Magazine Luiza

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Steve Jobs 1955-2011 A morte de um gênio!



Jobs e suas frases mais marcantes

Por Juliano Barreto, da INFOExame • Quinta-feira, 06 de outubro de 2011 - 00h41

SÃO PAULO – Avesso a entrevistas, Steve Jobs nunca escondeu suas opiniões fortes sobre inovação, sua filosofia de vida e a rivalidade com a Microsoft.
Durante seus discursos e nas raríssimas entrevistas, Steve Jobs transbordava sinceridade e confiança. Sem nunca apelar para a falsa modéstia, ele elogiou os seus lançamentos e enalteceu a superioridade da sua empresa frente aos rivais. Confira, a seguir, uma lista de frases marcantes ao longo da carreira de Jobs.

“Nós apostamos em nossa visão, preferimos fazer isso do que fazer produtos do tipo “eu também”. Deixamos as outras empresas fazerem isso. Par anos, a meta sempre será o próximo sonho” (lançamento do Macintosh, 1984)
“Se, por alguma razão, nós cometermos grandes erros e a IBM triunfar, meu sentimento é de que a computação entrará numa Idade das Trevas por uns vinte anos”
“Você quer passar o resto da sua vida vendendo água com açúcar ou quer uma chance de mudar o mundo?” (frase usada para convencer o então CEO da Pepsi, John Sculley, a assumir a Apple)
“É mais divertido ser um pirata do que entrar para a marinha”
“Infelizmente, as pessoas não se rebelam contra a Microsoft. Eles não conhecem nada melhor”


“Se eu soubesse, em 1986, o quanto eu iria gastar para manter a Pixar funcionando, duvido que eu teria comprado a empresa”
“Eu tenho um plano que pode salvar a Apple. Só posso dizer que é um produto perfeito com a estratégia perfeita. Mas ninguém me ouve” (Em 1995, quando estava exilado da própria empresa)
“Eu valia um milhão de dólares quanto tinha 23 anos, 10 milhões dólares aos 24  e  100 milhões aos 25. Mas isso não foi importante, pois nunca fiz nada por causa de dinheiro”
(entrevista cedida em 1996)
“O único problema da Microsoft é não ter bom gosto. Eles absolutamente não têm bom gosto. Digo isso de uma forma geral, no sentido de que eles não constroem ideias originais, não colocam sua própria cultura nos produtos”.
“Fico entristecido, não pelo sucesso da Microsoft, pois eles o mereceram. Meu problema está no fato de eles sempre fazerem produtos de terceira linha”
“Devemos deixar de lado essa noção de que para a Apple ganhar, a Microsoft tem de perder. Temos de abraçar a noção de que para a Apple ganhar, a Apple tem de fazer um bom trabalho” (durante a MacWorld Expo, em 1997, quando a Microsoft investiu 150 milhões de dólares para ajudar  Apple)
“O iMac é computador do ano que vem por 1 299 dólares, não o computador do anos passado por 999 dólares” (lançamento do iMac, em 1996)
“É muito difícil criar produtos baseando-se em pesquisas. Muitas vezes as pessoas não sabem o que elas querem até que você mostre a elas”
“Criamos botões que ficam tão bem na tela que você vai querer lambê-los”
(Em 2000, no lançamento da interface Aqua, para o Mac OS X)
“Eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates”
“Nós pensamos que, basicamente, assistimos TV para desligar os nossos cérebros e que trabalhamos no computador quando queremos liga-los”
“Eu sou a única pessoa que conheço a perder um quarto de bilhão de dólar em um ano... isso é bastante importante na construção do caráter”
“Nossos amigos do norte gastam mais de cinco bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento e tudo o que eles parecem fazer é copiar o Google e a Apple”
(recado para a Microsoft no Worldwide Developer's Conference, em 2006)
“Ninguém quer morrer. Até as pessoas que desejam ir para o céu não querem morrer para chegar lá"
“Seu tempo é limitado, então não gaste o vivendo a vida de outra pessoa”



