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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Oração - A banda mais bonita da cidade - Desafio "uma música por dia"!


Oração.
É a última, vou parar de encher o saco... 

Comecei lá na ditadura, década de 60/70. Passei pelos anos 80, 90, início do século, presente... 
O próximo passo é o futuro. 
Essa escolha representará todas as músicas que ainda não ouvi e vou gostar... 
Talvez seja uma escolha injusta por falta de concorrência... 
Mas aqui não estou atrás de justiça... Cometi varias injustiças nas escolhas anteriores... 

Como escolher uma música para representar o futuro? Como adivinhar o que, ou quem fará musicas que vou gostar de ouvir? O critério que escolhi escolhi foi simples: minha última paixão. É com a última paixão que nos planejamos o futuro... 

Eu poderia trapacear um pouquinho e mostrar o Djambe, minha penúltima paixão com "quanto vale?" música sobre a tragédia de Mariana, ou para jogar para a galera escolher minha antepenúltima paixão, que é a Clarisse Falcão, vedete na internet... 

Mas preferi ser justo e escolher a última paixão mesmo...

Essa turma é do Paraná, chama-se "a banda mais bonita da cidade". É uma novidade antiga. 
Olha só quantas visualizações que ela já tem?! 17 milhões chegando aos 18!!
Hoje com a velocidade do nascimento de informações, um clipe lançado em 2011 já está velho e carcomido. 

Mas eu só fui ver recentemente... 
Aí você vai me perguntar:
-Cara, você tão antenado no mundo musical, em que mundo você estava, já que de 2011 para cá já houve quase 18 milhões de visualizações e você não tinha visto?! 

A resposta é simples: 
Entrei no mundo da galinha pintadinha, palavra cantada, cantiga de rodas,Peppa Pig, vingadores... 

E onde encontrei essa galera? Eu os encontrei porque eles aceitaram o convite de um antigo colega de shows do Engenheiros do Hawaii para participar do projeto "Espelho Retrovisor", um Cd em homenagem aos 30 anos dos Engenheiros do Hawaii, vários artistas, a maioria nova safra da música nacional, regravaram uma música do Humberto Gessinger e fizeram um tributo... 

Qualquer participante desse CD é um candidato potencial para gravar uma música que vou gostar no futuro (ou já gravaram e estão esperando eu escutar..) 

A música regravada pela "A banda mais bonita da cidade" foi Pose (Anos 90). 
Cheguei ao ponto de partida... 
Dei uma volta temporal e geográfica para retornar ao ponto de partida... Fiz um loop...

Essa música entra em um loop infinito. 
Isso significa que se você começar a canta-la só vai parar quando e se quiser...

Representa o futuro também pela forma que conheci o clipe. Como era no passado: você esperava chegar o domingo a noite, ligava no fantástico e assistia a última produção de clipe do artista que a Globo quer divulgar... 

Como será no futuro? O clipe será produzido e ele ficará esperando você terminar o que estiver fazendo para assistir... Você pode acabar de lavar as vasilhas ou ficar quatro anos cuidando de criança, quando você terminar o clipe estará lá te esperando.. 

E se tiver curiosidade, lá nos créditos estará um dos produtores contando detalhes e bastidores da produção... É assim que será o mundo livre do "mainstream". 

A palavra correta é: Democrática.
No futuro não podemos abrir mão disso: democracia. 
Pelo contrario temos é que afundar mais e mais na democracia, numa melhora continua... 
Melhora infinita... 
Retroceder jamais...
Essa é a oração que faço...

Se você começou lá no Pose(Anos 90) e chegou até aqui não sei se te agradeço ou peço desculpas... :-)


Oração
A Banda Mais Bonita da Cidade
Compositor: Leo Fressato

Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O mundo - André Abujamra(Karnak) - Desafio "uma música por dia"!


O mundo.  

Escolhi essa música no lugar de Paciência (Lenine). Está representando os dias atuais.


A música tem mais de vinte anos(foi gravado em pela primeira vez em 1995), mas Parece que foi escrita ontem baseada em fatos da semana passada. 
O mundo está doente. Estamos numa época de intolerância religiosa, política, de gênero, de preferências, de raça e luta de classes sociais constantes... 
O homem que morre, o homem que mata... 
Estamos nos matando e matando o planeta... Outro dia foi um rio que morreu...

Essa representa o nosso presente tanto na letra quanto na forma . Isso é Rock? É MPB? É hibrido? Hoje os rockeiros sobem no palco com uma viola caipira e uma sanfona e fazem um sucesso danado... Os MPBista montam suas bandas com Guitarra-Contrabaixo-Bateria e fazem o mesmo sucesso. 

Tudo se mistura, a união ao invés da segregação é a palavra.

O falecido programa agora é tarde da bandeirantes, deixou de ter a apresentação de Danilo Gentille e a participação de Ultraje a Rigor, para ter a apresentação de Rafinha Bastos e a participação do Karnak. A diferença de qualidade entre Karnak e Ultraje a rigor é. A mesma diferença  entre a inteligência de Rafinha Bastos e Danilo Gentile...

