, em tradução livre): enquanto o personagem corre, basta manter apertado um botão e Raiden, automaticamente, salta obstáculos, escala paredes e desliza sob fendas. Tudo isso para que você não pare de golpear.

O sistema de combate é tão simples quanto o de deslocamento: aperte poucos botões para começar a distribuir golpes de espada e formar longos combos. O grande diferencial na hora de lutar fica por conta do chamado Modo Katana, que faz o tempo desacelerar e permite selecionar exatamente quais pontos do inimigo quer “fatiar”.

DETALHES Metal gear rising pode ser considerado um passo arriscado por parte da Konami, uma vez que ele destoa muito dos games anteriores de uma série com vasta legião de fãs. Mas, após as primeiras horas de jogo, percebe-se que a empresa não fez feio. Rising soube aproveitar décadas de história e adaptá-las muito bem à nova proposta. O fato de a trama ser mais simples é um excelente exemplo de como o título conseguiu se apropriar do universo geral para criar algo dinâmico e divertido.

A impressão que fica, contudo, é que os esforços em fazer bem tal mudança de direcionamento foram tão grandes que certas minúcias não receberam tanta atenção. Um exemplo disso é a simplificação excessiva do combate, que acaba por tirar parte do brilho do título.

As lutas são divertidas, principalmente, os confrontos com os chefes, que são o ponto alto do jogo. Mas, em comparação com outros games do mesmo gênero, Rising tem combos pouco variados, mesmo com os ataques extras, que podem ser adquiridos por meio de upgrades. A câmera é uma frustração durante os combates, pois, muitas vezes, a angulação errada que ela assume, automaticamente, atrapalha, escondendo os inimigos em lutas importantes.

Outra opção que faz falta é a de se esquivar desde o princípio (a habilidade pode ser adquirida depois, via upgrade). Por ser um comando básico, presente em jogos de ação, sem essa alternativa, resta ao jogador correr ou usar a defesa, acionada por um comando que também envolve o botão de ataque.

Mas esses pontos fracos não são suficientes para tornar Metal gear rising uma experiência ruim. O título não apenas tem o mérito de adaptar bem o complexo universo da série para a divertida proposta corra e corte, como também consegue consolidar um dos personagens menos queridos de Metal gear como um protagonista interessante.

A Konami começou o spin-off bem, mas ainda existe espaço para melhorias. Resta a esperança de que a empresa aproveite o redirecionamento e lance novos jogos com Raiden, desta vez com os erros corrigidos. Se fizer isso, Rising pode muito bem, um dia, alcançar o mesmo nível de prestígio que os títulos anteriores.


DERIVAÇÃO
Os spin-offs são títulos derivados de uma série que surgem após a consolidação dela. A trama não tem ligação direta com os outros jogos. Em geral, aproveitam para contar histórias de personagens secundários ou eventos pouco explorados nos games principais.

DICA
Na versão para Playstation 3, para desbloquear o nível de jogo mais difícil, vá para a tela de título (em que aparece a frase “aperte start”) e pressione duas vezes o direcional para cima, duas vezes para baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, O e X. Na versão para Xbox 360, basta fazer a mesma sequência de direcionais, mas aperte B e A.



Metal Gear Rising: Revengeance faz jus ao nome que carrega


Apesar da jogabilidade completamente diferente de seus antecessores, jogo mantém a história grandiosa, personagens extravagantes e apresentação impecável que deram fama à série.