Folha de São Paulo - 05/10/2011 - 23h17

Marion Strecker: morre um gênio

MARION STRECKER
DE SAN FRANCISCO, CALIFÓRNIA
Sem Steve Jobs Há menos de 24 horas, certos blogueiros precipitados e jornalistas pessimistas ("jornalista pessimista" é um pleonasmo, certo?) saíram por aí falando cobras e lagartos sobre o fato de a Apple ter lançado nesta terça-feira o iPhone 4S, em vez de um smartphone chamado iPhone 5.
Foi o primeiro lançamento depois da recente renúncia de Steve Jobs como CEO (principal executivo) da Apple, para se tratar de um câncer gravíssimo. Auditório pequeno, só para jornalistas americanos. Teste de fogo para o sucessor que Steve Jobs deixou na empresa: Tim Cook.
Ninguém viu o tal esperado iPhone 5, ninguém sabe o que será um iPhone 5, mas esses blogueiros e jornalistas já se decepcionaram com o iPhone 4S, que mal ou nem viram.
O mundo de alta tecnologia, feito de inovação constante, seja boa ou seja ruim, é assim mesmo. Igualzinho ao mundo das bolsas de valores, em que os suspiros e as expectativas podem valer muito mais do que fatos reais, concretos e palpáveis. Para muitas dessas pessoas, o instante vale mais do que o longo prazo. Mesmo que seja uma ilusão. Dinheiro fácil e rápido é mais importante do que obra duradoura, bem para a humanidade, essas coisas.
Jeff Chiu-2.mar.11/Associated Press
Steve Jobs fez a sua última aparição pública em março deste ano; veja galeria de imagens
Steve Jobs fez a sua última aparição pública em março deste ano, no lançamento do iPad 2;
Enquanto nesta terça textos na internet davam conta de uma queda momentânea de 5% nas ações da Apple, que fecharam o dia com queda da ordem de menos 0,5% (nenhuma grande coisa), quase nenhum desses textos informava qual foi o aumento da ação da Apple nos últimos seis meses, um ano ou dois anos. Impressionante! Fez muita gente rica!
Steve Jobs tinha seus defeitos. Era autoritário. Sabia humilhar subordinados que não atendiam seus altos níveis de exigência de qualidade, como fez recentemente com o cabeça do Mobile Me, serviço de "cloud computing" (armazenamento e sincronização de informações na "nuvem", ou seja, em computadores remotos que nem sempre sabemos onde estão). Dizem que o cara foi demitido na frente da equipe, com Jobs furioso, reclamando de quanto ele manchou o nome da Apple.
Eu mesma sou/fui uma vítima do Mobile Me, embora seja uma usuária e admiradora da Apple. Entendo perfeitamente as razões de Jobs ter chegado a esse extremo, embora não aprecie a forma como tudo se deu. Não havia uma maneira de ter evitado os erros ("bugs", em computês) do Mobile Me ANTES do lançamento do produto? Vou ganhar um ano grátis do iCloud (que vai substituir o Mobile Me em breve), como brinde (que não solicitei) pelos problemas que passei.
Mas Steve Jobs era um gênio. Na minha opinião, Jobs era "o" gênio do chamado Vale do Silício, também conhecido como Bay Area, Califórnia. Sem paralelo. Sem sucessor, por mais que eu aprecie o trabalho que Mark Zuckerberg esteja fazendo com o Facebook.
Como ninguém, Steve Jobs soube entender a pessoa comum e criar aparelhos e sistemas que amplificaram o entretenimento, além do mundo do trabalho.
O centro da Apple era e é o usuário final. Usabilidade, esse palavrão que hoje é termo corrente em qualquer empresa de internet ou de sistemas, sempre foi a praia da Apple. Usabilidade quer dizer algo fácil de usar. Como uma geladeira: abre e pronto. Ou adivinha como usar, sem precisar ler manuais.
A última da Apple, nesta terça, foi justamente ter incorporado um serviço chamado Siri (dando crédito a uma empresa que a Apple comprou ano passado). Siri é uma assistente eletrônica que entende comandos de voz e responde perguntas ou executa tarefas como: "Leia para mim o e-mail que chegou agora", "Preciso sair de guarda-chuva hoje?" ou "Me acorde às 6 da manhã amanhã", por exemplo.
Por mais que a Microsoft tenha copiado a Apple ao lançar o seu sistema operacional Windows, nunca o Windows chegou ao patamar do rival. E Bill Gates, o antigo CEO da Microsoft, sabe bem disso. Tanto que comentou nesta quarta que o mundo raramente vê uma pessoa do calibre de Steve Jobs, capaz de provocar impactos tão profundos, com efeitos que serão sentidos nas próximas gerações. "Para aqueles que tiveram sorte o suficiente para trabalhar com ele, foi uma insana grande honra. Eu sentirei uma falta imensa de Steve Jobs", disse Bill Gates para o jornal "The New York Times".
Quando até os arqui-rivais são obrigados a tirar o chapéu, aí está o homem.