Karnak, do André Abujamra, filho do recentemente falecido ator/jornalista Antônio Abujamra(apresentou com muita inteligencia o programa de entrevista "Provocações"). Karnak foi(ou é?!) uma banda de rock única que passou os anos 90 bem a sombra dos "grandes", com um sucesso marginal... 

Inteligência, com doses de humor na medida certa e arranjos inconfundíveis. Virou cult.

Participam dessa épica regravação Paulinho Moska, Zeca Baleiro, Chico Cesar e Lenine. Mas já teve diversas regravações como Pedro Luiz, Ney Matogrosso, Nono Osso, Vange Milliet e mais um monte de gente... Eu poderia fechar os olhos e escolher umas das versões... Tem uma regravação do José Miguel Wisnik, mais Karnak, com participação de Luiz Tatit, Ná Ozetti, Arnaldo Antunes e mais um bando de outros paulistas, junto com uma Orquestra Sinfônica, que é inigualável.

Os quatro que participam da gravação estão no grupo dos chamados "Cantautores". Portanto escolhi a música também para representar Nei Lisboa, Vander Lee, Max Gonzaga, Jorge Drexller... 
Esse formato que sempre existiu, mas ganhou força atualmente pela facilidade de produzir e distribuir sua própria obra... E deixou a música um pouco mais independente do "MainStream" das grandes gravadoras, das grandes corporações...

Voltarei a esse assunto amanhã... No último post da série... (já que era para ser 7 e já estou no 8°)



O mundo.  
André Abujamra (Karnak) 


O mundo é pequeno pra caramba
Tem alemão, italiano e italiana
O mundo filé milanesa
Tem coreano, japonês e japonesa

O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfiha de carne
Tem nego do Zâmbia, tem nego do Zaire

O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
O açúcar é doce, o sal é salgado

O mundo caquinho de vidro
Tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata, o homem que mente

Por que você me trata mal
Se eu te trato bem
Por que você me faz o mal
Se eu só te faço o bem

Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas

Everybody is filhos de God
Só não falamos as mesmas línguas
Everybody is filhos de Ghandi
Só não falamos as mesmas línguas

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Um ponto Oito - Pato Fu - Desafio "uma música por dia"!



1.8: Essa aqui eu escolhi no lugar de "Perfeição" e "Faroeste Caboclo" (Legião Urbana) "Gita" e  "Tente outra vez" do Raul Seixas, "Pela paz" do Titãs. Dentre outras do nosso BRock...

A música é de 1999, mas está representando uma janela temporal que vai dos anos 80 até os dias atuais, portanto fica meio fora da sequencia cronológica.

Quando falei que tinha escolhido 10 músicas, depois eu me mutilei para cortar uma e ficar com 9, o corte foi o seguinte: 
Eu tinha decidido escolher uma representando o BRock e uma representando o Rock mineiro. 
Como o rock mineiro faz parte do BRock, decidi juntar, escolher um Rock mineiro que representando todo BRock... 

Mas e o Raul? Bom, Raul e Pelé não entram em eleições, são "Hors concours". 
E o Cazuza?!  E o Renato Russo?! 

Bom, o Pato Fu representa bem, antes de morrer o Renato Russo ao responder sobre uma boa banda de rock nacional fora eles, e ele não teve dúvidas: Pato Fu. 

Ela vai representar todos aqueles que assisti no Pop Rock Brasil entre 1996 e 2006, onze edições que não perdi nenhum...(para não ser mentiroso não fui no segundo dia daquele ano que o primeiro era o rock e o segundo era Axé) 

E fazendo a minha contabilidade, nos meus 15 anos de "carreira", entre 1991 quando fui ao primeiro show de rock sozinho até 2006 quando comecei a "quetar o faixo", a banda que mais me fez sair de casa para ir assistir um show, (depois de Engenheiros do Hawaii) foi o Pato Fu. 

Varias vezes bati a cabeça ao som de Licitação! (Nana...Nananana!!...)

E que casal nota mil! A Fernanda Takai também como jornalista/colunista, o John Ulhôa com compositor e produtor artístico...São demais!

Para mim, nosso BRock já produziu quatro imortais: o Raul Seixas, o Cazuza, o Renato Russo e o Humberto Gessinger. 

Cada um deles merecia ter uma música escolhida aqui. O único vivo e produzindo até hoje é o Humberto (anunciou no seu blog outro disco de inéditas a ser produzido esse ano e lançar ano que vem...) Os outros três foram vítimas de suas rebeldias e se foram jovens demais... 
O Raul um pouco mais velho, mas teria mais vida pela frente se fosse um pouco mais careta... 
(O Paulo Coelho está por aí até hoje...) 
Já imaginou o Renato Russo, que aos trinta já tinha tanta cultura e sem internet, aos 60 escrevendo livros?!... 
Portanto, como já tinha adiantado no Pose(anos 90), vou colocar nas costas do único imortal ainda vivo e escrevendo livros para representar os quatro. 
Não sei se ele tem ombros para suportar tamanha carga...

