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domingo, 23 de junho de 2019

Democracia em Vertigem - Igual os governos PTstas: Uma oportunidade perdida.



Site oficial: https://democraciaemvertigem.com/

Democracia em Vertigem estreia na Netflix em 19 de junho de 2019.



Um alerta em tempos de democracia em crise. Neste retrato de um dos períodos mais dramáticos da história do Brasil, o político e o pessoal estão entrelaçados. Através de relatos de seu complexo passado familiar e acesso sem precedentes a líderes do passado e do presente – incluindo os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, a cineasta Petra Costa (Elena) analisa a ascensão e queda desses governantes e a consequente polarização de uma nação.


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Assisti hoje pela NetFlix o documentário Democracia em Vertigem.
Já tinha assistido o Documentário O Processo que tem como tema o Impeachment da Dilma.

Esse agora é mais ambicioso, tenta abranger o período de 2002 a 2018, apenas concentrando no Impeachment, mas não só nele. Ainda tem uma introdução à carreira do Lula no movimento sindical em Bernardo do Campos e ainda algumas palavras sobre Jucelino Kubicheck e Jango.

Esse filme bem menos cansativo, mais dinâmico e completo que O Processo tem muitos méritos. 

Por exemplo ele devolve a frase "Fazer um acordo com o supremo e com tudo" para a boca do Romero Jucá, coisa que dependendo das imagens do NetFlix e do cineasta José Padilha era uma frase do Lula. Ele chega a citar que o Sérgio Moro teve treinamento nos EUA e que a Petrobrás foi espionada. Menciona que a Dilma baixou os juros reais e causou uma raivinha no mercado financeiro. Chega a emocionar principalmente com trechos do discurso inicial da Dilma naquela seção de defesa o Senado e do discurso do Lula no dia anterior a sua rendição à polícia Federal.

Impeachment - Sessão Extraordinária - 29/08/2016

DISCURSO DE LULA NO SINDICATO DOS METALÚRGICOS DO ABC


Porém, sempre tem um porém, o considero bastante incompleto. Assim como os governos PTstas, foi bom, mas poderia ter sido tão melhor que acabou sendo uma oportunidade perdida.

Os EUA estiveram envolvidos no golpe de 2016 somente em 45segundos do documentário.

Da mesma maneira o Oligopólio Cartelizado dos Bancos só receberam o dedo na cara por 1 minuto e meio.

Ela cita que os "governos de esquerda" assim como os "governos de direita" envolveram-se com o Oligopólio Cartelizado das Empreiteiras. E até mostra o Lula meio que arrependido de não ter feito a tal "democratização dos meios de comunicações". Mas perde a oportunidade de dizer que a aproximação mais perigosa dos nossos governos de direita e esquerda é com o Oligopólio Cartelizado dos bancos que financiam o  Oligopólio Cartelizado dos meios de comunicação. Talvez a história de vida da diretora,que vem de família de empreiteiras faça que ela veja a história por esse ângulo...

O Documentário mostra a posse de Dilma com o Michel Temer não a vontade ao Lado de Dilma e Lula, vai narrando que a presença dele alí era uma exigência do PMDB para fazer parte da chapa... Nenhuma mentira. Mas esquece de citar qual seria a escolha do Lula caso o PMDB não exigisse que o Temer fosse o vice:

Lula defende Henrique Meirelles como vice de Dilma em 2010

Lula insiste em Meirelles para vice de Dilma
  

Alias, sobre o Henrique Meirelles, ele aparece no documentário em alguns segundos, foi quando mostravam os primeiros dias após aquele Circo de horrores do dia 17/04/2016 e a narração dizia: "personagens de direita passaram a frequentar o ambiente..." E lá estava o Henrique Meirelles sorridente andando nos corredores de Brasília... Esse momento foi o que me deixou mais incomodado em estar vendo o documentário. Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central do governo Lula do Primeiro ao último dia do mandato do ex-presidente-atual-presidiário-Lula.