Site G1: 06/10/2011 09h09 - Atualizado em 06/10/2011 09h50

Fãs improvisam memoriais em homenagens a Steve Jobs

Co-fundador da Apple morreu na quarta-feira (5) vítima de câncer.
Porta de lojas foram tomadas por homenagens ao redor do mundo.

Bernado Tabak Do G1, em Nova York e em São Paulo

Consumidores fazem homenagens para Stevie Jobs em Hong Kong, no Japão e nos EUA (Foto: AP)Consumidores fazem homenagens para Stevie Jobs em Hong Kong, no Japão e nos EUA (Foto: AP)
Consumidores e autoridades prestaram sua homenagem a Steve Jobs nesta quinta-feira (6). O co-fundador da Apple morreu vítima de câncer na quarta (5). Desde a madrugada, fãs se reúnem em frente à loja da Apple, em Nova York. No local, diversos de veículos da imprensa americana se posicionaram para transmissões ao vivo. Lojas da Apple em diversas cidades do mundo também foram palco de homenagens.

Em um dos muros que circundam temporariamente a loja em Nova York, que passa por uma reforma, lia-se: “Eu amo Steve (I love Steve)”. Um pequeno memorial improvisado na escadaria, com mensagens, rosas, velas e muitas maçãs, símbolo da empresa, era fotografado por todos que chegavam, com câmeras, celulares e, claro, iPhones. Um bilhete dizia: “Obrigado por tudo Steve!! Vamos sentir saudades.”
Homenagem foi escrita em tapume de obra de reforma da loja em Nova York (Foto: Bernardo Tabak/G1)Homenagem foi escrita em tapume de obra de
reforma da loja em Nova York (Foto: Bernardo
Tabak/G1)
Na madrugada, um grupo de quatro jovens conversava sobre o legado de Jobs. Um deles, Lasha Krikheli, de 23 anos, um webdesinger nascido na Georgia e que vive em Nova York, dizia efusivamente que o fundador da Apple havia “humanizado a tecnologia” e “criado um caminho”, no que os outros três concordaram.

À parte a importância de Jobs para o universo tecnológico – ele recebeu homenagens até do presidente americano, Barack Obama -, os jovens comentaram sobre o que os aparalhos da Apple mudaram na vida deles. “Jobs, com sua precisão nos detalhes, mudou meu comportamento, minha forma de ver o mundo. Hoje, presto muito mais atenção nos detalhes das coisas a minha volta”, ressaltou o ator Eric Lommel, de 26 anos.