E o restante das bandas de rock brasileiro, que me fizeram rockeiro (ao invés de sertanejo, pagodeiro ou fankeiro) como Titãs( e seus rebentos), Barão Vermelho, Biquíni Cavadão, Nenhum de nós, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Plebe Rude, Skank, Lulu Santos, Rita Lee, Mutantes, Secos e Molhados, Hanói Hanói, Uns e outros...  E até Lobão e Ultrage a Rigor, porque não?  
Todos aqueles que borbulharam e se entornaram nos anos 80, todos esses estão representados pelo Pato Fu. Também não sei se possuem ombros fortes para suportarem a carga... 
Percebo que escolher 1.8 é tão injusto quanto deixa-la de fora...  

Essa historinha sobre um atropelamento, sobre como o amor mata, sobre como a tecnologia mata, mas na verdade, quando nos fechamos no nosso mundinho com amortecedores estáveis e ar condicionado, alheios ao nosso redor, o resto já estava mortos para nós, só não temos coragem de admitir... 

Uma música que estava na listagem (quando ainda sobrava as quinze melhores ) era "Classe média" de Max Gonzaga, que toca nesse assunto... Escutem depois... 

E também nesse grupo vou colocar o Gabriel o pensador, que não consigo coloca-lo em nenhum  grupo com representantes parecidos com ele, "Dentro de você" é a música que mais gosto dele.



Um ponto Oito 
(Pato Fu)

Dentro do meu carro
A estabilidade
Me faz acreditar
Que está tudo bem
Tudo em seu lugar
E logo me esqueço
Tudo tem seu preço
Aumento a velocidade
E atravesso a cidade
Sem pensar
Sem pensar
Sem pensar
Sem pensar
Em mais ninguém
A não ser em quem gosta de mim
Me esqueci numa curva que fiz
Tão veloz que o amor
Não morreu por um triz
Não morreu por um triz
Mas naquela estrada
Naquela madrugada
Acho que matei alguém
E no mesmo instante
Morri um pouco também
Fui até ao rapaz
Que ainda vivia
E vendo ele morrer
Sem saber o que fazer
Segurei sua mão fria
Vi que era pobre
Moço sem instrução
Cheirava a pinga barata
Uma aliança no dedo
Talvez fosse um ladrão
Ajoelhei-me ao seu lado
Me disse o atropelado:
Fiquei com a pior parte
De tudo o que é chamado
Civilização
Devolva este anel
Pra dona daquele bordel
Foi lá que eu roubei
Diga pro dono do bar
Que minha conta encerrei
Silenciou de repente
Gemeu como um cão
E sobre o asfalto quente
Seu sangue escorreu suavemente
Todo pelo chão
Olhei a cidade
Olhei pro meu carro
Voltei a correr
Pensei em fugir
Quis não mais viver
Quis não mais viver
Com mais ninguém
A não ser com quem gosta de mim
E esqueci numa curva que fiz
Tão veloz que o amor
Não morreu por um triz
Não morreu por um triz
Olhei a cidade
Olhei pro meu carro
Voltei a correr
Pensei em fugir
Quis não mais viver
Quis não mais viver

Quis não mais viver

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A outra cidade - Makely Ka - Desafio "uma música por dia"!




Avançando no tempo, chegamos nos início da primeira década do milênio. 
Já fora da faculdade e afastado do circuito universitário, tentava  atualizar-me das novidades musicais nos diversos eventos pela cidade, por exemplo a Conexão Telemig Celular (as primeiras edições participou boa parte daquela galera que conheci no circuito universitário). 

Um dos eventos mais marcantes foi na ASMARE, onde conheci a chamada "Geração Reciclo". 
Eram shows no pátio da ASMARE ao final da tarde, quase noite... Participaram entre outros Marina Machado e Erika Machado, Dudu Nicacio e Leopoldina, Titane, Makely Ka, Pablo Castro e Kristoff Silva. 

Titane é uma cantora (quase)conterrânea de minha mãe de Oliveira a muito tempo na estrada, assim como eu também se apaixonou pela geração reciclo  gravou um CD dedicado a essa turma ( CD Ana).  Eu a conheci com o CD "inseto raro" que encontrei na casa da minha tia(irmã mais velha da minha mãe). Um dos melhores CDs de música mineira da história! De um desses CDs mereceria ter uma música escolhida como favorita, por exemplo felicidade ou uma confábula.  

No CD "Inseto raro" tive o primeiro contato com um cara chamado Luiz Tatit. Um professor de música paulista que nas horas vagas canta, toca, compõe e participa de um grupo chamado Rumo.  