A oportunidade perdida mais clara, foi ao citar o Juscelino Kubitschek num mesmo documentário que mostra a prisão do Lula, sem mostrar que lá em 64 o Jucelino foi condenado devido uma reforma em seu apartamento, pois o juiz da época julgou que empreiteiras que ganharam muito dinheiro no mandato do JK deram a ele como propina a reforma; que esse julgamento era só um pretexto para retirar o JK das eleições que iriam acontecer em 65 e que em 68 todo o processo foi anulado por falta de provas.


Talvez seja apenas a minha sede de ver as coisas nubladas no Brasil sendo melhor explicadas e/ou mostradas. Quando falou sobre as "irregularidade contábeis"/ "pedaladas fiscais" e os decretos de créditos suplementares  desculpa do golpe o documentário não explica porque não são crimes. E deveria ser explicado por dois motivos: primeiro porque eu percebo que ninguém na sociedade sabe explicar o porque esses casos são crimes ou não. Segundo porque ao entender esses dois casos passaremos a entender quem é que realmente manda no Brasil


Para complementar o documentário sinto a necessidade de explicar o que eu conheço dos fatos:

Sobre as Pedaladas Fiscais, que foi o atraso do repasse da Equalização de juros ao Banco do Brasil no Plano Safra. 

A grande dúvida é se essa equalização de juros é uma operação de crédito ou não. 
Para responder essa pergunta temos que entender a operação de equalização de juros. 
Para entender o que são essa equalização de juros temos que entender o que são as Operações compromissadas e a Taxa Selic. Como Operações compromissadas é um assunto proibido em toda a mídia tradicional e também nos "Blogs sujos" (como fala o PHA).

Vou resumir a história:
Taxa Selic é a taxa de juros pago pelo Banco Central Brasileiro ao bancos remunerando o valores que os Bancos mantém no Banco Central.
Operações compromissadas são títulos que o Banco Central emite e leiloa para os bancos, começando o leilão com a taxa SELIC como piso, mas podem ser maiores.
O Banco Central remunera esses títulos com dinheiro vindo dos nossos impostos.
Operações compromissadas representa um quarto da dívida pública do país.
Existir operações compromissadas que remunera com garantia do estado para qualquer banco a taxa SELIC faz com que empréstimos para empresas e/ou pessoas físicas com juros menor que a Taxa SELIC seja prejuízo para o banco.


Acontece que a taxa SELIC brasileira é a maior taxa de juros em termos reais do mundo civilizado, sem concorrente no mundo com o segundo lugar sendo a metade da nossa. Essa taxa de juros é impraticável para qualquer atividade agrícola, pois o preço de commodities agrícolas é um preço muito baixo e não tem taxa de retorno maior ou igual a taxa SELIC, o que inviabiliza qualquer empréstimo a atividades agrícolas por qualquer banco. 

O crime para a sociedade é existir as operações compromissas. Elas que deveriam não existir.
Ao invés de concertar esse privilégio aos bancos, o governo do Fernando Henrique Cardoso inventou uma forma de co-existir as operações compromissadas e empréstimos para o setor agrícola.

Inventou o tal a Equalização de juros. O Plano Safra funciona assim:

Num exemplo fictício, um certo produtor agrícola pessoa física ou jurídica pega um empréstimo no Banco do Brasil, com uma taxa suposta de juros: 6% ao ano.
Nessa época taxa SELIC  vale 14% ao ano.
Portanto o Banco do Brasil se emprestar o dinheiro para o produtor agrícola estaria perdendo 8% ao ano, pois se não emprestar ele faria uma operação compromissada e ganharia (nas costas dos impostos pagos pelos brasileiros) 14% ao ano.
Então a ideia do Fernando Henrique Cardoso(ou melhor, da sua equipe econômica) foi a de prometer ao banco do Brasil que para cada empréstimo ao setor agrícola a diferença entre o valor pago pelo agricultor e a taxa SELIC seria bancado pelo dinheiro do tesouro.

Percebam:
Banco do Brasil empresta R$100.000 para o Agricultor.
No final do ano o Agricultor paga R$106.000   ao banco que lucra R$6000 nessa operação.
Esses lucros representaram em 2014 22% do lucro total que o Banco do Brasil teve.
E após essa operação lança-se um valor de R$8.000 de débito do Banco Central ao Banco do Brasil para equalizar o juros pago pelo agricultor ao banco.