Enquanto os jovens comentavam sobre Jobs, o joalheiro John Lee, de 29 anos, juntou-se a eles, armou um tripé e posicionou uma câmera, para registrar as homenagens. Na roda em frente à loja-cubo, Krikheli destacava a simplicidade com Jobs resolvia problemas. “Ele mudou a forma de eu olhar minha propria vida”, complementou.
A mais nova do grupo, a estudante Caitilin Botsios, de 21 anos, contou que o primeiro computador dela foi um Machintosh: “Eu nasci dentro do mundo Mac!” Em seguida, ela apostou que “a Apple vai continuar a mesma empresa”, mesmo apos a morte do fundador. O mesmo pensamento e compartilhado pelo tambem ator Danny Karapetian, de 23 anos: “Steve nunca vai morrer. A Apple, que e uma das marcas mais fortes do mundo, vai continuar inovando.” Segundo funcionários, a loja cubo, que funciona 24 horas, continua aberta e nao houve nenhuma recomendacao para fechar.
China
Na China, dezenas de admiradores se reuniram nas lojas da marca em Pequim e Xangai para homenagear o cofundador da Apple. “É o melhor professor que tive nesta vida”, afirmava na porta de uma loja de Pequim o engenheiro de software Jie Bing, enquanto outros admiradores deixavam junto à entrada flores, mensagens de carinho e outras homenagens.
Não faltaram oferendas de maçãs, uma prática taoista muito habitual nas sepulturas chinesas, onde são deixados alimentos para os mortos, e que desta vez apareciam mordidas pelos fãs, para ficarem semelhantes com o inconfundível logotipo da empresa americana.
Nos cartões colocados no lugar podiam ser lidas frases como “adeus mestre” ou “voe para um novo caminho”, enquanto a loja estava repleta de compradores e curiosos na busca pelas últimas novidades da Apple. “É um fato muito triste, seu espírito foi muito estimulante”, destacou a compradora de um tablet.
Moradores de Tóquio, no Japão, usaram flores, maçãs e até “velas digitais” em telas de iPads para homenagear Jobs. Na entrada do edifício da Apple do bairro comercial de Ginza, no centro de Tóquio, se amontoavam dezenas de buquês de flores e algumas mensagens que, em inglês, reverenciavam uma das figuras mais relevantes da indústria tecnológica do nosso tempo.
Autoridades
Nesta quinta, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair disse que Jobs era um homem “extraordinário” e “inspirador”. Em declaração, Blair afirmou que o co-fundador da Apple mudou a vida das pessoas com “imaginação e determinação”. “Steve foi um ser humano extraordinário e criativo, um inspirador e inovador que acreditava que o mundo podia ser transformado com o poder das ideias”, destacou Blair em nota.
O presidente francês Nicolas Sarkozy homenageou Jobs em sua página do Facebook, dizendo que ele era uma das “grandes figuras do nosso tempo”. “Quero prestar uma homenagem a Steve Jobs, que foi um grande empresário, um grande inovador e um protagonista destacado da revolução digital que vivemos”, escreveu Sarkozy em sua página na rede social.
“A capacidade de Steve Jobs no momento de revolucionar setores econômicos inteiros por meio do poder da imaginação e da tecnologia é uma fonte de inspiração para milhões de engenheiros e empresários de todo o mundo”.
Homenagem em Nova York (Foto: Bernardo Tabak/G1)Homenagem em Nova York (Foto: Bernardo Tabak/G1)

Site uol: 06/10/2011 - 09h40 / Atualizada 06/10/2011 - 09h53

Lojas da Apple em todo o mundo encaram luto após morte de Steve Jobs

Da Reuters
De Nova York à Austrália, fãs da tecnologia e dos computadores compareceram a lojas Apple  do mundo todo para homenagear Steve Jobs, destacando o seu caráter visionário que transformou o cotidiano de milhões de pessoas.