 O grupo cobra coral hoje formado por Flávio Henrique,  pedro moraes, Kadu Vianna e Mariana Nunes tem origem de conexões feitas na ASMARE.   Um desses mereceria que eu escolhesse uma música favorita, como pássaro Pênsil, de Flavio Henrique. Mas escolher uma música dele iria parecer puxassaquismo, agora que ele virou presidente da rádio Inconfidência. (o que seria mentira, pois acompanho sua trajetória desde aquele CD com Amaranto e Marina Machado) 

Makely Ka era referenciado, era como um líder para todos. Ele formou com Pablo Castro e Kristoff Silva um trio denominado "A outra cidade" e lançaram um CD com esse nome. 
Outro CD histórico/épico, outro que é um dos melhores CDs de música mineira da história. 
Uns quarenta convidados. Desse CD mereceria que eu escolhesse uma música ente as minhas favoritas. 

O trio era excelente pois um completava o outro: 
O Makely Ka canta, toca, mas seu forte mesmo é a compor. 
O Pablo Castro compõe, toca, mas seu forte mesmo é cantar. 
O Kristoff Silva canta, compõe, mas seu forte mesmo é tocar. 

Toda essa galera talentosa tem uma coisa em comum: fizeram suas carreiras de sucesso sem utilizar o "mainstream", sem ter músicas em novela, sem pertencer a gravadora da Globo ou Record. Utilizaram mídias alternativas. Lembro de um show da outra cidade que começou assim: o Makely dizendo que só divulgou a data e local do show virtualmente e estava com medo de  ter um público virtual. 

O Makely fundou e presidiu uma organização de músicos com o objetivo de divulgar e cuidar da carreiras dos músicos fora da mídia tradicional. Portanto ele é o que melhor representa essa galera talentosa, de sucesso que estão fora da TV oficial... 

Por tudo isso ele é o que melhor representa a "Geração Reciclo", todos os convidados do CD "A outra cidade", os componentes da Cobra Coral, todos os homenageados com no CD Ana, Titane, Luiz Tatit, Na Ozzetti, grupo rumo e todos seus parceiros... 

Escolhi então "A outra cidade" música que deu nome ao trio e ao CD, mas que ficou de fora do CD. Música essa que é um soco no estômago, chega a dar ânsia de vômito... Makely Ka é  piauiense, mas essa música foi feita para o belorizontino, que conhece o ribeirão Arrudas e seu cheiro, o mercado central, o parque municipal e todos os bairros da cidade citados por ele...




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Arreio no Lombo - Nono Osso - Desafio "uma música por dia"!



Avançando um pouco no tempo, chegamos na metade final dos anos 90, próximo da virada do século, eu estava na faculdade, no início de um semestre quando organizam-se shows em calouradas para receber "bem" os novos alunos, normalmente participam bandas que estão entrando agora no circuito... 

Um dos shows que vi era de uma banda chamada "Flor de cal". Apaixonei-me pela apresentação do grupo, que faziam performance teatrais e jograis a cada música nova ou clássicas do Rock/MPB. Foi uma e só uma apresentação que vi, não tenho registros em vídeo ou fotos( isso não era tão comum no milênio passado) mas tenho gravado na memória... 

Continuei indo nas calouradas, conhecendo bandas no inicio de carreira, a que chegou mais longe foi o Tianastácia, a música que mais gostava deles era Jesus Cristino, (música que eles esqueceram no primeiro CD demo/independente). 

A banda que mais gostei e acompanhei na época foram os Zippados, do Gustavo Ziller, outros que era quase teatral suas apresentações, participaram da mesma eliminatória para o Pop Rock de 98 vencido pelo Tianastacia, e torci muito para os Zippados... O Ziller era da rádio Savassi e produtor musical, fui em muitos shows no falecido Lapa multishow produzido pela radio e também "o dia do rock" na praça da savassi... Inesquecíveis. 

Outros que conheci na época: Serpente, Bauxita, Virna Lise, Código B, Cálix, Nono Osso, Amaranto ( primeiro com um Cd de musicas do Djavan que um colega colocava para ouvirmos enquanto estudávamos, depois num apaixonante show junto com Flávio Henrique e Marina Machado). 

Daqueles grupo Flor de cal nunca mais ouvi falar apesar de procurar saber deles... Por um tempo fiquei fã do Amaranto sem saber o destino do flor de cal, até o show no palácio das artes de lançamento do Brasileirô terceiro disco do amaranto. Lá as irmãs contaram sobre o grupo que montaram na época e finalmente minha ficha caiu... 

Daquele grupo saiu componentes para as bandas Amaranto, Nono Osso e Cálix, além de gerar histórias de amor, casamentos, filhos...

Para representar essa minha rica época universitária poderia escolher várias musicas, desses vários personagens... Essa Arreio no Lombo, de Serginho Starling, showman do Nono Osso é de 2005, também fui no show de lançamento do CD, esse no teatro do Marista Hall.

É uma música que mostra uma realidade dura, no seu auge faz uma pergunta muito difícil de se responder, não dá para explicar num post de Facebook: 

"Me diz por que o Brasil é de tão poucos? Porque?? 


Lembrei-me dela quando vi essa charge sobre o desastre em Mariana e o Terror na França... 

Um olho brasileiro chorando lama, um olho francês chorando sangue: 

...Sangue... 
...Lagrimas... 

