Magazine Luiza

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Hábitos de vida e nutrição

Hábitos de vida e nutrição

Alimentação baseada em grandes quantidades de alimentos industrializados, maior acesso aos confortos propiciados pela tecnologia (elevadores, carros, controles remotos, entre outros), trabalho num ritmo alucinante.

Fenômenos típicos dos processos de industrialização e urbanização, os hábitos da modernidade vêm gerando brasileiros mais gordos, inativos e estressados do que nunca. Para se ter uma idéia da importância desses hábitos da modernidade sobre longevidade humana, de acordo com pesquisa realizada pela Universidade de Stanford, dentre os fatores que pesam para que uma pessoa ultrapasse os 65 anos, estilo de vida é o fator mais predominante (53%) para prolongar ou diminuir a vida.

A obesidade, por exemplo, tornou-se tão comum que acabou por transformar-se no mais grave problema de saúde pública do mundo, superando até mesmo a desnutrição e as doenças infecciosas.

Os Estados Unidos, já possuem 55% da sua população acima do peso. No Brasil, esse percentual gira em torno de 40% sendo que 11% desse total são obesos. Sem desprezar a influência dos fatores genéticos, que são consideráveis, o aumento da obesidade é um produto da sociedade moderna.

Pela primeira vez, em séculos, o mundo ocidental tem abundância de alimentos (sobretudo de proteínas, carboidratos e gorduras), bem como alimentos industrializados amplamente distribuídos e anunciados de modo atraente, o que torna mais difícil convencer as pessoas a privilegiarem o consumo de frutas, verduras e legumes, apesar dos benefícios nutricionais evidentes destes alimentos.

Soma-se a isto, a ascensão de padrões sociais de beleza que induz as pessoas a buscarem cada vez mais um ideal de magreza, muitas vezes incompatível com a constituição física que lhes é característica. Maior abundância de alimentos altamente calóricos aliados a uma exigência social cada vez maior pela magreza e pelo corpo perfeito.

Como consequência, surgem problemas psíquicos e emocionais que se refletem em graves distúrbios alimentares, os quais não apenas comprometem a qualidade de vida mas, sobretudo, a saúde das pessoas.
A nutrição é um conjunto de processos, que envolve a ingestão, digestão, absorção, metabolismo e excreção dos nutrientes, com a finalidade de produzir energia e manter as funções do organismo.

Os nutrientes são substâncias contidas nos alimentos que fornecem energia para o funcionamento do corpo humano. Podemos dividir em macronutrientes e micronutrientes. Os macronutrientes são os carboidratos, proteínas e lipídeos e os micronutrientes são as vitaminas e minerais.

Os carboidratos fornecem a energia necessária para que você realize as atividades do dia-a-dia. As proteínas atuam na reestruturação de células e tecidos, crescimento e manutenção do esqueleto e síntese de enzimas e hormônios. E os lipídeos são o transporte das vitaminas lipossolúveis A, D e K e também fornecem energia.

As vitaminas e os minerais são substâncias reguladoras , desempenham papel importante no bom funcionamento de intestino, contribuem na formação de ossos, dentes, cartilagens e no processo de absorção do organismo. Em cada fase da vida há uma demanda energética e nutricional diferente, de acordo com a necessidade orgânica. Em estados de doença, a necessidade nutricional muda e requer um cuidado alimentar diferenciado.

A Pirâmide Alimentar é o mais moderno Guia de Alimentação, aprovado, pela Organização Mundial da Saúde. Substituiu a roda de alimentos usadas para explicitar os grupos de alimentos que agora foram subdivididos, para melhor garantir o consumo de todos os nutrientes nas qualidades adequadas.
Através da pirâmide podemos visualizar todos os grupos de alimentos e saber qual podemos ingerir mais e qual devemos evitar.

Foram definidos 8 grupos para manter a estrutura idealizada pela pirâmide americana. Cada grupo tem sua importância funcional no organismo, a base fornece energia, o segundo nível de vitaminas , minerais e fibras, o terceiro proteínas, ferro, cálcio, e o topo, gorduras e açucares. Cada um desses nutrientes tem uma importância diferente no organismo, por isso a colocação dele dentro de uma pirâmide. Dessa forma, consegue-se mostrar que os alimentos da base devem ser consumidos em maiores quantidades e os do topo em menores.