Fãs prestam homenagens a Steve Jobs; veja


Foto 77 de 79 - Vendedores da Apple em Manila, nas Filipinas, usam nesta quinta-feira (6) detalhes pretos em suas roupas para homenagear o ''chefe'' Steve Jobs Mais Jay Directo/AFP
Na sede da empresa que Jobs fundou em 1976 -- na Infinite Loop, 1, Cupertino, Califórnia --, bandeiras tremulavam a meio mastro e muita gente se reuniu num gramado próximo após a morte de Jobs, na quarta-feira (5). Abalados, fãs da Apple deixavam flores, e um homem tocava gaita de fole.
"Na minha cabeça, não existe diferença entre ele e Pasteur", disse Chitra Abdolzadeh, que trabalha no setor da saúde em Cupertino, numa referência ao ilustre químico francês.
Ben Chess, de 29 anos, engenheiro em uma empresa de Internet e ex-estagiário da Apple, viajou depois do expediente de trabalho de San Francisco até o QG (quartel general) da Apple para deixar um ramo de flores. "É a coisa certa a fazer", disse.
Jobs, que morreu aos 56 anos, revolucionou a maneira como os usuários navegam na internet ao lhes dar o iPod, o iPhone e o iPad. Ele havia deixado em agosto o comando da empresa, a maior do mundo no setor de tecnologia.
China
Os "geeks" chineses pareciam especialmente comovidos. "Vim aqui ver como eles vão operar no primeiro dia depois de perderem Steve Jobs", afirmou Jin Yi, de 27 anos, na maior loja da Apple na China, em Xangai, que abriu no mês passado.


"É uma pena o dia de hoje. Ele criou todos esses aparelhos que alteraram as percepções das pessoas sobre as máquinas. Mas não conseguiu testemunhar o último passo, pelo qual, por meio dos seus equipamentos, as vidas das pessoas poderão ser efetivamente unidas a essas máquinas." Em Hong Kong, Charanchee Chiu deixou um solitário girassol e uma rosa branca em frente à loja local da Apple. "Estou triste. Acho que ele deveria ter vivido mais", afirmou Chiu, que disse ter enviado a Jobs mensagens aconselhando-o sobre saúde e a prática do tai-chi.
Estados Unidos
Na loja Apple do centro de San Francisco, as pessoas seguravam imagens de Jobs nas telas dos iPads e grudavam cartões e bilhetes na vitrine, dizendo "Obrigado Steve" e "Odeio o câncer". No lado de fora havia velas e maçãs vermelhas.
Cory Moll, funcionária da loja, disse que Jobs era uma inspiração para ela. "Temos sorte por tê-lo tido enquanto o tivemos", afirmou Moll, segurando um iPad com uma citação em homenagem ao empresário.
"O que ele fez para nós como cultura ecoa de forma ímpar em cada pessoa. Mesmo que elas nunca usem um produto da Apple, o impacto que eles tiveram é abrangente demais."
No outro lado do país, em Nova York, um memorial improvisado com folhetos exibindo imagens de Jobs foi montado em frente à loja 24 horas da Apple na 5ª Avenida. Transeuntes usavam seus iPhones para tirar fotos. "Vamos sentir a sua falta, Steve, descanse em paz. Obrigado pela sua visão", dizia um folheto.
O professor de administração Gary Hamel disse que decidiu ir à loja assim que soube da morte de Jobs. "Vi lágrimas nos olhos de algumas pessoas", disse ele, segurando um cabo que havia acabado de comprar por lá.
Em frente a uma loja da Apple no bairro do Soho, dois homens seguravam velas, buquês de flores e uma maçã. Por alguns instantes, deixaram um iPod Touch no chão.
Numa loja de Boston, o estudante Angelos Nicolaou disse que Jobs "nos inspirou a sermos rebeldes e desafiarmos o status quo. Espero que haja mais líderes como ele. Parece que o mundo está ficando carente deles."
Austrália
Em Sidney, na Austrália, o advogado George Raptis, que tinha cinco anos na primeira vez em que usou um computador Macintosh, foi até a loja envidraçada da Apple ao saber da notícia. "Ele mudou a fase da informática. Só haverá um Steve Jobs".
Algumas pessoas que passaram pelas lojas da Apple pensavam no futuro da empresa sem o seu cofundador. Desde agosto, a Apple já está sob o comando do executivo-chefe Tim Cook.
"Eles tiveram muito tempo para preparar a transição", disse o empresário brasileiro Guilherme Ferraz, 44 anos, em frente a uma loja da Apple em Manhattan. "Tim Cook irá continuar o legado dele."