Assim começa a música! 

...E seus amigos porcos se apagam na lama...

Assim diz uma frase no meio da música!

Não tinha vídeo da musica no YouTube, tive que colocar eu mesmo... 
Desculpe-me o amadorismo...

Amanhã vou colocar uma música de um Piauiense que trabalhou uns dois anos na Samarco naquela região de Mariana... 




Arreio no Lombo
(Serginho Starling)

Sangue...
Lágrimas...
Terra...
Vida...
Imundas roupas...
Poucos levam...
Muitos Ficam...
Todos...

É muito pouco para a boca do povo
E muito povo para para a boca dos pouco(s)
Tem muito jegue sentado no trono
E o bicho-homem com o arreio no lombo
A terra seca ardendo até os osso(s)
Pimenta malagueta refrescando os óio (olhos)
Pá, picareta, enxada, foice, ao alto
Na terra plantei meu sangue, morro nela então!

Os super-jegues entram para a história
E seus amigos porcos se apagam na lama
E para mudar o rumo dessa prosa
Eles que amaram o bode-velho e a cabra na cama
Mas os olhos gritam a realidade
E a justiça cala com sua verdade
Porque se alguém bulir com os reis do ouro
Levam um pipoco na testa
E é assim que é o jogo!

Nesse mundo de pé grande,
Tamos juntos com as baratas,
que se arrastam pelos cantos,
comendo todas as migalhas.

Nesse mundo de peixe grande,
Tamos juntos com as minhocas,
que se arrastam pela terra,
fugindo do pé da enxada.

E no anzol querem nos enfiar!
Comprando o povo com farinha.
E me diz porque o Brasil é de tão poucos?!
Porque?!?!

É muito pouco para a boca do povo
E muito povo para para a boca dos pouco(s)
Tem muito jegue sentado no trono
E o bicho-homem com o arreio no lombo
A terra seca ardendo até os osso(s)
Pimenta malagueta refrescando os óio (olhos)
Pá, picareta, enxada, foice, ao alto
Na terra plantei meu sangue, morro nela então!

Nesse mundo de peixe grande,
Tamos juntos com as minhocas,
que se arrastam pela terra,
fugindo do pé da enxada.

Nesse mundo de pé grande,
Tamos juntos com as baratas,
que se arrastam pelos cantos,
comendo todas as migalhas.

E estão querendo nos esmagar!
Comprando o povo com o seu real.
E me diz porque o Brasil é de tão poucos?!
Porque?!?!

Os super-jegues entram para a história
E seus amigos porcos se apagam na lama
E para mudar o rumo dessa prosa
Eles que amaram o bode-velho e a cabra na cama
Mas os olhos gritam a realidade
E a justiça cala com sua verdade
Porque se alguém bulir com os reis do ouro
Levam um pipoco na testa
E é assim que é o jogo!

Sangue...
Lágrimas...
Terra...
Vida...
Imundas roupas...
Poucos levam...
Muitos Ficam...
Todos...

Muito Pouco(s)...
Muito Povo...
Muito Pouco(s)...

Muito Pouco(s)...
Muito Povo...
Muito Pouco(s)...

Porque?!?!?!?!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sem fantasia - Chico Buarque - Desafio "uma música por dia"!


Chegamos aos anos 90. 

Essa música escolhi no lugar de Construção/ Deus lhe pague, Cálice, Roda Viva ou O que será (Chico Buarque). Está representando toda discografia desse compositor, que mesmo aqueles opositores de sua posição política dizem: ele é um merda, apesar de suas músicas serem boas. 

Sempre digo que o Chico é compositor e não cantor/intérprete, suas música são melhores executadas na voz de outros artistas, mesmo as originais na voz do Chico as melhores são aquelas em que ele está acompanhado do Milton Nascimento ou MPB4. 

Escolhi essa versão do Oswaldo Montenegro para mostrar essa minha opinião. A voz do Chico não aparecerá nessa difícil escolha de 7 "preferidas" (serão 9!) .

Essa música é de 1968, disco "Chico Buarque De Hollanda Vol.3", na gravação original cantava o Chico e sua irmã... Gravação original em disco, porque o original mesmo era a versão com Marília Pera & Rodrigo Santiago pois a música fazia parte da peça Roda Viva, primeira peça de teatro escrita pelo compositor (primeira de muitas, já vi algumas peças dele, essa só li o roteiro...).
Marília Pera ou Marieta Severo?! Ah... sei lá... uma das duas...
(Alguém conhece a história? Então conte...)

Escolhi Oswaldo Montenegro. Poderia ser outro pois vários artistas gravaram discos dedicado à obra do Chico, como o Ney Matogrosso, Gal Costa, Quarteto em si, dentre outros... 

Acompanha o Oswaldo uma cantora chamada Tânia Maya. Lembro-me até hoje o arrepio na coluna que senti ouvindo pela primeira vez essa versão, apesar de já conhecer a música na versão original e na regravação do Chico com Maria Bethânia.