Os três conceitos principais de uma alimentação equilibrada são:
  • VARIEDADE: é identificada pelo consumo de uma grande variedade de alimentos dentro e entre os maiores grupos. Em outras palavras, nenhum grupo é mais ou menos importante do que qualquer outro grupo;
  • MODERNIZAÇÃO: é definida por dois componentes: a)consumir alimentos no tamanho recomendado das porções, especialmente aqueles ricos em gorduras e/ ou açucares adicionados; b)consumir gorduras, óleos e doces esporadicamente;
  • PROPORCIONALIDADE: é definida como consumir relativamente mais de grupos alimentares maiores, e menos de grupos menores. 
Vejam quais são os alimentos de cada grupo e quantas porções, em geral, devemos consumir de cada um:
  • Grupo 1: os carboidratos (pão, batata, macarrão,arroz) - principal fonte imediata de energia. São chamados Energéticos.
  • Grupo 2 e 3: o das verduras, legumes e frutas - fontes de vitaminas, minerais e fibras (essenciais para o bom funcionamento do organismo). São chamados Reguladores.
  • Grupo 4, 5 e 6: o das leguminosas (lentilha, ervilha, feijão, grão de bico e soja) que são as proteínas vegetais; o das carnes (brancas, vermelhas, ovo) que são das proteínas animais, muito bem utilizada por nosso organismo para produção de tecidos, enzimas e compostos do sistema de defesa; e o dos leites e derivados (iogurtes,queijos) são maiores fornecedores de cálcio, e também representando as proteínas animais - todos eles tem a função de crescimento, desenvolvimento e formação de massa muscular. São chamados Construtores.
  • Grupos 7 e 8: o dos óleos, gorduras, açucares e doces - deverão ser evitados em excesso. São os também chamados Energéticos.
As porções são quantidades dos alimentos em suas formas mais comuns de consumo pela população (fatia, colheres, unidades, copos, folhas , etc.). Foram estabelecidas para os oito grupos alimentares, com definição dos pesos em gramas, quilocalorias e as medidas usuais de consumo de alimentos naturais, industrializados e preparações culinárias, para facilitar a transmissão das orientações dietéticas e o entendimento pela população.

Todos os grupos de alimentos são importantes para suprir as necessidades de nutrientes dos indivíduos e manter sua saúde, por isso, todos devem ser consumidos em suas quantidades adequadas. Estas quantidades variam de acordo com as necessidades de cada Indivíduo (PHILIPPI e col, 1999).

A base da pirâmide deve ser composta por exercícios físicos e controle de peso. Já está mais do que comprovado os malefícios causados pelo sedentarismo. Colocar em prática as recomendações da pirâmide pode diminuir significativamente o risco de doenças cardiovasculares. Mas em uma dieta balanceada não pode haver excessos e nem deficiência de alimentos. Portanto, nem todo carboidrato é bom, assim como nem todo óleo é ruim. A forma como eles são preparados e o horário em que serão ingeridos também devem ser levados em conta.

De acordo como os princípios de uma alimentação saudável, todos os grupos de alimentos devem compor a dieta diária. A alimentação saudável deve fornecer água, carboidratos, proteínas, lipídeos, vitaminas, fibras e minerais, os quais são insubstituíveis e indispensáveis ao bom funcionamento do organismo. A diversidade dietética que fundamenta o conceito de alimentação saudável pressupõe que nenhum alimento específico ou grupo deles isoladamente, é suficiente para fornecer todos os nutrientes necessários a uma boa nutrição e consequente manutenção da saúde.

A ciência comprova aquilo que ao longo do tempo a sabedoria popular e alguns estudiosos, há séculos, apregoavam: a alimentação saudável é a base para a saúde. A natureza e a qualidade daquilo que se come e se bebe é de importância fundamental para a saúde e para as possibilidades de se desfrutar todas as fases da vida de forma produtiva e ativa, longa e saudável.

A alimentação quando adequada e variada, previne as deficiências nutricionais e protege contra as doenças infecciosas, por que é rica em nutrientes que pode melhorar a função imunológica, contribui também para a proteção contra as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e potencialmente fatais como diabetes hipertensão (AVC), doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.

Por isso alimentação deve ser planejada com alimentos de todos os tipos e de procedência conhecida. Os alimentos devem ser consumidos preferencialmente em sua forma natural, adequados qualitativa e quantitativamente, pertencentes ao hábito alimentar, preparados de forma a preservar os valores nutritivos, os aspectos sensoriais e seguros sob o ponto de vista higiênico-sanitário.

Assim observamos que somente com mudança de hábitos alimentares, reformulação, adequação da nossa dieta, de acordo com o modelo proposto pela Pirâmide Alimentar, e também aliando sempre a pratica constante de exercícios físicos poderemos alcançar uma boa saúde e uma alimentação com qualidade. 

Fonte: Universidade Gama Filho, pós EAD saúde da família