Quero enfatizar que não houve transferência ou empréstimo de R$8.000 do Banco do Brasil para o Banco Central. A dívida foi gerada devido a uma promessa do FHC de que dinheiro do tesouro vai complementar o lucro que o banco teve ao emprestar dinheiro para agricultor. 

O débito da equalização do plano safra ultrapassou no governo Dilma os 50 Bilhões.
Isso significa que no governo Dilma o estado brasileiro deixou de complementar o lucro bancário em 50 Bilhões e esse dinheiro deixou de sair do tesouro nacional.

E isso mostra quem manda no Brasil: se você é presidente e deixa de tirar dinheiro da população  para passar para banco, então o presidente cai mesmo!

Todo o discurso acusatório durante aquela seção do senado onde a Dilma apareceu para a sua defesa inverte essa situação: Diziam que o governo desviou 50 Bilhões dos cofres da união.


Sobre os decretos de créditos suplementares:
Esses decretos de créditos suplementares funciona como um remanejamento de despesas levando em consideração o primeiro planejamento enviado no início do ano, quando ainda não se tem arrecadação executada ainda, apenas previsão de arrecadação.

Ao aumentar uma certa despesa é necessário ou indicar outra despesa que deixa de ser executada ou uma receita que foi previsto uma arrecadação e foi executado uma arrecadação maior do que previsto.

Portanto não houve aumento de despesa com esses decretos. Pelo contrário.
O valor arrecadado executado no ano de 2015 foi 150 bilhões a menos do que estava previsto no início do ano. Portanto era necessário alterar a execução das despesas pois as receitas recebidas foram bem menores que foi planejado no inicio do ano.
Houve naquele ano o maior contingenciamento da história do governo brasileiro.
80 bilhões foram reduzidos na execução comparado com o planejado.
Mas não foi suficiente.
Era necessário não gastar com a população mais ainda para pagar a divida pública mais do que foi pago.

Por isso que eu digo que É tudo um assunto só!  

O documentário não citou essa necessidade de privilegiar o pagamento da dívida pública como ponto central nas acusações à Dilma.
Não colocou como centro também o Oligopólio Cartelizado dos Bancos e não colocou o império americano e seu interesse no pré-sal brasileiro como outro centro no golpe de 2016. 

Isso apareceu em alguns segundos. mas não foi dado a centralidade que houve na realidade.

Mas é um documentário poético.
Dá para chorar um pouquinho...
Menos do que choramos ao saber da realidade dos fatos. 
Mas vale a pena ver. Como entretenimento. Para entender a realidade brasileira eu recomendo muito mais Dedo na Ferida do Silvio Tendler


Ou Soberania na corda bamba, que você encontra aqui:

A dívida pública brasileira - Quem quer conversar sobre isso? 


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Ajuda para você entender o "Democracia em Vertigem".

Aqui o Filósofo Paulo Ghiraldelli  sugere quatro livros para entender o caracter incompleto do documentário:

1) A valsa brasileira - Laura Carvalho ;
2) Era do capital improdutivo - Ladislau Dowbor ;
3) Em busca do desenvolvimento perdido - Breeser Pereira  ;
4) Democracia X Neoliberalismo - Saad Filho.


O "A Era do capital improdutivo" de  Ladislau Dowbor eu já tenho um Post dedicado ao livro:

Outras análises do Filme:
Henry Bugalho:

Algumas considerações sobre o documentário "Democracia em Vertigem" de Petra Costa.
Enfim, o que aconteceu com o Brasil?!



Filósofo Paulo Ghiraldelli:


Achei que o comentário sobre o José de Alencar uma injustiça de sua parte. Por anos o José de Alencar ficou gritando solitário contra a política econômica do governo Lula, ele era de uma turma do lado do capital produtivo e não do capital especulativo.
O José de Alencar pegou câncer de tanto pedir para o governo agir para baixar a taxa Selic.

Menina que comprava livros:
DEMOCRACIA EM VERTIGEM ???? Análise do documentário



O Brasil Que Deu Certo:
Democracia em Vertigem é o documentário brasileiro mais importante da década



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