Apesar da música ser da década de 60, eu disse que chegamos aos anos 90, pois essa versão do Oswaldo Montenegro e Roberto Menescal faz parte de um belíssimo CD e divertidíssimo show chamado "Letras Brasileiras", nasceu de um encontro em um aeroporto onde o Oswaldo e Menescal discutiram a MPB, estavam revoltados com um crítico qualquer que escreveu num jornal qualquer que na MPB só  teriam letristas nenhum poeta! Ficaram horas lembrando e relembrando quem eles consideravam poetas... Na hora de ir embora combinaram de produzir um disco/show para desmentir esse crítico. 

Combinado a produção e músicos que participariam do CD, eles marcaram a data da primeira reunião para definir o repertório do CD. Todos reunidos antes de começar a reunião, Menescal pediu a palavra e definiu: 

-Do Chico Buarque só valem duas! 

Era essa historinha que prometi contar no primeiro Post...

As duas escolhidas foram " Todo sentimento" e essa "Sem fantasia" que abre o CD e era o auge do show.


Como não irei escolher outra música romântica/poética como essa ela representará também a discografia de Vinicius, Toquinho, Oswaldo Montenegro, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Roberto e Erasmo, e todos aqueles poetas escolhidos para participar do CD letras brasileiras I e II...


Sem fantasia.
(Chico Buarque)
Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia você não vai crescer
Vem, por favor não me evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meu apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus!
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah! Eu quero te dizer
Que o instante de te ver custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar das chuvas que apanhei
Das noites que varei no escuro a te buscar
E quero te mostrar as marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei, nas discussões com Deus
E agora que cheguei eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa dos carinhos teus

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Comunhão - Milton Nascimento - Desafio "uma música por dia"!



Comunhão.

Essa é do início da década de 80. 

Se ontem coloquei o cavaleiro da esperança, essa música é a esperança pura, quase pueril.  

Eu era criancinha, de esperança pueril, quando vi o clipe no fantástico 
(quando criancinha eu via fantástico, santa inocência). 

Escolhi essa música no lugar de coração de estudante, Cruzada, Clube da Esquina II, Nos tempos das Panair ( Milton Nascimento),está representando o clube da esquina, musicas surgidas nas esquinas de BH exportadas para o mundo... 

Recentemente perdemos para um câncer o Fernando Brant, um dos principais nomes da música mineira e do clube da esquina.. 

Essa música é dele...  

Nunca esqueci essa mensagem de esperança... 
A presença no clipe de Tadeu Franco e Simone ao lado do Milton explicam parte do meu fascínio. 

O meu fascínio pelo clube da esquina quando criança me levaram a ler os livros "Os sonhos não envelhecem" de Márcio Borges e “Travessia – A vida de Milton Nascimento” de Maria Dolores. um livro que começou como projeto de conclusão do curso de Comunicação Social - Jornalismo, e que custou quatro anos e meio de trabalho para ser concluído depois da faculdade.

Para aqueles que gostam de música é uma história que vale a pena conhecer... 

Por eu ter visto pela primeira vez quando criança, e por ser uma mensagem de esperança pueril
(também por ter riscado todas as músicas infantis para ficarem só em 9). essa música por tabela também representa Aquarela e Imaginem( Toquinho), Depende de nós ( Ivan Lins) Lindo balão azul(Guilherme Arantes) e Sítio do Pica-Pau amarelo( Gil). 
Eu fui uma criança feliz, olha só quem escrevia músicas para eu ouvir... 
As crianças de hoje tem a palavra cantada e nada mais... 
Ah, está representando também Crescendo II( santa inocência) do Ultraje a rigor, por motivos já explicados.



Comunhão
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

Sua barriga me deu a mãe
O pai me deu o seu braço forte
Os seios fartos me deu a mãe
O alimento, a luz, o norte

A vida é boa me diz o pai
A mãe me ensina que ela é bela
O mal não faço eu quero o bem
Na minha casa não entra a solidão

Todo o amor será comunhão
A alegria de pão e o vinho
Você bem pode me dar a mão
Você bem pode me dar carinho

Mulher e homem é o amor
Mais parecido com primavera
É dentro dele que mora a luz
Vida futura no ponto de explodir

Eu quero paz eu não quero guerra
Quero fartura, eu não quero fome
Quero justiça, não quero ódio
Quero a casa de bom tijolo
Quero a rua de gente boa
Quero a chuva na minha roça
Quero o sol na minha cabeça
Quero a vida, não quero a morte não

Quero o sonho, a fantasia
Quero o amor, e a poesia
Quero cantar, quero companhia
Eu quero sempre a utopia
O homem tem de ser comunhão
A vida tem de ser comunhão
O mundo tem de ser comunhão
A alegria do vinho e o pão
O pão e o vinho enfim repartidos

Sua barriga te deu a mãe
Eu pai te dou o meu amor e sorte
Os seios fartos te deu a mãe
O alimento, a luz, o norte

A vida é boa te digo eu
A mãe ensina que ela é sábia
O mal não faço, eu quero o bem
A nossa casa reflete comunhão

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O Cavaleiro da Esperança - Taiguara - Desafio "uma música por dia"!