Armazenamento em nuvem e o iOS 5 são os últimos legados de Jobs

Violeta Molina - Site Yahoo.

Madri, 6 out (EFE).- A Apple saberá aguçar a criatividade de seus funcionários para manter a empresa no caminho de sucesso e continuar empurrando à indústria tecnológica com inovações apesar da ausência de Steve Jobs, cujo último legado, o iCloud e o sistema operacional móvel iOS 5, aterrissa no mundo todo na próxima quarta-feira.
Jobs, o homem que despertou o amor e o desejo da humanidade pela tecnologia, lutava contra o câncer desde 2004, mas seu instinto de superação permitiu seguir agregando valor para a companhia da maçã e inclusive tirar forças para apresentar o iCloud e o iOS no dia 5 de junho durante a Conferência anual de Desenvolvedores da Apple 2011 (WWDC).
Nesta segunda-feira, a companhia responsável pelo iPhone, o Mac e o iPad fez frente à primeira apresentação - bastante sem graça - sem Jobs e com Tim Cook como executivo-chefe.
Entre as novidades estava o iPhone 4S e o assistente de controle de voz Siri, que tiveram detalhadas suas características do conjunto de serviços em nuvem iCloud e do sistema operacional para dispositivos móveis iOS 5.
O iCloud procura reunir e manter os conteúdos dos usuários de forma automática e com independência do dispositivo físico graças ao funcionamento baseado em tecnologia sem fio.
Com a proposta de download gratuito e compatível com os dispositivos da companhia da maçã e os PC, a Apple pretende se transformar em uma autoridade em matéria de serviços em nuvem, depois de que sua tentativa anterior, o MobileMe, não alcançasse o êxito esperado.
Com o iCloud, o que se quer é reunir em nuvem os conteúdos do iPhone, iPod Touch, iPad, Mac e PC, de modo que possam ser acessados com independência do dispositivo e dispor sempre de sua versão mais atualizada.
Assim, o conteúdo se armazena de forma automática e sem fio e é distribuído a todos os dispositivos sem precisa de sincronização, informa a Apple.
Um dos serviços do iCloud é o iTunes em nuvem, que permite ouvir - e também baixar - músicas novas ou já compradas por meio dessa plataforma a partir de todos os dispositivos do usuário.
Da mesma maneira, será possível acessar a partir dos diferentes equipamentos os aplicativos e livros comprados na App Store e na iBookstore.
Com os "fotos em streaming" se pode armazenar em nuvem imagens feitas a partir dos dispositivos móveis ou importar as de uma câmera digital e assim vê-las em todos os dispositivos que estejam conectados com o iCloud.
Para armazenar sem riscos os demais de documentos do usuário, iCloud inclui um serviço de cópia de segurança que atualiza os conteúdos de forma automática e via wi-fi a cada dia.
Este produto também é compatível com os documentos de iWork e as ferramentas Apple Pages, Numbers e Keynote e funciona com os aplicativos Contatos, Calendários e Mail.
Já o iCloud será gratuito para os usuários do iPhone, iPad, iPod Touch com sistema operacional iOS 5 e Mac com OS X Lion que tenham uma conta válida da Apple.
Os usuários vão dispor de 5 GB de espaço - ampliável prévio pagamento - para e-mail, armazenamento de documentos e cópias de segurança, enquanto aqueles conteúdos que tenham sido comprados por meio do iTunes, iBookstore ou da loja de aplicativos não terão limite de armazenamento.
Por sua vez, o sistema operacional iOS 5 - que acompanhará o iPhone 4S e poderá ser baixado para os iPhone 4 e 3G -, incluirá 200 novos recursos, entre estes o inovador serviço de mensagem
iMessage. EFE  vmg/dm


Adeus, Mr. Jobs

Frederico Bottrel - Estado de Minas
Publicação: 06/10/2011 07:23 Atualização: 06/10/2011 10:03

 (AFP PHOTO / Files / Ryan Anson )