Confesso que fiquei com um pé atrás quando a Konami anunciou a produção de Metal Gear Rising: Revengeance (na época conhecido como Metal Gear Solid: Rising) em 2009. A furtividade sempre foi a principal característica da série, que valoriza a estratégia em vez do combate direto, e um jogo de ação pura como Rising parecia destoar completamente de seus antecessores.
E convenhamos: o personagem principal, Raiden, não foi lá muito bem recebido em seu primeiro jogo (Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty) e virou motivo de piada no seguinte (Metal Gear Solid 3: Snake Eater). E pra “piorar” o jogo não foi desenvolvido pela Konami nem dirigido pelo criador da série, Hideo Kojima. O desenvolvimento ficou a cargo da Platinum Games, responsável por jogos como Bayonetta e MadWorld, e a direção foi de Kenji Saito. Uma mudança de estilo, de protagonista, de estúdio e de diretor de uma só vez? Xiii...
Como fã, tinha medo de que o jogo fosse apenas uma forma de ganhar "dinheiro fácil" usando o nome Metal Gear, enquanto Kojima e sua equipe trabalhavam numa verdadeira sequência (que agora sabemos que será Metal Gear Solid: Ground Zeroes) digna do nome da série. Felizmente, não é esse o caso.
O melhor açougueiro do mundo
Em outros Metal Gear a melhor estratégia de jogo é se tornar "invisível" e completar a missão sem ser descoberto pelos inimigos. Entrar correndo dentro de um hangar lotado deles é suicídio, e até mesmo o som de seus passos em uma passarela metálica pode alertá-los de sua presença. Isso cria um clima de tensão que ajuda o jogador a entrar na pele do protagonista. Sei que preciso chegar a um depósito, mas como? Posso dobrar essa esquina? Será que o guarda lá embaixo vai me ver se eu subir a escada? É preciso pensar antes de agir.
Já Rising é mais "descerebrado", não que isso seja ruim. Pense nele como um "Dia de Fúria", onde você pode atacar a tudo e a todos sem medo das consequências. O jogo incentiva o confronto: a arma principal de Raiden é uma espada especial, e o método mais eficaz de recarregar a energia é fatiar os ciborgues inimigos (a lâmina absorve os eletrólitos de suas baterias), ou então arrancar e esmagar suas colunas vertebrais, num movimento chamado "Zan-Datsu".
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Fatiar os inimigos à vontade é o ponto-chave da jogabilidade de Revengeance
A jogabilidade lembra a série "God of War": com poucos botões é possível fazer combos eficientes para despachar os inimigos, e em vários momentos ícones na tela pedem sequências específicas de botões que levam a ataques e finalizações grandiosas. Coisas como agarrar um robô gigante pela cauda, arremessá-lo através do cenário e depois partí-lo ao meio usando sua espada. Raiden também pode usar a "Corrida Ninja" para se mover mais rapidamente através das fases e superar automaticamente obstáculos no caminho, não que eles sejam muitos.
Um diferencial é o "Blade Mode": o jogo entra em câmera lenta e assume uma visão em terceira pessoa, com a câmera sobre o ombro de Raiden e o inimigo à frente dele. Com um dos direcionais analógicos é possivel selecionar o ângulo do corte, mostrado como uma linha sobre o corpo do inimigo, e aí basta pressionar o botão de ataque para fatiar o pobre soldado feito salaminho. Cortes específicos podem render itens: em dado momento um dos aliados de Raiden, conhecido como "Doktor", pede que o protagonista corte as mãos esquerdas do maior número de soldados que puder, para capturar valiosos "dados de combate" armazenados em chips holográficos dentro delas.
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Os inimigos podem lhe dar uma "mãozinha", literalmente
Há armas secundárias, como um lança-foguetes que é útil para despachar inimigos distantes, mas a estrela é mesmo a espada. E os dois modos de jogo proporcionam um pouco de variedade à ação: se estou cercado de inimigos posso despachá-los rapidamente com combos. Se enfrento apenas um ou dois posso me dar ao luxo de entrar no Blade Mode e ser mais, digamos, "criativo" nos ataques. Aliás, além dos inimigos é possível fatiar itens do cenário, como árvores, portões, caixas e cercas, e até cortar os pilares de pontes para derrubar os inimigos que estão sobre elas.
Coisa de cinema
Metal Gear Rising: Revengeance segue a tradição de apresentação "cinematográfica" dos outros Metal Gear, com gráficos e sons excelentes. A história grandiosa se passa no futuro e envolve uma corporação paramilitar (PMC) chamada Desperado que usa ciborgues para perpetuar a guerra, garantir sua existência e acumular poder.
A rivalidade entre Raiden e Samuel Rodrigues, um dos principais soldados da Desperado, é o ponto central, bem como a luta de Raiden para suprimir instintos de seu passado, quando sua violência como soldado-mirim lhe rendeu o apelido de “Jack, o estripador”. E o Raiden de Revengeance, um ninja cibernético altamente letal, é muito diferente do jovem recruta inseguro de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty. Mas nem tudo é sério: o típico humor da série, como as caixas de papelão para se esconder dos inimigos ou as revistas pornô para distraí-los, também está presente.
Tudo se desenrola através de belas animações entre as fases e constantes conversas via CODEC (uma espécie de comunicador) entre os personagens. A história se sustenta sozinha: não é necessário ter jogado os outros Metal Gear para compreendê-la, embora isso ajude a colocá-la dentro de um contexto muito maior. Além de jogar, Revengeance é um jogo que vale a pena assistir, de preferência com um balde de pipoca do lado.
A influência cinematográfica se estende também à jogabilidade: combos são frequentemente finalizados com ângulos de câmera e movimentos coreografados dignos de um filme de John Woo, e a sensação de "Uau, eu fiz isso?!?" é constante, empolgando o jogador. As batalhas contra os chefes, extravagantes soldados de elite da Desperado com nomes como Mistral, Moonsoon, Jetstream e Sundowner, são um show à parte.
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As batalhas épicas contra chefes como Mistral (à esquerda) são um ponto alto do jogo
Aliás, é nas batalhas contra os chefes que o principal ponto fraco de Revengeance fica evidente: a câmera pode "se perder" durante a ação, e você vai sofrer com os ataques de um inimigo que não consegue ver porque ela está apontando para o lado errado. É irritante, mas não é o suficiente para estragar o jogo.
Em bom português
Vale a pena citar o excelente trabalho feito pela Konami ao adaptar o jogo ao nosso idioma: todos os menus, indicadores, descrições de itens e sistema de ajuda estão em Português, e as animações entre as missões e conversas entre personagens são legendadas. A tradução foi bem-feita: até mesmo trocadilhos e expressões idiomáticas foram corretamente adaptados para nossos equivalentes, em vez da tradicional tradução "ao pé da letra" e sem sentido que às vezes é encontrada em outros jogos.
Honrando o nome
No final das contas, Metal Gear Rising: Revengeance faz jus ao nome que carrega. É um “Metal Gear” diferente, é verdade, mas tem todas as características que tornaram os outros jogos da série um sucesso, e mostra que em boas mãos ela pode continuar mesmo sem a intervenção direta de seu criador, Hideo Kojima, ou sem uma das muitas encarnações do protagonista Snake. Quem já acompanha a série tem mais um ótimo jogo para curtir, e quem não conhece pode acabar descobrindo um novo favorito.
Agora me dêem licença, que tenho mais algumas mãos a cortar.
Serviço
Metal Gear Rising: Revengeance está disponível em versões para o Xbox 360 e PlayStation 3. Analisamos a versão para o Xbox 360. Segundo a Konami, o preço sugerido para ambas as versões é R$ 199.90.