Escolhi essa no lugar de para não dizer que falei das flores e Disparada( Geraldo Vandré) Sampa(Caetano Veloso), Domingo no parque( Gil), Que as crianças cantem livre( do Taiguara), Como nossos pais e o Bêbado e o Equilibrista (da Elis Regina).

Quem me conhece achou que não escolheria nenhuma música internacional... 
Está aí a música de um uruguaio... 
Êh.... Está certo que o Taiguara é tão uruguaio quanto o Milton Nascimento é carioca...

Esta escolha está representando aquela geração dos festivais, MPB dos anos 60 e 70, pessoas que viveram e sofreram numa ditadura brasileira com regras americanas...

Pesou na escolha as manifestações  que vi em 2015 pedindo entre outras coisas uma "intervenção militar" e eu só lembrava da fala do Taiguara, nesse clipe: 

"O povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la: já imaginou para esse pequenininho aí, se a gente repetir essa história de golpes militares, fome, falta de música brasileira nas rádios, falta de respeito... não podemos repetir essa história!"

Quando o Taiguara fala da fome brasileira no período da ditadura militar sempre lembro-me do "irmão do Henfil", cantado em verso e prosa pela Elis Regina, que ao voltar do seu exílio dedicou o restante do sua vida(restinho de vida mesmo, pois era hemofílico e estava aidético) ao combate a fome... 
E nós que tínhamos o que comer doava kilos de alimentos para aqueles que não tinham e ele alimentava nossas almas com shows  musicais de vários artistas de grande qualidade 
(e só para alfinetar,  não descontava o que foi arrecadado no seu imposto de renda... )

Taiguara teve nos anos 60 e 70 mais musicas censuradas que Chico Buarque e Geraldo Vandré somados! Nem por causa das músicas em si, já que um dos seus discos censurados eram totalmente instrumental! (Outro totalmente em inglês)!! 

Menos pelas músicas mais pelos amigos... 
O cavaleiro da esperança era um desses amigos....

Como todo mundo aqui conhece a história do nosso povo, não preciso explicar quem foi o cavaleiro da esperança na história do Brasil, não é? 

Para quem não sabe no finalzinho do clipe passa a foto dele... 

Agora, se mesmo com a foto você não sabe quem é  então cuidado! 
Você está condenado a repetir erros antigos...

Quinze anos depois da morte de Taiguara, foi lançado um CD póstumo chamado Ele vive, com 11 músicas dele não lançadas e mais 4 versões ao vivo de sucessos, incluindo aí Outubro, música de Milton e Fernando Brant, a segunda composição dessa dupla(a primeira foi Travessia)

Já que citei o cidadão do mundo Milton Nascimento, citei a fome, eu prefiro a fartura e não a fome.... Já deu para adivinhar qual a música de amanhã?....




 O Cavaleiro da Esperança
(Taiguara) 


Quem só espera não alcança
Mas quem não sabe esperar
erra demais, feito criança
Cai. E até se entrega ou trai.
E cansa de lutar

O Cavaleiro da Esperança
faz a hora acontecer
Faz punho armado
Faz punjança
Mas combate pela paz
pro povo não morrer

Pois Ogum Guerreiro não morre
prestes a encontrar
uma estrela d'alva para nos guiar

É soldado alerta. É São Jorge
prestes a enfrentar
o dragão do mal
que quer nos matar


(que quis nos matar, mas não deu não)


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Pose (Anos 90) - Engenheiros do Hawaii - Desafio "uma música por dia"!



Ano passado fui desafiado pela minha esposa à realizar uma impossível missão: ficar 7 dias postando as minhas 7 músicas favoritas, uma por dia... 
Como escolher 7 entre as 32mil mp3s salvos no computador? 
Eu tenho dificuldade para escolher as 700 que eu levo comigo no celular... 
Mas como diz essa primeira música escolhida, e que uso como frase na minha assinatura de e-mail: "Se for impossível, se não for importante, mesmo assim a gente tenta"!...

Minha esposa ainda complementou: 
-Não pode ser 7 músicas dos Engenheiros do Hawaii, ok? 

Ela fala isso porque quando eu era "mais moço", no exagero e na arrogância juvenil eu declarava que a discografia dos Engenheiros do Hawaii é tão boa quanto a união de todas as outras (boas) músicas brasileiras. 

Hoje, quando eu me olho no espelho e digo: "Caralho! Como estou ficando velho!" já com a maturidade e sabedoria que a idade traz (para mim e para o AgaGê) eu percebo cada vez mais, a cada dia que passa, que não era nenhum exagero ou arrogância, o meu jovem eu estava certo mesmo! 

(segura a onda, sai dessa agora, HG).

Essa restrição me lembrou uma história contada pelo Roberto Menescal na temporada de shows de um de seus discos... 
Dentre as 7 músicas favoritas, vou escolher uma desse disco e contarei a história...