Uma tarde com Sócrates era o sonho de Steve Jobs, o cocriador da Apple e do estúdio Pixar, que morreu, ontem, aos 56 anos. Em entrevista à revista Newsweek em 2011, o visionário homem por trás de tantos ‘ais’ – iPod, iPad, iPhone... – confessou que trocaria toda a sua tecnologia por uma boa prosa com o filósofo grego que deixava seus interlocutores encucados ao saber, de repente, que nada sabiam. A capacidade de dar de ombros para formulários de pesquisa, antever tendências, apostar caro nelas e acabar acertando fez com que Jobs mudasse a história recente da tecnologia, e fizesse o que parecia milagre com os números e o posicionamento de mercado da Apple. E, de quebra, o carisma e vocação para showman deixaram o nome dele inconfundivelmente marcado nessa história.

Com visual clean, caracteristica dos produtos da era Jobs na história da Apple, a página oficial da companhia confirmou, um dia depois do lançamento do novo iPhone 4S, que o idealizador da marca havia falecido: "A Apple perdeu seu visionário e gênio criativo, e o mundo perdeu um ser humano incrível. Aqueles de nós que tiveram a sorte de conhecer e trabalhar com Steve perderam um amigo querido e um mentor inspirador. Steve deixa para trás uma empresa que só ele poderia ter construído, e seu espírito será sempre a base da Apple". A família do ex-executivo, afastado do comando da empresa em 24 de agosto deste ano, comunicou que ele morreu ao lado dos parentes, "tranquilamente", e avisou que um site será criado, " para aqueles que desejam fazer homenagens".

Jobs nasceu em 24 de fevereiro de 1955, em São Francisco (EUA). Foi criado por pais adotivos e ficou conhecido por suas excentricidades que cheiravam a marketing: houve semanas em que decidiu desintoxicar-se e comer apenas maçãs, nunca aparecia em público vestindo outra coisa que não fosse calça jeans e blusa preta de gola rolê e vez ou outra respondia a qualquer um que mandasse mensagens para o steve@apple.com. Ganhou notoriedade quando, em 1984, ajudou a lançar o Macintosh. O computador pessoal tinha, pela primeira vez, interface agradável e sistema operacional acessível a meros mortais que não soubessem o que fazer diante de um comando bizarro em códigos indecifráveis. Vendeu 400 mil unidades e redefiniu a indústria.

A Apple havia sido fundada em 1976, dois anos depois de Jobs fazer uma viagem à Índia em busca de iluminação espiritual. O jovem, mergulhado de cabeça na contracultura, entrou na garagem do amigo Steve Wosniak – homem dos algoritmos, enquanto Jobs cuidava dos negócios – e de lá saíram os Apple I e II, antecessores do Mac. Anos mais tarde, Jobs não teria nenhum pudor em dizer que das duas ou três coisas mais importantes que fez na vida, uma foi a experiência com o ácido lisérgico (LSD).

O conselho da Apple o afastou em 1985, por divergências internas. Ele voltaria em 1996, ano em que a empresa da maçã comprou a Next Computer, também criada por Jobs. Em 1997, já era o principal executivo e deu novo gás à marca, que estava à beira da falência. A partir disso, os aparelhos que chegavam à prateleiras ostentando o símbolo do desejo mudaram a história da música, da computação pessoal e da telefonia.

Em 2004, Jobs foi diagnosticado com câncer no pâncreas. De lá para cá, o mercado habituou-se a rumores e confirmações de licenças médicas – até o obituário dele já foi acidentalmente publicado. A empresa experimentou, na terça-feira, seu primeiro lançamento recente sem ele. O mercado amanheceu frustrado para adormecer de luto.

Com todas as revoluções tecnológicas causadas pelo hippie comedor de maçãs, e mesmo com a fama de mandão, perverso e intolerante, o desejo do papo com Sócrates revela o que é mais marcante na trajetória de Jobs. Outra frase famosa do genioso e genial executivo dá a pista: “Nascemos, vivemos por um momento breve e morremos. Tem sido assim há muito tempo. A tecnologia não está mudando muito este cenário”.