Se não pode ser 7 dos Engenheiros, vou escolher uma só que representará todas. 

E irei seguir a mesma lógica nas outras 8 músicas. 
Cada uma representará um conjunto de músicas de uma certa época ou certo gênero... 

Depois dessa primeira mais previsível, vou tentar colocar uma ordem lógica/cronológica entre as músicas.

Outras 8 músicas?.. 
É.. 
Primeiro selecionei umas 30, 
depois usando aquela lógica da representação caiu para 15...
Fiz um esforço selecional e sobraram 10...
mais um esforço sobre-humano que me feriu por dentro e risquei mais uma, sobraram 9 ... 
E... 
E... 
Sem querer me ferir mais, desisti de participar do desafio...

Então tive uma grande ideia! 
Vou mostrar as 9 e cada um que ver risca duas e deixa 7. Será uma lista de 7 favoritas personalizada: 9 opções para você escolher 7... 

A minha ideia funcionou?

Pose anos 90. Escolhi essa é deixei para trás infinita highway, 
O exército de um homem só (versão Vagner Tiso) e está representando toda a discografia do Humberto Gessinger incluindo aí Engenheiros do Hawaii, HG trio, Pouca Vogal, TRio Grande do Sul e o solo Insular. 

Mais tarde vou colocar essa música representando outro grupo de músicos, não sei se merece tanto, mas por falta de espaço, tive que fazer isso...

Pesou na escolha os anos e anos que fiquei pedindo que ele tocasse essa música nos shows e o pedido foi finalmente atendido pela primeira vez no pop rock café, no inesquecível "pocket show " que foi o embrião do acústico MTV (onde ele regravou essa música(parte dela) ao lado da filha) 
Acreditem ou não, eu tenho uma gravação de áudio desse exato momento, onde ouvi pela primeira vez em show ao vivo... 
Cerca de oito anos depois da gravação em estúdio, fui no show da turnê GLM, e todas seguintes, com a esperança de um dia escuta-la ao vivo e naquele dia, em um pequeno bar na Savassi, pouca gente presenciando( a preço de ouro) só o Humberto Gessinger e um violão (depois piano) testando o repertório que se tornaria  mais um  acústico. 

Hoje nós vamos num teatro, assistimos um show com uma máquina digital e um cartão de memoria e levamos para casa o show inteiro gravado desde o "Boa noite" até o "Até a próxima". 

Não era assim no inicio do milênio... A gravação que tenho é em fita magnética num gravador, que depois foi digitalizada em CD, e depois para mp3... A qualidade baixa comparado ao que temos hoje, mas me sinto agraciado por ter aquele momento eternizado.  

Ele foi ao piano, introduziu a musica com um trecho de "No inverno fica tarde mais cedo", e eu torcendo: "já que ele foi para o piano ele bem que podia tocar "Pose", né... Vai.. Toca, vai... "

Ele começou os acordes e aquele arrepio na coluna...

Depois ele contou em entrevista que não tocava a música poque achava com data de validade vencida (porque tem um trecho que fala "tem que ser agora anos 90"). Mas resolveu gravar quando viu sua filha cantarolando a música...



Pose (Anos 90)

vamos passear depois do tiroteio
vamos dançar num cemitério de automóveis
colher as flores que nascerem no asfalto
vamos todo mundo... tudo que se possa imaginar

vamos duvidar de tudo que é certo
vamos namorar à luz do pólo petroquímico
voltar pra casa num navio fantasma
vamos todo mundo... ninguém pode faltar

se faltar calor, a gente esquenta
se ficar pequeno, a gente aumenta
se não for possível, a gente tenta
vamos ficar acima, velejar no mar de lama
se faltar o vento, a gente inventa
vamos esquecer o dia da semana
tem que ser agora: anos 90

vamos remar contra a corrente
desafinar do coro dos contentes
se for impossível, se não for importante
mesmo assim a gente tenta

não é pose
não é positivismo
quanto pior, pior
não é pose
! no pasarán !
não passaremos por isso

tô fora voodoo, ranço, baixo astral
não vou perder meu tempo brincando de ser mau
não vou viver pra sempre nem morrer a toda hora
como rasgos pré-fabricados num novo-velho blue-jeans

morte anunciada, direitos autorais
pela tv a cabo uma baleia acaba de nascer
nascer pode ser uma passagem violenta
o futuro se impõe, o passado não se aguenta

meninos de engenho, santa ingenuidade
santíssima trindade: sexo, drogas & rock'n'roll

é pura pose
...pois é...
pós-qualquer coisa
...o pior não é isso...
é pura pose
...é dose...
posteridade
...e o pior não é isso...

vamos passear depois do tiroteio
vamos dançar num cemitério de automóveis
vamos duvidar de tudo que é certo
vamos namorar à luz do pólo petroquímico
vamos remar contra a corrente
desafinar do coro dos contentes
vamos ficar acima, velejar no mar de lama
vamos esquecer o dia da semana